MOEMA

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PAPIRUS DO EGITO

sábado, 14 de junho de 2014

O LEITE - INTOLERÂNCIA À LACTOSE




CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

             As fêmeas de todos os mamíferos segregam leite para alimentar seus filhos recém-nascidos. O leite é composto de água e de vários nutrientes necessários à progênie: gordura, proteínas, sais minerais, açúcar e vitaminas, em proporções diferentes, conforme as espécies de animais.
A gordura constitui o fator determinante para atribuir-se maior valor comercial e índice de capacidade produtiva da vaca. Os sólidos não gordurosos são importantes para reconhecimento do seu valor nutritivo. As normas do leite recomendam como aceitável o leite que contenha 3.00 a 3.25% de gordura e, no mínimo 8.00% de sólidos não gordurosos.

                      HISTÓRICO

Desde os tempos imemoriais, durante milhares de anos da pré-história, o homem tem utilizado o leite dos animais como recurso alimentar. Atualmente o leite de vaca é o mais consumido em todo o mundo, embora se use em muitas regiões o leite de cabra, de ovelha, de égua e outros animais. No Nordeste do Brasil o leite de jumenta é muito procurado pelas populações carentes, em caso de recém-nascidos com intolerância ao leite materno e em casos de coqueluche.
Devido o seu papel de fornecedora universal de leite, a vaca recebeu, de há muito a denominação de ama da humanidade.
Presume-se que o homem começou a alimentar-se de leite de vaca quando conseguiu domesticar os animais selvagens que vagavam pelos campos e florestas, ainda que àquela época remota, os nossos antepassados se interessassem pelos animais como fonte de produção de carne. As vacas só davam o leite necessário à nutrição de suas crias, sustentando-se com a vegetação agreste que encontravam, pois o homem primitivo não cogitava em melhorar o gado, nem os  seus alimentos.
Com o progresso da civilização e o aumento populacional, tornou-se imprescindível obter alimentos em maiores  quantidades e de novas fontes, originando-se, então a prática de cultivar o solo e fazer plantações. Por sua vez a lavoura exigiu a necessidade da tração animal, adaptando-se o boi para tal propósito, por causa de sua força e do seu grande porte. As vacas foram reservadas para a função reprodutiva, isto é, o crescimento e manutenção das manadas e o pouco leite que produziam era consumido pelas crias, na fase de amamentação, até que estas pudessem alimentar-se de capim e de outras forragens.
Nas suas lides com os animais que domesticava, o homem deve ter percebido desde cedo que o leite era o alimento natural de todas as crias e que, portanto, o leite de vaca poderia nutrir seus próprios filhos. Começara, então, a deixar uma parte para a alimentação dos bezerros e com o correr  dos tempos, passou a depender dessa fonte para alimentar a família.
Através dos séculos o leite de vaca tem contribuído para a saúde, bem-estar e longevidade da raça humana, pois o leite e seus derivados possuem um valor nutritivo incomparável, e que devem ser incluídos no regime alimentar das pessoas de todas as idades, para que a sua nutrição seja a mais satisfatória possível.
A primeira medida tomada pelos povos primitivos, após domesticar os bovinos, e para atender a grande demanda de leite, foi aumentar seus rebanhos, levando-os consigo, em suas migrações. Mais tarde houve necessidade da criação de gado de qualidade, não só para corte, como para a produção de leite, melhorando as pastagens, cultivo de cereais e plantas forrageiras, para a engorda. Também para melhor a capacidade leiteira, para atender melhor suas necessidades mais prementes.

   INTRODUÇÃO DO GADO NA AMÉRICA TROPICAL

Todas as raças e tipos de gado atualmente existentes em nosso Continente foram originalmente importados da Europa e da Ásia, pois não havia gado nativo por ocasião da sua descoberta, em 1492. Na sua segunda viagem, em 1493, Cristóvão Colombo trouxe gado a bordo, e os navegantes espanhóis e portugueses que lhe sucederam o trouxeram para o Novo Mundo, a partir de 1525. Os exploradores, conquistadores e colonos, levaram gado não somente para as Índias Ocidentais, mas também, para os portos das costas da América do Sul, da América Central do Golfo do México e, a partir daí espalhou-se, acompanhando sempre o movimento de colonização. Era de grande utilizado como animais de carga, fornecimento de carne e também do couro. Os colonos e conquistadores somente se interessavam na produção de leite e seus derivados que bastasse às suas necessidades imediatas.

