MOEMA

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PAPIRUS DO EGITO

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

INAUGURAÇÃO DA CASA DE BEQUIMÃO


Neste momento em que se inaugura esta Casa, concretização de um sonho acalentado há anos, cheio de júbilo, explodindo de orgulho por participar, como coadjuvante, desta solenidade, deixo aqui consignados os agradecimentos em meu nome e do povo de Bequimão pela iniciativa da criação deste Centro onde serão expostos e comercializados o nosso Artesanato, nossas pinturas e esculturas, nossa música, enfim, as artes através das quais a nossa gente se expressa e se comunica com os seus concidadãos.
Quero também deixar aqui patenteado, como Secretário Municipal de Cultura, o meu compromisso de fomentar e realizar ações culturais voltadas para as necessidades do nosso povo, resgatando tradições já esquecidas, apoiando, incentivando as já existentes, sem criar modismos, nem tentar imitar alhures.
Pretendo, outrossim retomar as atividades artesanais, até agora negligenciadas, as quais num passado não muito remoto, fizeram da antiga Vila de Santo Antônio e Almas, uma referência na Baixada Maranhense. Quero, como todos os bequimãoenses ouvir e fazer com que todo o Maranhão ouça a música dos fusos dos nossos teares na tecedura das redes; queremos ver a fumaça dos nossos fornos na queima de alguidares, potes, vasos, tijolos e telhas. Queremos sentir a azáfama do nosso povo produzindo e não só esperando as benesses do Poder Público.

E é por acreditar em tudo isso que aceitei voltar às minhas raízes para fazer despertar nos jovens conterrâneos aquela chama que aquece a minha vida e ilumina os meus caminhos.
Eu quero ajudar a despertar-lhes sua sensibilidade onírica, fazendo-os trabalhar com um material bem nosso conhecido, o barro que pisamos desde que começamos a dar os primeiros passos, criando obras de arte que possam ser reconhecidas em todo o País, pois somente assim conseguiremos elevar o nível sócio-econômico e cultural do nosso povo.
E eu pretendo ser o instrumento dessa mudança, eu que saí do Mojó aos dez anos de idade com uma mão na frente e outra atrás, como se diz, para retornar à minha terra com um nome conhecido em quase todo o Brasil, sem nunca esconder as minhas origens, grato a este povo que me viu nascer e crescer e que sempre prestigiou os meus trabalhos.
Eu quero e posso despertar em nossos jovens as suas potencialidades artísticas que jazem latentes em seus intelectos, sufocadas pela luta insana e quotidiana pela sobrevivência.
Com a ajuda e colaboração de todos, pretendo criar em cada povoado um pequeno núcleo cultural, deixando a cargo da comunidade o livre arbítrio, a iniciativa da escolha de suas atividades vocacionais que vão da organização de grupos folclóricos, como o bumba-meu-boi, o tambor de crioula, o terecô, os pastorais e reisados aos festejos cívicos e religiosos, festas carnavalescas de rua, teatro, pintura mural e de quadros, cerâmica, artesanato de fio, fibra, madeira, etc.
A mim caberá a tarefa de orientar, reivindicar o suporte financeiro necessário, monitorar os gastos, prestar contas, difundir, estimular a criatividade, descobrir talentos, organizar exposições, feiras, eventos, conseguir mercado para a comercialização dos produtos. Em todas essas etapas sei que posso contar com a colaboração de todos.
Quem sabe com o apoio de uma equipe de pessoas de boa vontade não estaremos em pouco tempo exportando a Cerâmica Jaburu, já por mim iniciada, com o rótulo “ Made in Bequimão”!
Agradeço a confiança depositada em nosso trabalho, reafirmando o compromisso de colaborar para colocar uma seta com muito brilho nos caminhos da Baixada e uma estrela-guia no mapa turístico do Maranhão.                                                    
                                                                                                                                             Fransoufer

