MOEMA

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PAPIRUS DO EGITO

sábado, 15 de fevereiro de 2014

OLHA A MANGABA!

Não conheço essa fruta a não ser de nome. Pertence à Família das Apocináceas, a mesma do  velame branco, da alamanda, da tiborna e guatambu. Cientificamente é conhecida  pela nomenclatura Hancoma speciosa e vulgarmente chamada mangaba-ovo. Mangaba se origina do tupi e significa “coisa boa para comer.”
Árvore rústica,  de clima tropical, típica do bioma Caatinga,  ocorre  no Cerrado, litoral do Nordeste. Nativa no Brasil, encontrada também no Paraguai e no Peru. No Brasil é encontrada  desde os tabuleiros costeiros e Baixada, litoral do Nordeste, vegetando espontaneamente. Também na Amazônia e no Pará, principalmente na Ilha de Marajó e na região do Salgado, alto e médio Tapajós,  Maranhão, Alagoas Bahia, Sergipe, Paraiba, Pernambuco e norte de Minas Gerais e São Paulo, onde cresce espontaneamente. Vem sendo cultivada na Zona da Mata Paraibana e do Rio Grande do Norte. Sergipe é o principal produtor, sendo a árvore-símbolo desse Estado, a partir de 20/1/1992, pelo Decreto-Lei  n2 12.723. Não obstante sofre ameaça de sobrevivência, para cortar os troncos na fabricação de caixotes e para lenha.

Hermafrodita frutifica entre 3 e 5 anos após o plantio. A copa é larga e arredondada forma uma sombra à época da florescência e frutificação. Tolera bem a seca e se desenvolve em solos ácidos e pobres em nutrientes. O tronco é tortuoso, com a casca rugosa e áspera. As flores são brancas e perfumadas e aparecem entre os meses de agosto e março, porém não é regra geral, pois a mangaba é encontrada praticamente durante  todo o ano. Os frutos  são pequenos, piriformes ou elipsoides,  com 6cm de comprimento, do tamanho de uma ameixa, muito aromáticos e delicados. São do tipo baga, casca de cor amarelado ou esverdeado com ou sem manchas. Quando maduros adquirem  uma coloração amarelada com pigmentação vermelha. A polpa  é branca, cremosa e leitosa, suculenta  ligeiramente  viscosa e fibrosa com sabor acidulado, mas muito saborosa.  Pesam de  30 a 260g e  apresentam  no interior da polpa duas sementes achatadas e arredondadas.  A fruta completa o amadurecimento  no chão entre 12e 24 h. A safra ocorre em novembro e a colheita é feita geralmente no Dia de Finados.
                 
                                            VALOR ALIMENTÍCIO

Rica em  Vitamina C, possui elevados teores de vit. A, B1, B2. Proteínas fibras e minerais com ferro, cálcio e fósforo. Usado na Culinária  para a preparação de sucos, compotas, geleias, doce em calda, sorvetes, licores, vinhos, xarope e até vinagre.  Dizem que o bolo é delicioso. Geralmente consumida in natura, quando madura e guardada por uns dois dias para completar a sua maturação, sendo de fácil digestibilidade. São muito perecíveis, devendo ser consumidos tão logo completa a maturação. Se consumidas verdes causa intoxicação  e até morte. 100g da polpa fornecem 43 calorias.
                                                   
                                USO EM MEDICINA POPULAR

Vendidas  as  cascas da árvore, usadas no controle da diabetes, colesterol e como vasodilatador, na hipertensão. Também na icterícia e doenças do fígado e do baço. As folhas sob a forma de infusão  são usadas  em gripes, cálculos renais e cólicas menstruais.
     Do tronco e das folhas é extraído um látex – leite de mangaba – com propriedades medicinais, usado no tratamento da tuberculose e na cicatrização de úlceras e da herpis.  O látex também é usado para fazer borracha de cor rosada.
Na II Guerra Mundial  fora empregada na fabricação de artefatos de borracha.

                                      IMPORTÂNCIA ECONÔMICA

Em muitos povoados do Nordeste, principalmente de Sergipe dá um grande incremento  na renda familiar de milhares de família que se organizam em cooperativas.  São as catadoras de Mangaba que conferiu o prêmio Sebrae de Jornalismo, na Rádio Liberdade de Aracaju à jornalista Juliana Almeida.
Infelizmente a especulação imobiliária, principalmente para construção de hotéis e resorts tem causado grande devastação nas áreas de restingas, ecossistema incrível  onde são encontrados milhares de pés.
                                  
                                         CURIOSIDADES

Pela grande abundância dessa árvore, vários logradouros usam seu nome pelo Brasil afora. No Ceará há um município com o nome de Lavras de Mangabeira, situada em área de cerrado,  em ecótopo com vegetação caducifólia.
Em Belo Horizonte é famoso o Parque das Mangabeiras.
A atriz Ellen Rocha, uma das protagonistas da novela Sangue bom foi cognominada Mulher-Mangaba.
Na MPB é muito conhecida a música Mangaba doce. No Ceará há um personagem querido das populações rurais – O véio mangaba, - suas pastoras e bandas, pastoril criado por Walmir  Chagas.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

VOCÊ QUER INGÁ? INGA TAÍ!