      INTRODUÇÃO DO GADO NO BRASIL

Os primeiros bovinos entraram o Brasil no início da colonização, em 1534, por sugestão de d. Ana Pimentel de Souza, esposa de Martin Afonso de Souza. Este mandou buscar em Cabo Verde e em Portugal algumas dezenas desses animais, para as feitorias, engenhos, propriedades circunvizinhas dos povoados e vilas que foram sendo fundados com as Capitanias e no Governo Central, localizados ao longo do litoral brasileiro. Era gado Turino (Bos taurus), comum, da Península Ibérica, criado sem nenhuma especialização de função, servindo para  o trabalho, fornecimento de carne e leite. D. Ana era uma senhora autoritária, de ascendência espanhola  e que, munida com uma procuração do marido governou São Vicente de 1534-36. Alguns historiadores afirmam que entre o gado comum, vieram reses com sangue de zebu.
Duarte Coelho  Pereira  quando chegou ao Brasil, em 1535 trouxe uma centena de cabeças de gado das ilhas da costa ocidental da África, principalmente Açores, Madeira, Cabo Verde e de Portugal.
Tomé de Souza, foi nomeado por d. João III, o primeiro Governador Geral assumindo  em 1549. Dois anos depois, solicitou e foi atendido pelo rei que lhe enviou centenas de cabeças de gado, distribuídas entre os proprietários locais. Do cruzamento de várias espécies surgiram as variedades crioulas (pé duro ou curraleiro, pantaneiro e caracu) que se espalharam por todo o território brasileiro. Em 1550 já se ouvia o ranger dos carros de bois, únicos meios de transporte até o advento da estrada-de-ferro. Também o Pe. Nóbrega, em 1565, faz referência a grandes rebanhos, na Bahia.

      VALOR  ALIMENTÍCIO  DO  LEITE

As principais funções dos alimentos para o homem são: produzir energia, criar e renovar os tecidos do corpo e regular os processos fisiológicos e o estado interno. As propriedades químicas de um regime alimentar adequado deve possuir proteínas de qualidade apropriada e em quantidade suficiente para produzir os aminoácidos essenciais; elementos nutritivos orgânicos em forma digerível para produzir a energia necessária; os elementos minerais em quantidade e proporções adequadas e presença de vitaminas essenciais, em quantidade suficiente.
O leite supre todas essas exigências, mais do que qualquer outro alimento para a boa nutrição, sendo considerado o alimento protetor pelo fato de conter  grandes teores de elementos nutritivos essenciais ao regime alimentar habitual.
O leite apresenta em sua composição; água – 86,61%; gordura – 4,14%; proteínas – 4,96% e cinzas 0,7%.
-PROTEINAS – As principais proteínas que o leite possui são a caseína e a lactoalbumina, contendo a maioria dos aminoácidos essenciais que são materiais plásticos, necessários ao organismo para o desenvolvimento de seus tecidos.
-LACTOSE - fonte de energia; de digestão lenta facilita a fermentação ácida nos intestinos; reduz a formação de produtos tóxicos de  decomposição; atua como laxante suave; promove a assimilação do cálcio.
-MINERAIS - nosso organismo necessita de minerais para desenvolvimento da nossa  ossatura, dos tecidos moles e para manter o equilíbrio dos fluidos normais. Os minerais mais importantes são o cálcio, e o fósforo, imprescindíveis para o desenvolvimento dos ossos e dentes, enquanto o ferro é essencial para a formação dos glóbulos vermelhos. O fósforo, também é importante na composição de todas as células vivas.
Os teores de minerais encontrados no leite são os seguintes: Potássio: 20,8%; Cloro: 14,3%; Cálcio: 14,3%; Fósforo: 10,6%; Sódio: 7,4%; Magnésio: 1,5%; Enxofre: 2,3% e Ferro: 0,09%. Ferro, Cobre e Manganês estão em teores menores.
-VITAMINAS – as vitaminas são substâncias existentes nos alimentos, indispensáveis à boa nutrição e à saúde. Promovem o crescimento, o vigor, e à saúde; dão resistência contra as doenças; determinam o crescimento normal dos dentes e dos ossos; estimulam o apetite; protegem o organismo contra doenças de carência, manifestadas nos ossos e na pele.
O leite possui todas as vitaminas conhecidas, algumas em abundância, outras em baixos teores. Vitamina A: 160-225 UI; Vit. B (Tiamina): 40-65 mcg; Riboflavina: 195-240 mcg; Ácido ascórbico: 2,1-2,2mg; Ácido nicotínico: 2-8mg; Vitamina D: 1,7 UI.