Resultado dessa indicação como Secretário Municipal de Cultura: sem ajuda do poder público e contando com meus próprios esforços e de alguns jovens, construímos uma casa simples nas proximidades da minha casa para servir de oficina para as atividades de cerâmica, queimadas num forno artesanal da minha propriedade. As peças produzidas foram expostas em duas ocasiões diferentes em São Luís: no Shopping São Luís e na Galeria de artes do SENAC. Também conseguimos que as peças ficassem expostas à venda em várias casas de artesanato da Capital, inclusive na Casa de Bequimão, com trabalhos em lã, madeira, fibra e com outros materiais fabricados por artesãos locais. Infelizmente esse espaço, orgulho da nossa gente, pois fora uma das primeiras criadas por municípios maranhenses, cerrou suas atividades por falta de pagamento do aluguel e das contas de água, energia e IPTU.
Também comprei às minhas expensas fios e anilinas distribuídas às artesãs que ainda sabiam tecer redes. Poucas unidades foram vendidas, embora o trabalho fosse de excelente qualidade e os desenhos da minha autoria, expostas em São Luis na sede do SENAC.
Desenvolvemos com mulheres moradoras de comunidades carentes trabalhos de tapeçaria, com desenhos de minha autoria. Referidos trabalhos também foram expostos no Shopping São Luís e na Galeria do SENAC.
Fiz oficinas em vários povoados não só de Bequimão mas de Alcântara cujos moradores descendentes dos quilombolas já tivessem prática em moldar cerâmica utilitária (vasos, potes, bilhas, alguidares).
Outra atividade desenvolvida, também sem apoio oficial, resultou da coleta de garrafas pet e outros artefatos jogados no lixo e que foram reutilizadas na confecção de jarros, flores e outros enfeites.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

COMENTÁRIOS ao livro CONTOS E CRÔNICAS DE UM PINHEIRENSE de AYMORÉ DE CASTRO ALVIM

Moema de Castro Alvim *
Aymoré, por vocação e destino, encaminhou-se para a Medicina e para a docência, tornando-se professor de Parasitologia Médica, na Universidade Federal do Maranhão. Dedicou-se, também, à pesquisa por entender, desde cedo, que essa atividade é inerente às próprias funções, sendo imprescindível para a produção de conhecimentos novos e formação científica dos alunos.
Dedicou-se com sucesso à burocracia, tendo sido Chefe do Departamento de Patologia, Chefe de Gabinete no Reitorado do Prof. Aldy Mello, Pró-Reitor de Graduação, além de ter participado de todos os Conselhos Superiores da Universidade. Um dos idealizadores da Fundação Sousândrade, participa ativamente no Conselho Curador dessa entidade.
No cumprimento dessas tarefas, produziu, ainda, dezenas de trabalhos publicados em periódicos especializados e apresentados em conclaves da área.