O Brasil possui  uma das mais diversificadas coberturas florísticas da Terra, principalmente a Região Amazônica. Segundo alguns  estudiosos” as grandes variações botânicas se devem à inclinação dos raios Gama, que atuando nos genes ou fator e no DNA, faz com que o ritmo das mutações seja proporcional à quantidade de irradiação Gama e da inclinação deste raio solar. Na Hileia Amazônica como os raios caem com a perpendicularidade nula (0@), os mesmos penetram , com maior profundidade, no núcleo das células dos, vegetais, aumentando as mutações e, consequentemente, as variações fitogeográficas”.
Desde a descoberta do Brasil e por todo o Período Colonial, principalmente entre os séculos XVI e XVII,  o extrativismo  das nossas matas e florestas acabou sendo a maior atividade econômica, nos primeiros anos com o corte do pau-brasil e outras madeiras nobres, como pela busca das chamadas drogas do sertão, em substituição às especiarias das Índias que estavam se esgotando: salsaparrilha, cacau, baunilha, guaraná, castanha do Pará, óleo de copaíba, urucu, anil, canela, gergelim, puxuri, noz moscada, quina e muitas outras, inicialmente feitas pelas missões jesuíticas que aproveitavam a mão-de-obra indígena disponível. Mais tarde pela ação dos invasores holandeses, ingleses e espanhóis, despertando o interesse da Metrópole e a cobiça dos Capitães-Generais do Estado do Maranhão e Grão-Pará, ao constatar que esses recursos naturais podiam ser comercializados na Europa, por preços elevados, enriquecendo-os mais rapidamente. Para atingir seus objetivos a Coroa , transferiu o eixo político e econômico de São Luis para Belém, porta de entrada da Região Amazônica.
E assim começou a derrubada das matas, depois das seringueiras, estas a partir do século XIX, sem que houvesse a menor preocupação em recuperar essas áreas desmatadas, causando um grande impacto ambiental.
Além da Amazônia que continua no processo do desmatamento indiscriminado para  implantar a atividades agropastoris,  praticamente toda Mata Atlântica foi devastada.
O reflorestamento só passou a preocupar, a partir de uma tomada de consciência sobre as consequência que essas agressões estavam fazendo ao  meio ambiento, com o  consequente  esgotamento de suas riquezas naturais. A partir daí começou o plantio de Pinus e eucalipto  para a obtenção da celulose, de carvão vegetal,  construção civil e movelaria.
Além dessas regiões mencionadas, o bioma Cerrados vem sendo implacavelmente degradado ,no Planalto Central,  há mais de cinquenta anos, desde a construção de Brasília e cidades satélites, a abertura de estradas, principalmente a Belém-Brasília. O Pantanal Mato-grossense  encontra-se bastante descaracterizado pela implantação de  fazendas de gado, assim como para o cultivo de grãos, como a soja, o mesmo se dizendo do sul do Estado do Maranhão. Infelizmente tudo  isso é feito em nome do progresso sem que se exija dos responsáveis por esses crimes ecológicos  a obrigatoriedade de restaurar a cobertura vegetal  dessas áreas.
Atualmente em nome da sustentabilidade, experiência  adotada nos últimos 25 anos, estão sendo praticadas associações  entre vegetais, cultivando café e cacau e até flores,  à sombra de grandes árvores, sem necessidade de derrubá-las. Também priorizando projetos de caráter estruturante que precisam  ser sustentáveis, ou seja,  permitir que as populações dessas áreas  sejam os protagonistas das transformações, usando os conhecimentos adquiridos para gerar renda e acessar seus direitos de forma contínua. O objetivo é  incentivar a agricultura, a produção auto-sustentável e a proteção ambiental nas áreas mais pobres, para não comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro.
Um dos vegetais  usados para recuperar áreas degradadas é a ingazeira. Nativa da Amazônia, pertence ao gênero Inga, da família das Fabáceas. Ocorre em outros ecossistemas florestais  do Amazonas até o Paraná, sendo exclusivamente neotropical. Também designa os frutos da árvore que contém sementes envolvidas por um arilo ou polpa branca e comestível Seu nome deriva do tupi in-ga e significa embebido, empapado, ensopado.


Na adolescência  passada totalmente na cidade de Pinhero costumávamos ir nos fins de semana na Ilha de Ventura para apanhá-las no sítio do sr. Palmério Martins. Hoje a ilha faz parte do núcleo urbano, pelo aterramento de parte do campo.
Encontrada em matas ciliares, geralmente nas margens de rios e lagos, quando caem servem de alimento para peixes . Produz cerca de 20 anos.
São conhecidas cerca de 300 espécies que se distribuem  no México, Antilhas  e toda a América do Sul. A espécie mais comum entre nós é a Inga vera. A  ingazeira chega a alcançar 15 m de altura, raíz  pivotante  além de numerosas secundárias e se desenvolve em solos arenosos, sendo procurada pelo homem e animais, pássaros como periquitos e papagaios; abelhas, macacos  e roedores. O tronco atinge 5 a 10m de altura com 20 a 30cm de diâmetro . A copa é  ampla, aberta, ramificada com folhas  com textura papirácea,  compostas, paripinadas, raque foliar e com nectários foliares entre cada folíolos e sarcotesta  envolvendo as sementes. A florescência é terminal ou subterminal, nas axilas das folhas com os ramos. As flores são andróginas, perfumadas, coloração branco-esverdeado, protegidas por  5 brácteas  que  formam um cálice inteiro de forma tubular com corola de cor amarela e revestida de finos pelos; a floração se dá mais de uma vez por ano, isto é,  a ingazeira frutifica praticamente todo o ano. Os frutos são lineares, alongados, do tipo vagem, variando o comprimento de 10 a 30 cm, cor amarelo claro, facilmente descascada, arilo flocoso, semelhante a algodão doce, envolvendo sementes verdes.  A polpa, arilo ou sarcotesta é levemente fibrosa e adocicada,  sendo consumida in natura.
A espécie Inga  edulis ou ingá de metro, tem a fava mais dura e quando aberta uma polpa branca, macia, flocosa, consistência macia, sabor adocicado  recobre grandes caroços pretos luzidios. A ingá-cipó não é nativa da Amazônia, porém vem sendo encontrada atualmente. Suas vagens grandes atingem  1 m de comprimento, meio espiralada.

                                   VALOR  ALIMENTÍCIO

Rica em sais minerais, açúcares, fibras, proteínas e umidade não é fruta cultivada, nem explorada comercialmente. É fruta de passatempo.

                              USO NA MEDICINA CASEIRA

Sob a forma de xarope usada para bronquite e cicatrizante com o chá obtido das folhas. Também tem propriedades anti-artrites, anti-reumáticas, dores reumáticas, disenterias, problemas intestinais, diarreias, dores de cabeça.