Após consolidar a sua carreira universitária, voltou-se para a literatura, um dos vieses do seu talento versátil extravasado na juventude, através de sonetos românticos e acrósticos. Fora a colheita da mocidade. No jornal “Cidade de Pinheiro”e no Jornal Pequeno, Aymoré passou a publicar artigos de cunho médico, histórico de interesse atual, às vezes polêmicos e controversos, como aborto, células-tronco, teorias sobre a origem do Universo, além de crônicas, abordando os usos e costumes dos moradores de Pinheiro, nos primeiros decênios de sua autonomia como vila e, mais tarde, como cidade a partir de 1920. Alguns dos seus trabalhos são, também, publicados na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do qual é membro efetivo. Há dois anos fundou a Sociedade Maranhense de História da Medicina que congrega médicos interessados nesse domínio, tendo já realizado o 1@ Congresso aqui em São Luís.
Atualmente, através de meios virtuais (blog, site, Facebook) divulga poesias da fase madura, as quais provavelmente serão publicadas em livro.
Entretanto, o ponto culminante da sua trajetória literária deu-se em 2006 ao publicar Pinheiro em foco, revelando o conteúdo de documentos, até então inéditos, sobre a criação do município de Pinheiro, coletados através de uma meticulosa investigação em fontes primárias mantidas no Arquivo Público, assim como a administração da Vila desde a sua emancipação até o fim da República Velha.
Agora Aymoré traz a lume, enfeixadas em livro reminiscências da sua meninice passada inteiramente em Pinheiro. São flashes de episódios ocorridos nessa cidade, geralmente pitorescos, aos quais o autor conferiu o odor de sua nostalgia e o colorido da sua saudade, dando-lhe o ritmo necessário para tornar a leitura prazerosa.
Alguns episódios chegam a comover-nos, refletindo a pureza e ingenuidade dos seus protagonistas. Outros provocam hilaridade pelo inusitado das situações, mas, nesses casos, Aymoré usa nomes fictícios, principalmente dos personagens já falecidos, para evitar constrangimentos dos parentes.
Todos esses fatos, sem uma sequência conológica rígida, resgatam brumas pretéritas das distantes décadas de 1940-50, revelando costumes vigentes na pacata e agradável Pinheiro daquele tempo, num enorme contraste com a cidade atual, estranha e violenta, com suas ruas congestionadas por um trânsito caótico e barulhento. É como se a cidade houvesse perdido a sua alma em troca de uma modernização equivocada, confundida como progresso, evidenciada pelo crescimento desorganizado que se expandiu para além de sua capacidade física e ambiental, destruindo e invadindo seus campos, poluindo as águas da tão encantadora Faveira.
Em quase todos os episódios, Aymoré como porta-voz de uma feição romântica saudosista, procura salvar o que ainda resta de uma cidade que, infelizmente hoje, só existe em nossas lembranças.
Esse amor incontido por Pinheiro reflete a inconformidade com as modificações atuais, com a destruição do seu patrimônio histórico, incapazes de conviver, harmoniosamente, com uma arquitetura humanizada que deu à cidade o título de Princesa da Baixada.
* Livreira e Membro Fundador da APLAC

SOBRE O LIVRO “CRÔNICAS E CONTOS DE UM PINHEIRENSE” DE AYMORÉ DE CASTRO ALVIM


Depois de um jejum de quase dois anos a Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências (APLAC) tem a satisfação de lançar o segundo livro do nosso confrade Aymoré de Castro Alvim, que nele enfeixou crônicas inéditas e alguns contos ambientados na nossa inesquecível cidade de Pinheiro.
Para não fugir do viés histórico, o autor traz a lume informações sobre as marchas e contramarchas com que alguns dos nossos próceres se depararam quando da emancipação do emergente povoado, atrelado à comarca de Guimarães e das demandas para conseguirem a autonomia como vila, assim como a posse da terra imprescindível para a formação do município, uma vez que o mesmo se encontrava assentado sobre sesmaria doada a índios, em 1806. As gerações atuais, certamente desconhecem esses fatos, pois desinformadas desde o ensino fundamental e alienadas pelo mito da linhagem nobre do fundador e da origem dos primeiros povoadores, convenceram-se serem detentores dos mesmos privilégios e regalias dos alcantarenses e dos vimarenses, confirmando a assertiva de Jean Cocteau a história é a verdade deformada; a lenda é a falsidade que se encarna.
As dificuldades, no entanto foram imensas e as lutas travadas, mesquinhas, tensas e demoradas, de 1838 até 1888, perfazendo cinqüenta anos.
A história, porém não é feita somente de fatos históricos, também de informações, à primeira vista destituídas de importância, mas que representam o cotidiano, as coisas prosaicas daquela gente vinda de todas as regiões circunvizinhas, atraída pelo lago piscoso da Faveira; pelo encanto dos seus verdes campos inundáveis balizados pelos oiteiros do Finca (Santana) e o de São Carlos; pela beleza dos seus babaçuais; pelo clima ameno e agradável; pela fertilidade do seu solo propício ao cultivo de mandioca, arroz e algodão ou pela premonição da grandeza do seu futuro, através da trajetória de um dos seus filhos que viria a ser mandatário do Estado (1965), do País (1985), projetando Pinheiro a nível nacional. Ou simplesmente pela certeza dos nossos ancestrais que garantiram a sua perpetuação, para que nós, seus descendentes, pudéssemos estar hoje aqui reunidos!
Aymoré, através dos seus textos, num estilo leve e envolvente, revela usos e costumes dos moradores entre as décadas de 1950-60, suas crenças, superstições, seus mitos, seu linguajar e até seus pequenos vícios e cacoetes e as tarefas miúdas que lhes possibilitava a sua sobrevivência.
No mais são historietas que têm como personagem central o nosso pai, José Paulo Alvim, falecido há sessenta anos, mas que ainda é o referencial que serviu de paradigma para definir e orientar nossas vidas. Aymoré optou por um tom brejeiro, pela graça, às vezes sutilmente marota, captando o humor fino e espirituoso com que papai se dirigia aos seus fregueses-amigos, ensinando-lhes através de metáforas, para não ferir-lhes a suscetibilidade, rudimentos antropológicos que lhes tornassem menos sofridas as agruras do seu dia-a-dia. Esse foi o tributo de suor, lágrimas e às vezes sangue imposto aos nossos antepassados, para permitir e assegurar-nos a posse da terra, possibilitando-nos uma vida mais tranquila, sem grandes atropelos e sacrifícios.
Confinado na farmácia, quando não estava na escola ou preparando tarefas escolares, Aymoré, geralmente de castigo por alguma traquinagem ajudava na arrumação dos frascos de medicamentos nas estantes, empacotando ervas medicinais que eram vendidas a retalho, não perdendo um só dos diálogos mantidos por papai com os seus caboclos, como carinhosamente ele tratava os fregueses do interior, quando vinham pedir-lhes um conselho para os seus problemas pessoais, um lenitivo para seus males físicos.
Atento, orelhas em pé, ouvidos aguçados Aymoré não perdia uma só palavra e depois de mais de sessenta anos ele resgata das brumas do olvido o teor daquelas consultas ipsi litteris e as recomendações de papai, principalmente a dieta à base de galinha, para suprir o déficit protéico, causado pelas constantes verminoses e o repouso necessário ao corpo cansado, proibindo-os de olhar mato verde.
Esse era Seu ZéAlvim, grande figura que soube em terra estranha superar as dificuldades iniciais e vencer preconceitos, tornando-se tão autenticamente nativo como se houvera ali nascido, sábio em seu saber de experiência feito, conhecedor das misérias humanas, físicas, materiais e morais, aconselhando, orientando e cuidando daquela gente que aprendeu a amá-lo e a respeitá-lo e a quem ele se afeiçoou. Nós, os seus filhos, o reverenciamos até hoje.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