                                      OUTROS USOS

Excelente em projetos de paisagismo não só em parques, praças e avenidas mas para arborização de calçadas estreitas; melíferas atraem pássaros e abelhas.Apresenta porte médio e crescimento rápido. Também para recuperação de áreas degradadas, principalmente matas ciliares.
A madeira é leve, macia, medianamente resistente e de baixa durabilidade, usada para fabricar brinquedos, lápis e caixotaria, lenha, carvão. As cascas são usadas em tinturaria e curtumes.

                                                   FOLCLORE

É muito conhecida no município de Ingazeira, em Pernambuco esta toada cantada por capoeiristas: O ingá da ingazeira/Ingazeira o ingá/Oioi, oioi ingazeira o ingá. Vou cantando a capoeira, ingazeira o ingá. Essa fruta é brasileira/ ingazeira o ingá. Do folclore popular, ingazeira o ingá. Se você quiser me ver, bote seu navio no mar/ ingazeira o ingá.
Também é muito conhecida a música Maringá de autoria do compositor e médico paranaense Joubert Gontijo de Carvalho, corruptela de Maria de Ingá, de grande sucesso até os dias atuais:
“...Maringá, Maringá, depois que tu partiste, tudo aqui ficou mais triste que eu garrei a maginá....Foi  numa leva que a cabocla Maringá, ficou sendo  a retirante que mais dava o que falar. Maringá, Maringá, volta aqui pro meu sertão/ pra de novo o coração do caboclo assossegar...”

domingo, 2 de fevereiro de 2014

EM TERRA DE PEQUI NÃO EXISTE CABRA FROUXO NEM MULHER QUE NUNCA PARIU

Até alguns anos atrás eu nunca havia comido pequi: achava o cheiro enjoativo e o aspecto não muito convidativo. Entretanto crescí vendo as pessoas consumindo-os,  cozidos ou misturados com arroz ou galinha, em Pinheiro, provenientes da Chapada. Já casada e aposentada, morando em sítio, fui induzida, pelo marido a experimentá-los, quando ele trazia do povoado Pequizeiro, em Bequimão. E não é que gostei? Pequenos e magros ou grandes e carnudos, comprávamos sempre na época da safra. Fui impedida de consumí-los, por recomendação do Dr. Armando Bogéa, meu cardiologista, pois as taxas de lipídios e triglicerídeos estavam na estratosfera. E assim terminou a minha ligação gastronômica com o pequí.
O pequizeiro ou Carycar brasiliense (família das Caryocaceas)  é nativo no cerrado brasileiro,  principalmente em  Goiás, onde são encontradas todas ase espécies e em  Minas Gerais, o segundo maior produtor; também no Tocantins,  Rondônia, Pará, Maranhão, Piauí, Bahia, Ceará, Bahia e nos cerrados de São Paulo e Paraná. Fora do Brasil é encontrado na   Bolívia. Seu nome deriva do tupi py-quiy e significa casca suja ou py (pele) qui (espinho).
O famoso botânico Auguste de Saint-Hilaire em sua viagem à Província de Goiás, e, 1819 faz referência esse fruto, como piqui.                 
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         Árvore de grande utilidade não é adequadamente cultivada e nem protegida  estando em certas regiões praticamente extinta, devido ao extrativismo  indiscriminado e ao desmatamento das áreas de vegetação nativa. Graças às técnicas de propagação desenvolvidas  por pesquisadores brasileiros, não só para o pequi como o araticum, caju, mangaba, guapeva e palmito de guariroba, renovaram-se as  esperanças de exploração sustentada do bioma, a partir da diversificação  das espécies de reconhecida importância e potencial econômico, num consórcio com a própria natureza, isto é, com outras plantas nativas.
O nosso descaso com árvores cujos frutos não são apreciados pelas elites, permitiu que o pequi  fosse patenteado pelo Japão,  batizado por CSL (Chemical Strengthemer  Layer).
Desde o século XIII o pequi começou a ser utilizado na culinária. Polpa macia, saborosa, sabor e aroma marcante e peculiar, pode ser conservada. Deve-se  comê-lo com as mãos  e somente a parte amarela, por causa dos espinhos que recobrem seus caroços e que podem causar  ferimentos sérios nas gengivas e no palato. Alguns biólogos afirmam que esses espinhos surgiram no processo evolutivo do pequi como proteção de sua amêndoa e se não fossem eles, provavelmente essa espécie estaria extinta. Além de cozido  com arroz e galinha é  também saboreado com peixes, carnes, leite, assim como para preparar doces, licores, sorvetes. Rico em óleos é utilizado para o fabrico de sabão, sendo excelente para fins terapêuticos na indústria de cosméticos, para pele e cabelos.
É uma árvore frondosa,  com 10m de altura, tronco e ramos grossos, aspecto tortuoso, casca rugosa e áspera com coloração castanho-acinzentado, heliófita, xerófita e semidecídua, ocorrendo em agrupamentos mais ou menos densos, tanto em formações primárias como secundárias e pioneiras.
     As folhas são verde-escuro, ásperas, ovais com 12cmX 6cm, bordas picotadas sinuosamente, prendendo-se no caule aos grupos de 3 em 3. Delas volatilizam essências  aromáticas e calmantes, dando um bem-estar físico e tranquilidade ao espírito, quando se repousa à sua sombra acolhedora. Cerca de doze espécies já foram descritas. Na região Amazônica atingem até 30m com 6 m de diâmetro, enquanto nas zonas áridas não passam de arbustos, cuja vantagem é facilitar a colheita. Nesse ecossistema de florestas  fluviais, encontra-se o pequiá – Caryocar vilosum, que difere do pequi pelos folíolos mais finos, ovados-oblongos, acuminados e sésseis. Frutos e madeira semelhantes. Encontra-se, também a pequirana da Amazônia à Bahia. Caryocar deriva do grego Caryon que significa núcleo ou noz.
As flores são grandes, amarelas ou branco-creme com estames longos e numerosos, desabrochando entre novembro e dezembro, frutificando de janeiro a abril. A frutificação demora 4 a 8 anos  e os frutos ocorrem entre janeiro e março. Os frutos tipo drupa, pesam de 100  300g, tem casca esverdeada, do tamanho de uma laranja média, polpa amarela, farinácea, oleosa,  com 1 a 4 caroços, através dos quais se faz o plantio. Um só pequizeiro produz 500 a 2000 frutos. A raiz é tóxica, possuindo  rotenona  e usada em pescaria para atordoar e mesmo matar peixes. Os agentes polinizadores são os morcegos.

                            VALOR  ALIMENTÍCIO
O início das chuvas no cerrado  transforma o bioma árido e seco em um misto de jardim e pomar.
O pequi é a estrela da culinária regional, fruto dourado motivo de festa e fartura para sertanejos, índios e brancos, assim como para roedores como ratos, preá, paca, capivara, anta e outros animais como o lobo-guará..
Rico em óleos insaturados, Vitaminas A, C , riboflavina, tiamina, Vit. E  e carotenoides; minerais como fósforo, magnésio, cálcio, ferro e cobre, além de açucares. A sua ingestão previne  o aparecimento de tumores, problemas cardiovasculares e a formação de radicais livres.
A polpa é separada dos caroços, por fervura, dela extraindo-se um óleo  comestível ou consumido numa mistura quente com leite, cravo, canela e açúcar. Contém 6% de proteínas, daí ser usado como restaurador de energia.
A castanha encontrada no interior dos caroços é também comestível.

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VALOR ECONÔMICO E USO NA MEDICINA POPULAR

A madeira é resistente, com boa durabilidade, usada na construção civil, fabricação de móveis, postes e em xilogravura.
Flores e frutos são usados na medicina popular para tratar gripes e resfriados, bronquite, O chá das folhas é excelente regulador menstrual e alivia as cólicas. Os frutos são também utilizados na indústria de cosméticos.
Das raízes extrai-se tanino usado  para curtir couros. Do tronco extrai-se um corante amarelo usado pelos artesãos locais.  As cinzas das cascas  são, também,   usadas em  tinturaria e para alimentar animais. Raspando-se a entrecasca   consegue-se o pó de pequi,  com propriedade urticante, provocando intensa coceira – é uma das maneiras de adquirir-se o famoso “pó de mico”.
Os pequizeiros são adequados para o paisagismo, tanto de grandes parques como de pequenos jardins.

                                     CURIOSIDADES

Comum num dos biomas  mais pobres do Brasil, o pequi é cercado de lendas e mitos. As músicas tocadas nessas regiões, assim como poemas, como o Velho Pequizeiro, segundo o dr. Hermes de Paula, louvam as propriedades alimentícias e curativas do pequi. Vários municípios do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e até de Minas Gerais são denominados Pequizeiro.
Famosos são os Festivais do Pequi  realizados em Tocantins e Montes Claros (MG), assim como o “ pequizeiro  de ouro” de Januária, debaixo do qual os romeiros deixavam guloseimas. Em Rio Pardo dizem que existe um pequizeiro de tamanho incomum.
Sobre as propriedades excitantes e afrodisíacas do pequi, D. Pedro II quando  foi conhecer a Cachoeira de Paulo Afonso, tendo como guia Manoel José Gomes  deixou um breve relato de que as mulheres emprenhavam com mais frequência na época da safra de pequí, pois é considerado restaurador da virilidade dos homens e dá vida às mulheres que tem filhos.
O mais famoso pequizeiro  está em Lagoa Santa, MG. , em cuja sombra jazem os restos mortais  do Dr. Peter Wilhelm Lund, sábio dinamarquês , considerado o Pai da Paleontologia  e que escolhera um grande pequizeiro para ler e descansar à sua sombra. Contam que o mesmo viera ao Brasil tratar-se de uma doença pulmonar, conseguindo a cura com o uso de pequi. Graças a ele não só o Brasil, mas praticamente todo o mundo soube de suas propriedades nutritivas e medicinais. Antes de falecer, em 1888 pediu que fosse enterrado  debaixo do “seu” pequizeiro.
Há uma lenda  indígena para explicar a origem do pequi, tendo como protagonista Tainá-racan, que ao perder seu filho Uadi, levado por Canaxiné, teria vertido muitas lágrimas no local onde havia ainda as marcas dos pés do seu filhinho. Nesse lugar nascera uma árvore copada de flores amarelas que deram frutos dourados como os cabelos do filho, de odor e sabor inesquecível,  sendo chamado Tamanó ou piqui, cujos caroços eram recobertos por espinhos  da dor do coração de sua mãe.
Há  outra lenda envolvendo escravos africanos, refugiados no último quilombo, dizimado pelo branco colonizador, resultando em grande carnificina, não poupando velhos nem crianças. Uma índia grávida conseguiu fugir, abrigando-se debaixo de uma grande árvore estéril, onde morreu. Com a decomposição do seu corpo  o solo tornou-se rico em minerais, provocando o aparecimento de flores amarelas com frutos  redondos e verdes. Quando partidos revelam uma polpa amarela em forma de embrião.