MEUS PRIMEIROS CEM ANOS

José Márcio Soares Leite *

No dia 21 de janeiro deste ano tive a felicidade de participar do aniversário natalício da senhora Inês de Castro Loureiro, que completou 100 anos, cercada pelo carinho dos filhos e amigos que ali se fizeram presentes, regozijando-se em vê-la lúcida, loquaz e a manter com todos uma boa prosa, bem ao estilo de sua verve.
Ao nos despedirmos, mais uma grata surpresa, fui presenteado pela anfitriã com um exemplar de sua obra “Meus primeiros Cem Anos ”que, segundo relato da filha Moema, foi todo escrito a partir da narrativa de dona Inês.
Confesso que logo ao chegar em casa, não resisti à curiosidade e comecei a deleitar-me com tão preciosas páginas, a narrar fatos de sua vida pessoal e principalmente, acontecimentos importantes da história de Pinheiro no século XX, sob os pontos de vista sociais, médicos, econômicos, religiosos, políticos, culturais e educacionais, com riqueza de detalhes, haja vista ter sido protagonista de muitos deles. Uma narração simples, bem ao seu estilo, mas de leitura prazerosa, que desperta o interesse de conhecer e até mesmo de entender importantes passagens históricas sobre o cotidiano daquela cidade, sua gente, seus costumes, seu desenvolvimento e crescimento econômico, cenários esses que eram desconhecidos por mim e creio, por muitos pinheirenses.
Um livro que, sem dúvida alguma, vai somar-se a mais uma descrição histórica da nossa Cidade de Pinheiro, completando e até acrescentando algumas vezes, o que está escrito nas obras Quadros da Vida Pinheirense, de Jerônimo Viveiros, Pinheiro em foco de Aymoré de Castro Alvim, Coisas de Antanho de Josias Peixoto de Abreu, Lugar das Águas de José Jorge Leite Soares e A Saga de um Lutador, do Parnaiba ao Pericumã, por mim escrito, sobre a biografia do meu pai Orlando Leite.
Inês revela-nos, por exemplo, importantes acontecimentos da história da saúde pública de Pinheiro, muitos dos quais gravitaram em torno da Farmácia da Paz, de propriedade de seu primeiro marido José Paulo Alvim, homem de inteligência brilhante, e que por muitos anos cuidou da saúde da população até que a cidade viesse a ter seu primeiro médico.
É importante destacar também que, mesmo talvez não sendo essa sua pretensão, a obre termina por revelar-nos, no campo da sociologia, como se processava a vida cotidiana da cidade, os tipos humanos que formavam a sociedade pinheirense do século XX, cuja convivência e congraçamento eram característicos de uma única e grande família, à exceção de alguma situação política pontual.
Por último, a autora nos dá uma dica sobre o que devemos fazer para alcançar uma idade tão longeva, a saber: Viver, viver e viver. O primeiro viver – olhar a vida sempre com otimismo. Ao levantar-se sentir o sol invadindo a alma, fortificando o espírito; o segundo viver – preparar o corpo para as lides diárias e para o futuro; o terceiro viver – manter-se atualizado com o mundo à sua volta. Leia muito sempre.
Esta lição de dona Inês fez-me recordar a obra Regimen Sanitatis Salernitatum (O Regimento da Saúde de Salerno escrito provavelmente no século XII, e publicado na Inglaterra, na Itália e na Alemanha no século XIX. Escrito em versos, que bem ilustram este clássico de educação em saúde: “Por estas linhas a Escola de Salerno deseja toda saúde ao Rei dos ingleses e aconselha: A mente, mantenha-se livre, e, da ira o coração. Não beba muito vinho, ceie pouco, levante cedo. Depois de comer, ficar sentado causa danos. Depois do almoço, mantenha aberto seus olhos. Quando sentir as necessidades da natureza, não as retenha, pois é muito perigoso. E use ainda três médicos, primeiro o doutor descanso, depois o doutor alegria e o doutor dieta.”
Ao finalizar este artigo não vislumbro algo mais significativo para homenagear Inês de Castro Loureiro pelos bem vividos 100 anos, do que este trecho de um poema do seu segundo marido, o poeta e acadêmico Abílio da Silva Loureiro: “Tens no rosto, Inez a luz divina. Nos olhos, os raios típicos da alvorada. Beleza escultural da minha alma. Do meu vergel és rosa que ilumina...”
* Professor Doutor em Ciências da Saúde. Presidente da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências (APLAC).