          

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

UMBUZEIRO, ÁRVORE SAGRADA DO SERTÃO


Essa assertiva é do grande escritor Euclides da Cunha, sociólogo, historiador ao  constatar o grande potencial dessa árvore, cujas  raízes são  armazenadora de água, capaz de assegurar a sobrevivência do homem e dos animais nos longos períodos de seca. Essa e outras  considerações sobre o umbuzeiro foram feitas pelo escritor em seu livro Os Sertões que relata a Guerra de Canudos.  Ainda  Euclides da Cunha: “Se não existisse o umbuzeiro, aquele trato do sertão, tão estéril que nele escasseiam os carnaubais, tão providencialmente dispersos nos que os convizinham até ao Ceará, estaria despovoado”. Essa propriedade desconhecida dos soldados foi usada como estratégia de resistência dos seguidores de Antônio Conselheiro. O umbuzeiro fora descrito mais tarde pelo escritor alagoano Graciliano Ramos, em seu livro autobiográfico  Infância. Também por J.N. Caminhoá  que o  considerara utilíssimo e por Saint-Hilaire (“O umbuzeiro floresce logo, e pouco depois cobre-se de saborosos frutos agridoces e odoríferos, de cuja polpa, misturada com leite, fazem alí uma deliciosa bebida, a umbuzada, que é tomada só, ou com a coalhada”).Gilberto Freyre faz referência em um de seus livros a um delicioso doce feito com umbus verdes.
A maior parte dos umbuzeiros do sertão tem mais de 100 anos. É uma pequena árvore com 7m de altura, tronco curto, copa esgalhada e densa em forma de guarda-chuva. O tronco apresenta sinais de atrofia, tortuoso, irregular e o crescimento é lento, porém espécimes mais antigos apresentam  1m de diâmetro. O tronco velho, cinza desprende-se em placas sub-retangulares, sendo substituídas por outras novas, lisas, avermelhadas internamente e recobertas por saponina. Por incisão obtem-se um exsudato transparente, resinoso, com odor de terebentina e  com sabor distinto.
Pertence à família das Anacardiáceas – Spondias tuberosa - própria da caatinga, de folhas penadas,  alternas, compostas, imparipinadas com 3 a 9 folíolos,  bordas inteiras, ovaladas ou elípticas acuminadas,  que formam uma folhagem que se expande até  15m de comprimento. As flores brancas, pequenas  e agrupadas em panículas com 10 a 15cm de comprimento com fascículos opostos, encerram  onze flores alvas,  com cinco pétalas e cinco sépalas em forma de taça. Essas flores de raro perfume tem o néctar que é retirado pelas abelhas que fabricam excelente mel. A abertura das flores se dá entre 0 às 4h, com pico às 2h
O nome umbu ou imbu deriva do tupi-guarani yumbu e significa árvore que dá de beber.  O fruto é pequeno, arredondado, com 3 a 4 cm de diâmetro, casca lisa de cor amarelo-esverdeado com 4 a 5 protuberâncias ou com pequenos pelos que lhe confere uma textura aveludada. Tem odor e sabor agradáveis; sua polpa é branca, esverdeada, mole, suculenta,   com sabor azedinho, com um único caroço no centro.
Suas raízes  são fasciculadas, podendo atingir até 1m de profundidade, desdobrando-se horizontalmente no solo, expandindo-se em tubérculos ocos  repletos de seiva, cujo tamanho varia de um punho à cabeça de criança, em forma de batatas, sendo grandes reservatórios de água.  Esses órgãos armazenadores  são chamados xilopódios e são estruturas intumescidas, consistentes, esponjosas, arredondadas, formando tecido lacunoso, celulósico e cheio de água. Às vezes chegam a medir 50 cm de comprimento e armazenar  mais de meio litro de água, que pode ser clara ou opalescente. A casca é escura e o interior esbranquiçado.
Em 100 anos cada umbuzeiro pode produzir 2.000l de água.
Nativo no Brasil é conhecido desde o Período  Colonial e se distribui pelo chapadão semiárido do Nordeste, principalmente na Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Sergipe e norte de Minas Gerais. É  uma planta heliófila e caducifólia, isto é perde totalmente as suas folhas na seca, revestindo-se de novas folhas um pouco antes da  floração. A frutificação  se dá dois meses após a abertura das flores.
                                                        
                                            VALOR ALIMENTÍCIO

O fruto verde possui 33mg de ácido ascórbico (Vit.C).  Deve ser posto de molho e fervido para tirar a acidez. Maduro o teor é reduzido pela metade, mas apresenta Vit.A, vitaminas do Complexo B, proteínas, carboidratos, amido e minerais. Apreciada in natura, mas sua polpa  agridoce, pode ser processada  para a produção  de sorvete, geleia,  mousse, doces;  também vinho,  vinagre e picles. O fruto maduro dura 2 a 3 dias, o que dificulta o consumo. A umbuzada é muito apreciada, feita com leite quente de cabra e açúcar mascavo ou com coalhada e pimenta. O suco é usado em merenda escolar. A polpa pode ser fermentada e peneirada para retirar a nata até virar xarope.
Os frutos e folhas são usadas na alimentação  de animais. Das flores consegue-se excelente mel. Os túberos são usados como farinha após secagem e trituração ou como legume, crocante.
                
                               USOS NA MEDICINA POPULAR

O suco é empregado para tratar escorbuto e como antidiarreico. O decocto das cascas do tronco é usado no tratamento de diarreias, blenorragia, hemorroidas e afecções da garganta.

                            IMPORTÂMCIA ECONÔMICA

A  madeira é utilizada para fabricar cachimbos, caixotes e para lenha. Usado em  reflorestamento de áreas degradadas.
Alguns países como a França, Alemanha e Áustria importam a polpa.
               
                                      CURIOSIDADES

Referida em várias composições como a do cantor pernambucano Alceu Valença. Na Bahia realiza-se, anualmente, o Festival do Umbu. É de autoria do compositor Leo Bargon o Cordel do Umbu, com 12 estrofes  do qual transcrevemos  apenas cinco:
“Quero falar neste meu ingênuo canto/da importante árvore sagrada do sertão/conhecida em toda a região como umbu/ importante e rica fonte de alimentação. Para quem não conhece pode duvidar/ mas para quem desfruta desta fruta gosta e diz: nunca ví umbu ser tão bom!...Esta árvore planta sagrada é a salvação do sertão/ seja para os racionais, seja para os irracionais/ todos vivem desta abençoada árvore fiel/que mata a fome de todos os animais/ sacia a fome do sertanejo na época da seca. É sumarenta, doce, agradável e comestível. É o pão que se multiplica/ quem vê na caatinga diz: nunca ví umbu ser tão bom”.
Esta árvore no sertão e no mundo, o que nós conhecemos como umbu, no estrangeiro é chamado Spondias  tuberosa. Mas não se engane com uma planta do sul/ porque a do sertão é sagrada e poderosa. Veio do tupi-guaraní, seu significado ymbu: para os índios árvore que dá de beber/ para nós é só dizer: nunca vi umbu tão bom. Esta sagrada árvore vive mais de 100 anos/ tem grande destaque pelo seu aroma/ rico em hidratos de carbono e energético/ vitaminas B e C  formidável à vida humana. Seu consumo nunca causa desconforto/ foi usada como remédio até pelo rei de Roma. Até lá foi aclamada como árvore sagrada, quando o rei falou: nunca vi umbu ser tão bom.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

OITIZEIROS – RESISTÊNCIA À POLUIÇÃO

Quando o Dr. Luso Torres administrou São Luis, entre 1919-21, por entender  que as áreas verdes são essenciais em qualquer planejamento,  beneficiando seu equilíbrio físico-ambiental, contribuindo diretamente na qualidade de vida, providenciou a sua arborização. Prevendo o  rápido crescimento com a abertura de fábricas e expansão da indústria e  comércio, graças ao beneficiamento do babaçu,  com  consequente poluição da cidade, mandou plantar oitizeiros nas principais praças, por serem as mais urbanas das árvores, não necessitando de regas nem de podas e preservando o calçamento. Resumindo, não dando grandes trabalhos e nem despesas para sua manutenção. Mudas de  Ficus  foram plantadas na Avenida Pedro II,  mas na Praça João Lisboa, totalmente reformada, foram escolhidas mudas de oitis, sendo  ainda encontrados  belos exemplares. Os espécimes da Praça Deodoro constam serem mais antigos. Aliás, tanto essa praça como a contígua, a do Panteón ou da Biblioteca Pública, foram criadas a partir do Largo do Quartel, ladeado pelas avenidas Gomes de Castro e Silva Maia, divididas por um canteiro central, ajardinado à moda francesa e ornamentada  com oitizeiros, tendo no centro um belo chafariz, entre 1901-03, na administração do intendente Nuno Alves de Pinto.
 Na azáfama do dia a dia, além do nosso caótico trânsito e da proliferação de vendedores ambulantes e bancas de revistas, não os vemos, mas eles alí permanecem  como testemunhas da nossa história, acompanhando o impulso desenvolvimentista da cidade nos últimos noventa anos. Sob suas copas, principalmente dos oitizeiros da Praça João Lisboa muitas intrigas políticas foram tramadas, honras familiares enxovalhadas,  propostas discutidas, ouvidos os discursos na época da Revolução de 1930 e os mais inflamados na Greve de 51. Assistiram as mudanças nos trajes masculinos e femininos, a abolição dos chapéus, das bengalas. Também  ecoaram em suas copas  os cânticos das procissões de São Benedito, de Nossa Senhora do Carmo, de Ramos, do Encontro com o cântico de Verônica,  do Senhor Morto, assim como dos mexericos do sereno dos bailes e tertúlias do Lítero Recreativo Português. Certamente até hoje testemunham  comentários sobre as peça e shows do Teatro Artur Azevedo, posses de intelectuais na Academia Maranhense de Letras, amores proibidos nascidos e desfeitos  nos bancos da praça, e muitos, muitos boatos tão ao gosto das gentes que habitam esta cidade.
À época da arborização do Passeio Público, Campo de Santana e Quinta da Boa Vista, na cidade do Rio de Janeiro, o Imperador D. Pedro II nomeou  o agrônomo e paisagista Auguste François-Marie Glazier, para esse mister. Para desincumbir-se dessa tarefa foi ao Nordeste em busca de plantas nativas e exóticas. Na Bahia encantou-se com os oitizeiros, assim como ipês, pau-ferro , jacarandá quaresmeira,  paineira, dos quais levou mudas para replantá-las, sendo  por  isso considerado o pioneiro no uso de árvores nativas em projetos de arborização. Foram tão apreciadas que em 1869, foram plantadas mudas no Jardim Botânico.
Outrossim, o oitizeiro fora uma das árvores escolhidas pelo Major Manuel  Gomes Ardin para restauração da Floresta da Tijuca. Nos idos de 1950, o prof. Luiz Emydio de Melo, diretor do Departamento de Parques e Jardins mandou plantar na Avenida Getúlio Vargas.

                     CARACTERÍSTICAS  BOTÂNICAS

O oitizeiro – Licania tomentosa – pertence à família das Chrysobalanaceas, genuinamente regional , é o símbolo do Nordeste, principalmente do estado de Pernambuco, onde é conhecida como  oiti da praia. Nativa nas restingas  costeiras , ocupa áreas da Mata Atlântica, estendendo-se até a Guiana Francesa. Encontrada em floresta ombrófila, densa de Pernambuco  ao sul da Bahia e até em Minas Gerais.
O nome oiti deriva do tupi-guarani que significa massa branca. São conhecidas  sete gêneros e 25 espécies e podem atingir  15 até 30 m de comprimento; folhas simples, ovais, alongadas, bordas  e superfície lisas e brilhantes, cobertas por penugem, tipo lanosas ou tomentosas em ambas as faces, dando aspecto de lã. As folhas são aproveitadas pela fauna geral.  A inflorescência é em cachos, resultando grande produção de frutos. As flores são inexpressivas, porém formam uma copa esbranquiçada que lhe dá grande destaque ornamental. Floresce entre os meses de junho e agosto e frutifica entre janeiro e março. Seus frutos são comestíveis com amêndoa rica em óleo. São drupas elipsoides, fusiformes, com 6 a 8 cm de comprimento, indeiscentes e fixados em pedúnculos não articulados. Quando maduros sua casca adquire uma cor amarelo mesclado com verde. A polpa é  carnuda, pastosa, pegajosa, amarelada e com odor forte; o caroço é volumoso e oblongo. Apresentam uma a duas sementes quase sem albumina, elípticas com furúnculo aderido, tegumento liso e na cor marron.