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

DE MOEMA PARA ORZINETE


Amigos,
           Estamos aqui reunidos para festejar mais um ano de vida dessa pessoa especial e muito querida por todos nós – ORZINETE.
            Farmacêutica por profissão, vocacionada para o magistério, Orzinete foi ao longo de mais de vinte e cinco anos professora de Biologia, repassando para os seus alunos todo o conhecimento que adquiriu de seus mestres durante a sua vida acadêmica, enquanto aprendia com seus alunos tudo o que lhes ensinava.
             Inteligente, esforçada, determinada, sacrificou muitas noites na elaboração de roteiros, esquemas, planos de aula, material áudio-visual, mapas, gráficos, projetos, resumos de suas pesquisas para apresentá-los em congressos, adquirindo, dessa forma, um lastro de experiências que pavimentaram o caminho que ora percorre: a pesquisa aplicada à Saúde Pública.
             Durante quatro anos trabalhamos lado a lado no Laboratório de Entomologia do Departamento de Patologia da Universidade Federal do Maranhão, cumprindo compromisso assumido pela Secretaria Estadual de Saúde, arrolada como co-participante do Programa Interinstitucional de Pesquisa das Doenças Endêmicas do Maranhão. Também faziam parte a UFMA, através dos seus professores-pesquisadores, a então SUCAM que lhe dava o apoio logístico, o CNPq que concedia bolsas de Iniciação Científica que contemplava os acadêmicos engajados nos projetos e, finalmente a FINEP com o suporte financeiro, o que possibilitou a aquisição dos equipamentos essenciais e imprescindíveis para a realização das pesquisas. As doenças estudadas foram: Esquistossomose, Malária e as Leishmanioses.
                 Deixo aqui consignado que a participação de Orzinete foi fundamental para o êxito do nosso projeto Levantamento da fauna flebotomínica da Ilha de São Luis.
                  Outrossim, quero registrar que não foi fácil obtermos a sua liberação. A direção do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) não queria prescindir dos seus serviços já tendo, inclusive um projeto para implantação de um laboratório de diagnóstico do vírus HIV, o qual seria dirigido por ela. Tive que apelar para instâncias superiores da UFMA para conseguir a sua valiosa colaboração. Corria o ano de 1986 e a competência de Orzinete já era reconhecida.
                   Hoje está mais do que patenteado que o IOC perdeu uma bioquímica, porém a Saúde Pública ganhou uma epidemiologista com sólido embasamento no ensino e na pesquisa.
                   A sua ida para a FUNASA propiciou-lhe a oportunidade de ir mais longe no plano das experiências vividas.
                    Dinâmica, inventiva, com compulsão em recriar velhas técnicas para obter resultados novos, a partir de métodos conhecidos e por ela exaustivamente testados e repetidos, Orzinete se superou, tornando-se polivalente tanto na Malacologia como na Entomologia.
                   A sua motivação básica está ligada à determinação de suplantar obstáculos, à sua intuição perspicaz, ao prazer de doar o seu tempo e os seus conhecimentos, generosamente, sem pensar em compensações pecuniárias ou em si mesma.
                    Íntegra, leal, confiável, responsável no cargo que ocupa, esforça-se com entusiasmo, num moto-contínuo, para justificar a confiança depositada pelos seus superiores. Orzinete não se contenta com as suas realizações, procurando estar sempre a par das inovações técnicas de diagnóstico no seu campo de atuação. Perfeccionista, faz cursos de especialização, atualização, aperfeiçoamento, participa de treinamentos, encontros, congressos, seminários, jornadas, dentro e fora do Estado, representando sempre com distinção a Instituição para qual presta serviços.
                      Orgulhosa do seu trabalho, porém modesta, discreta, solícita, amável com todos, Orzinete conquista amigos por onde passa: Colégio dos Irmãos Maristas, Liceu Maranhense, Instituto Oswaldo Cruz – Ma e agora na FUNASA.
                   Influenciada pelos eflúvios do sol, nasceu sob um dos signos mais fortes – LEÃO -, regido pelo astro-rei que leva os leoninos a brilhar em suas carreiras ou em quaisquer ramos de atividades a que se dedicam. Portanto, independente da vertente a que se destinou, Orzinete está fadada ao sucesso: filha exemplar, mãe extremosa de Gregório, profissional dedicada, não se permitindo um tempo só seu para o descanso e o lazer. Foi aluna disciplinada, interessada e, no começo de suas atividades como pesquisadora, não se deixou abater diante das vicissitudes da vida e dos percalços inerentes à condição humana.
                     Seus conflitos foram sempre ocultos sob uma aparência dinâmica e extremamente calma, nunca permitindo que atrapalhassem as suas atividades. Atrás dessa calma, no entanto, há uma mulher capaz de grandes lutas, uma batalhadora valorosa, uma desafiadora de obstáculos, pois esses pequenos entraves deram-lhe o impulso necessário para transformar os desafios em duelos. E ela foi à luta, conciliando o papel de mãe e de pesquisadora.
                     Orzinete é uma pessoa da qual nos orgulhamos de tê-la como amiga; é um privilégio fazer parte do seu círculo de amizade e ainda mais ser escolhida para madrinha do seu precioso Gregório.
                      A ligação das pedras preciosas com a personalidade dos indivíduos remonta a tempos imemoriais e é calculada pela data de nascimento e influência do Zodíaco. Cada signo recebe uma ou mais pedras preciosas como símbolo e ponto de referência.
                      O signo de LEÃO corresponde ao sol que por sua vez está associado ao rubi e ao topázio. O rubi simboliza a energia criadora do sol, ligada à distribuição da justiça, enquanto o dourado glorioso do topázio simboliza o sol, do qual Orzinete e todos os leoninos retiram a sua energia, realeza e liderança. É também a pedra que simboliza a FARMÁCIA, ao lado do cálice envolvido pela víbora, talvez porque o topázio é representativo da perfeição e do poder. Também caracteriza uma motivação investigadora que leva à busca do conhecimento e da sabedoria. Os antigos diziam que era o princípio que animava a vida. Os chineses achavam que representava a nobreza. A tradição cristã fez dele o símbolo da justiça, da temperança, da clemência, do amor divino, do amor verdadeiro, e da amizade.
                       Por seus atributos excepcionais, por sua trajetória de vida impoluta e por sua postura digna, correta, corajosa e generosa, passo às mão de Orzinete este talismã para protegê-la e mantê-la sempre íntegra e bem sucedida: é um topázio, símbolo de sua formação em Farmácia e do seu signo Leão, troféu a que faz jus pelos excelentes serviços prestados à Educação e à Saúde Pública do Maranhão.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