                                VALOR  ALIMENTÍCIO


Apresenta alto teor de glicídios, principalmente  glicose e sacarose; também fibras e ferro . Sabor doce e adstringente, bem agradável e apreciada in natura. A polpa tem elevado teor de sólidos solúveis, baixa acidez e considerável percentual de pectina. Na casca há grande teor de nutrientes
Pouco explorada na indústria alimentícia, daí decorrendo um número reduzido de pesquisas.

                                   NA  INDÚSTRIA

A sua madeira avermelhada, de excelente qualidade é usada para fabricação de postes, estacas, dormentes e na construção civil. Por sua resistência à poluição o oitizeiro é usado em projetos de arborização de numerosas cidades brasileiras, tanto em parques como praças e avenidas. Goiânia é totalmente arborizada por oitizeiros.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

VOCÊ CONHECE A COR DE JAMBO?

Uma das frutas mais populares da nossa Ilha é o jambo. Na época da safra é vendido por ambulantes, às dúzias, em sacolinhas de nylon, nas praias, esquinas de ruas, feiras e mercados. Conheço duas espécies: o róseo e o vermelho, embora não goste de nenhum. Mas não estão em pauta os meus gostos gastronômicos nem minhas preferências alimentares. Comum em quase todos os sítios e quintais da zona rural e na arborização de algumas ruas dos nossos bairros periféricos.
No sítio do mano José Paulo, no Araçagi há dois frondosos  jambeiros  ladeando o portão de entrada, tal como dois guardas. A espécie é a de frutos grandes e vermelhos. Dessa espécie também tive um pé no meu sítio, em Ubatuba, na estrada que leva a São José de Ribamar. Há uns 10 anos morei em um edifício no Renascença II e na frente, plantados na calçada 4 belos jambeiros que constituíam um espetáculo, à parte na época da queda de suas flores púrpuras. Com toda essa fartura de jambos à minha disposição eu nunca gostei da fruta. Aliás, lembro-me que há uns 25 anos a prof. Lea Fiquene Barbosa, do Departamento de Patologia da UFMA, levava-nos sacolas de jambos grandes e vermelhinhos.
De origem asiática, proveniente da Malásia, a fruta foi  introduzido nas regiões tropicais americanas e africanas. A espécie  Syzygium jambos, adaptou-se muito  bem nas regiões Norte e Nordeste do nosso país, sendo usada na arborização de praças e avenidas, por sua copa perfeitamente cônica. Pertence à família das Myrtaceas, a mesma da jabuticaba, goiaba, pitanga, jamelão, eucalipto.
As árvores chegam a alcançar 15m de altura, copa cônica, densa com ramificação abundante. As folhas são opostas, pecioladas, grandes e glabras de cor verde-brilhante. As flores s branco, rosa ou rosa-púrpura  são grandes, possuem quatro pétalas, com longos estames em  número de 300, pistilo fino e verde no centro das flores;  são aromáticas e melíferas.  Os frutos  piriformes, casca lisa e cerosa, podem  ser esbranquiçados, amarelos, laranja-avermelhados, róseos ou vermelhos, dependendo da espécie. São crocantes e a polpa branca é esponjosa .  No centro da fruta há uma concavidade com uma  semente formada  por vários embriões carnosos que se separam com facilidade. A frutificação se dá entre os meses de dezembro e abril.
As espécies mais conhecidas são: S. malaccense ou Eugenia malaccensis, com frutos vermelhos, adocicados, levemente ácidos. Quando as flores caem formam um belo tapete púrpura. O S. jambos, originário da  Índia, é menor, floração abundante com flores brancas e delicadas com frutos esbranquiçados, de sabor fraco e sementes globosas. É o mais exótico e usado em arborização. Na espécie S. jambolona  os frutos são rosados e mais comuns entre nós.

                           VALOR  ALIMENTÍCIO

Rico em ferro, cálcio, fósforo, proteínas, umidade, carboidratos, fibras e as vitaminas A (betacaroteno), B1 (tiamina) e B2 (riboflavina).  Cem gramas do fruto fornecem  50 calorias. Comido geralmente “in natura”, podendo ser usado na preparação  de sucos  refrescante e suculento lembrando o suco de melancia. Também usado na preparação de compota, sendo aferventados após a retirada das cascas e posteriormente cozidos em calda de açúcar fervente.

                       USO  EM  MEDICINA  POPULAR

Laxante, peitoral aliviando a tosse, antiespasmódico, dor de cabeça e também no controle da diabetes. Pelo seu alto teor de ferro é usado nas anemias. O fósforo  melhora o funcionamento cardíaco, combate o cansaço mental, pois estando em todas as células do organismo funciona como transmissor dos impulsos nervosos.
A raiz é usada para tratar  prisão de ventre e catarros. As cinzas das cascas são usadas no tratamento das queimaduras.

O JAMBO   NA  MÚSICA  POPULAR  BRASILEIRA

É muito comum no Nordeste a expressão morena cor de jambo, para moças de pele clara e cabelos escuros.
Netinho de Paula gravou um samba com este verso: “Morena cor de jambo me dá mais um beijinho”.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