De Marita para Inez

Querida Inez.

Que pena a vida ter nos separado fisicamente. Eu perdí, asseguro-te. Sabes por que? Lembro-me com imensas saudades das nossas conversas de fins de tarde, em Pinheiro, sentadas à porta da Farmácia da Paz, onde, de minuto em minuto, levantavas para atender um cliente que chegava.
Contavas para mim histórias muito engraçadas que sabia pela tua amizade com a madrinha Carmen, minha mãe. Tomei conhecimento maior sobre a cidade de Pinheiro da primeira metade do século XX através das tuas narrativas, Inez. Tu me falavas das ruas e das casas, das famílias e das autoridades; das festas religiosas e dos cantos no coro da Matriz; dos bailes especiais e dos teatros; das moças bonitas e elegantes e daquelas que se vestiam de maneira destacada; dos amores e dos casamentos. Contavas como a população viajava para a capital a bordo das embarcações de belos nomes, cujos nomes me enlevavam como: Cisne Negro, Hércules e Dunquerque, que bonito! Também discorrias sobre as tragédias como a explosão da Usina Providência, quando perdeste o noivo, uma das vítimas do incêndio. Falaste-me do naufrágio do Hércules (e eu imaginava um barco gigantesco e forte) que soçobrou (parece-me) à noite por ter-se chocado com a temida pedra do Itacolomy, o terror dos barqueiros que navegavam na Baia de Cumã.
Se alguma coisa aqui está errada desculpa a minha memória que nada representa perto da tua. Esta é uma pequenina prova de todos estes fatos, relatados a mim, por ti, amiga, com uma grande riqueza de detalhes.
...E assim eu me deleitava diante do formidável Livro de Histórias Pinheirenses, que eu tinha ao meu dispor.
Inez,
Que dizer de ti, para ti?
Uma mulher bonita, filha, irmã, esposa, mãe e amiga excepcional! Uma mulher onde a vaidade ganha uma característica diferenciada, porque nunca está ausente. É necessário enumerarmos teus impecáveis vestidos de seda, de linho ou de outros tecidos especiais; a maioria das vezes estampados em cores vibrantes; de muito bom gosto; de modelos que refletiam os últimos ditames da moda; bem ajustados ao corpo, outra característica digna de destaque.
Inez, sempre tiveste um corpo que valorizava tudo o que usavas. Um corpo sem excessos, pelo contrário, um corpo adequado para a tua estatura: quadris coerentes com todas as medidas, pernas bonitinhas, busto normal e cintura bem marcada.
Os cabelos estavam constantemente cortados (presume-se) porque nunca os vimos compridos ou curtos demais, e emolduravam o rosto sempre na mesma medida. Nunca eu te vi se penteando diferente, especial. O jeito simples como te penteias está em perfeito acordo com a tua personalidade. Hoje, alguns anos depois desse nosso convívio mais próximo, acho que continuas a
mesma. Escolhes as roupa que queres vestir. As cores que te agradam. E tens a sagacidade de dizeres não a qualquer modelo de butique afamada, que compram pra ti, mas que na realidade não achas que está de acordo com a tua maneira de ser.
Relembrando mais uma vez os tempos de Pinheiro, bem cedo, ao acordares, ias comprar, ao teu gosto, o tipo que conhecemos e aprendemos a gostar: a Inez bem vestida,(cores alegres), bem calçada, sempre de sapatos de saltinhos fechados e discretos. Compondo esse perfil, mas se destacando de quase todas as senhoras da cidade, haviam os acessórios: colares, brincos, anéis e pulseiras. Mas não eram acessórios do século XXI – bijuterias –Eram jóias valiosas, lindas e ...barulhentas.
Sim, as belas e barulhentas pulseiras que deram a Inez um ar especial. Não pensem que digo como crítica. Falo como admiradora e adepta inconteste das pulseiras que brilham, que falam, que emitem sons, que fazem barulho.
Também gosto de usá-las. Será que aprendi contigo essa particularidade? Mas devo esclarecer uma coisa, minhas pulseiras são jóias do século XXI.
Enfim, querida amiga, o sorriso sempre a iluminar o teu rosto porque a alegria de viver sempre foi uma característica marcante em tua vida...
E esses teus olhos marotos e inquietos nos dão, constantemente, a certeza de que estamos diante de uma pessoa inteligente; que estamos diante de uma pessoa de memória mais prodigiosa que conheço; que estamos diante de um monumento de mulher – Inez de Castro.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013


 INEZ CASTRO

O Centenário de Inez Castro, neste 21 de janeiro, é uma data na História de Pinheiro.
Durante os 200 anos de sua existência, como vila e Município, mais da metade foi vivido por Inez, que presenciou e vivenciou todas as vicissitudes da nossa cidade, sendo testemunha dos acontecimentos, das alegrias e tristezas que viveu o povo de nossa terra durante esse século.
Inez é uma figura marcante, um monumento da cidade, com suas lembranças, sua  história e seu trabalho, desde quando mocinha até os dias  atuais, comunicando a sua bondade, a sua inteligência e a beleza da família que construiu a Farmácia da Paz, com o legendário José Alvim, a mais antiga do Estado, que tem em Inez uma memória viva do que foi a saúde municipal ao longo de todos esses anos.
Portanto, a comemoração do Centenário de Inez não pertence à família Castro, mas a todos nós, pinheirenses, que temos em Inez um ícone representativo da mulher da Baixada e de suas virtudes.
Parabéns a  todos os filhos, netos, bisnetos, genros e noras pela data festiva!
                      Mil anos de vida e um século de abraços!
                                                                            José Sarney