NOSSAS FRUTAS POPULARES

O Estado do Maranhão por sua singular situação geográfica, confere caráter de transição entre o Nordeste árido e semiárido e a Região Amazônica de clima úmido e semiúmido e fazendo fronteira, ao sul, com o Centro-Oeste, constitui um exuberante bioma , com diferentes ecossistemas, concorrendo para apresentar uma abundante variedade de espécimes, tanto da fauna como da flora.
Dizem os estudiosos que essa pujança  se deve à sua localização, logo abaixo da linha do Equador onde os raios Gama quase não têm inclinação o que faz com que as espécies, principalmente os vegetais apresentem significativa  mutação genética.
Geograficamente o Maranhão é dividido em sete regiões: Litoral, Baixada, Pré-Amazônia, Cerrados, Chapadões, Cocais e Litoral, possibilitando que esses ecossistemas se intercruzem, se superponham,  tornando-se um Estado privilegiado e diversificado sob o aspecto fito-fisionômico.
A Ilha de São Luís fica situa-se no Golfão Maranhense entre o Litoral Noroeste, próximo ao Piauí, na região de Cerrados e Chapadões e o Litoral Nordeste, fazendo fronteira com as regiões da Baixada e Pre-Amazônia. Entretanto, se considerarmos as plantas frutíferas, constata-se que a Ilha se tornou um ponto de convergência de todas essas regiões.
Nativas da região Amazônica encontramos, principalmente nas áreas rurais, as seguintes frutas: Bacuri, cupuaçu, cajá, sapoti, pitomba, goiaba, bacurizinho, açaí, mamão, maracujá, cacau, abricó, ingá, graviola, pitanga, ata, abiu, acerola. A região dos Cerrados concorre com jenipapo, muricí, abacaxi, pequi, araticum, umbu. Dos Cocais temos: macaúba, bacaba, pupunha, tucum, buriti, tucuman, anajá. Do Litoral, principalmente caju e criuri, guajuru, murta, araçá, guariroba, jambolão. A Baixada pela proximidade com a Pré-Amazônia apresenta as mesmas frutas. Pela distância do Planalto e dos Chapadões, chegam até nós apenas jatobá, mangaba, cagaita, sapucaia, tuturebá, oiti  e outras  frutas nativas.
E há ainda em abundância, principalmente nos sítios e quintais, fruteiras que não sendo autóctones se aclimataram bem entre nós:  várias espécies de mangas e bananas, abacate, jambo, tamarindo, carambola, melão e melancia, jaca, fruta-pão, romã, figo, e as cítricas.
Também são encontradas nos supermercados e até nas feiras e bancas de ambulantes frutas das regiões temperadas: pera, maçã, uvas, kiwi, chirimoia ou  atimoia, caqui, pêssego, ameixa, nêspera, nectarina, morango, variedades de tangerinas dentre outras.
Apesar da profusão de frutas os ludovicenses elegeram três como suas preferidas, por serem mais populares, nivelando ricos e pobres,  vendidas, na época da safra,  nas praias, bancas de ambulantes, feiras e mercados. São acondicionadas em saquinhos de nylon essas gostosuras e comemos, in loco, sem preocupações com higiene: PITOMBA, JAMBO e SERIGUELA, sendo que a pitomba é vendida em cachos.

PITOMBA -  Eugenia luschnathiana ou Talisia esculenta pertence à família das Myrtáceas e é encontrada da Amazônia à Mata Atlântica. Seu nome deriva do tupi-guaraní e significa  sopapo, bofetada ou chute forte. Propaga-se espontaneamente, através de sementes, pois os pássaros são grandes consumidores. É uma espécie angiosperma, com árvores pequenas com 4 a 5m de altura, copa frondosa, folhas  alternas, compostas por 2 a 4 folíolos verdes. As flores são hermafroditas e produzidas em cachos, iniciando a floração entre agosto e outubro com frutificação  entre janeiro e março. Os frutos são globosos, ovais com 2,5cm de diâmetro, casca coriácea, pardo-amarelada. No interior há duas sementes envolvidas por um arilo ou massa esbranquiçada, suculenta, doce, levemente ácida e de sabor agradável. A frutificação se dá 5 a 10 anos, após o plantio e produz, por safra, cerca de 100 cachos com 10 a 25 unidades.
Para os iniciantes, uma dica: quebra-se a casca com os dentes e chupa-se a polpa suculenta e ligeiramente ácida até desaparecer. Há uns trinta e dois anos, por ocasião da construção do Conjunto Maiobão, possuí um sitio com 4 a 5 pés de pitomba. Meu filho, tinha a essa época 2 a 3 anos e eu não permitia que ele comesse, daí orientar o caseiro para apanhar e vender toda a produção.

VALOR ALIMENTÍCIO E USO EM MEDICINA POPULAR – rica em vitamina C, usada para preparar licores, embora seja mais consumida in natura. Seus caroços adstringentes  são usados no tratamento de diarreias.
As árvores são usadas em projetos de arborização de parques, na recomposição de matas de preservação permanente. A madeira é dura, de textura média, baixa resistência ao apodrecimento, usada para forro, moldura, tábuas para assoalho e confecção de caixas. Está sendo testada, experimentalmente, uma proteína extraída das sementes – lectina contra pragas, fungos e carunchos da cana-de-açúcar, feijão, soja, estes últimos estocados. As folhas são ricas em tanino usado em curtumes.

A PITOMBA NO FOLCLORE – Não é de hoje que a pitomba  faz parte do imaginário e da cultura popular. No Nordeste  segundo Mário Souto Maior é conhecida como “chicletes de pobre” por ficar girando pelo céu da boca. É expressão nordestina: sofrer mais do que caroço de pitomba em boca de velho banguela. Também se diz das pessoas que têm o globo ocular saliente  olho de pitomba lambida, isto é, sem pestana. Os pregoeiros com suas varas nos ombros com cachos pendurados de pitombas costumam fazer divulgação dessa fruta, gritando: “Chora menino pra comprar pitomba.”
 A antiga festa de Nossa Senhora dos Prazeres,  evento cívico-religioso, comemorado anualmente no Monte Guararapes, cenário de uma das batalhas mais importantes do Brasil, travada entre  pernambucanos e holandeses no século XVI, é conhecida atualmente como Festa da Pitombeira.
Em relação à Música há uma composição de Paulo Fernandes, cantada pelo conjunto Pau e Corda: “Olaolô, morena flor de cheiro, sai dessa roda e quebra a corda, Te dou um doce cacho de pitomba, vem pra meu lado, sai da contramão...”
Ainda em relação à música há em Olinda, Pernambuco, uma agremiação carnavalesca famosa chamada Pitombeira dos Quatro Cantos, com hino composto em 1950 por Alex Caldas.
                  

 No próximo texto falaremos sobre o jambo e a seriguela.