                DERIVADOS  DO  LEITE

O leite é uma emulsão de gorduras, contendo materiais coloidais e sais em solução. Uma das suas propriedades mais importantes é a sua reação uniforme quando submetido a determinado processo. Quando em repouso, forma a nata que é a gordura que sobe à tona. A nata ou creme pode separar-se por processo mecânico e transformar-se em manteiga. A indústria proveio da facilidade com que a gordura do leite se separa dos seus demais componentes. O leite tem ainda a propriedade de coagular-se, quer pela adição de ácidos, de coalho ou pela ação do calor. Essa capacidade de coagular-se é a propriedade do leite da qual depende a fabricação de queijos. Apesar de líquido, pelas suas propriedades nutricionais é considerado mais um alimento do que uma bebida.
Os mais comuns são os queijos, a manteiga, iogurtes, coalhadas, farináceos, leite condensado, creme de leite.  Entra na fabricação de sorvetes, doces, balas, chocolates, biscoitos, pudins, bolos, e até usados em licores e coquetéis.
O leite pode ser consumido in natura, fervido ou pasteurizado,  desnatado, integral, ou processado: liofilizado, cremoso como o leite condensado. Também são processados, enriquecendo-os com vitaminas e minerais, como o ferro.
Não é o objetivo deste texto, discorrer sobre a grande variedade de queijos produzidos artesanalmente ou industrializados, derivados de leite de vaca ou de cabra.

   DEFICIÊNCIA  DE  LACTASE INTESTINAL  E  INTOLERÂNCIA AO LEITE

Indubitavelmente o leite é um complemento dietético de grande valor nutritivo, por conter proteínas de boa qualidade, sais minerais, um açúcar (lactose), gordura e vitaminas. Entretanto a inclusão do leite na dieta humana após a fase de lactação pode ser prejudicial para muitos indivíduos, já que sua ingestão pode causar transtornos intestinais cuja intensidade pode variar de simples indisposição até o impedimento de atividades normais.
A lactose, açúcar presente na composição química do leite é um dissacarídeo, cuja biossíntese é feita nas células epiteliais das glândulas mamárias. A única fonte natural de lactose é o leite da maioria dos mamíferos placentários, sendo raros aqueles, como algumas espécies de leões marinhos e focas que o produzem sem esse açúcar. A lactose cuja proporção  varia  segundo as espécies, é encontrada por volta de 7% em humanos e 5% no leite da vaca e não sofre alterações com a fervura nem com a pasteurização.
A lactose não é absorvida pelo organismo a não ser quando a sua concentração na luz intestinal é muito alta ou quando a mucosa intestinal se encontra lesada. Somente nessas circunstâncias é que pequenas porções podem entrar passivamente na corrente sanguínea, sendo eliminada pelos rins, em processo conhecido por lactosúria. Geralmente a lactose ingerida deve ser hidrolisada dando origem à galactose e à glicose, que são absorvidas pelas células epiteliais de transporte ativo. Essa hidrólise é efetuada  nas células do intestino delgado, com o concurso de uma enzima chamada lactase e não na luz intestinal, uma vez que essa enzima tem pouca atividade no suco entérico. A produção de lactase intestinal começa a diminuir a partir da época de desmame, atingindo níveis relativamente baixos na idade adulta.
A intolerância ao leite poderá ter sérias consequências em crianças desnutridas, tornando-as mais propensas às infecções gastrointestinais, causadas pela ação das salmonelas ou shigelas e levando à grave desidratação. Essa deficiência manifestada na idade adulta foi caracterizada pela primeira vez em 1963;  é considerada uma característica normal da espécie humana e não deve ser confundida com a deficiência congênita da lactase, nem com a alergia  ao  leite que é uma reação imunológica adversa às proteínas do leite e se manifesta após a ingestão de uma pequena porção do produto à base de leite de vaca. Os principais sintomas podem ser alterações intestinais, na pele e sistema respiratório (tosse e bronquite).
Cerca de 70% da população mundial não podem tomar leite nem  consumir lacticínios sem ter problemas gástricos. É um problema genético e acontece com mais frequência entre os descendentes de africanos, asiáticos e nas populações mediterrâneas. A causa dessa intolerância é devida à deficiência de lactase, uma enzima necessária à absorção e digestão da lactose. Sem poder ser digerido, o açúcar do leite permanece no cólon fazendo com que a pressão osmótica do fluido intraluminal se torne superior à do plasma, o que provoca um fluxo de água extracelular para o interior do duodeno e jejuno, também para o estômago, estimulando os movimentos peristálticos e consequente velocidade do trânsito intestinal. A lactose pode fermentar, causando distúrbios intestinais, de brandos a severos, como: inchaço, cólicas, meteorismo, borborigmos, flatulência e diarreia com fezes aquosas, espumantes e ácidas. Determina, também, a malabsorção de outros nutrientes como o ácido fólico, ferro, cálcio, nitrogênio e gorduras, confundindo até os especialistas que a considera, equivocadamente como  a síndrome do intestino irritável e outras doenças intestinais sérias.
A ingestão de dois copos de leite aumenta oito vezes a quantidade de liberação de gases. Há testes confiáveis para diagnosticar essa intolerância, incluindo exames de sangue e um teste simples de respiração-hidrogênio.
A gravidade desses  incômodos depende da gravidade da deficiência de lactase. Dos indivíduos portadores dessa intolerância 60% a 80% ainda conseguem tomar um copo de leite, diariamente. Segundo alguns pesquisadores pessoas normais absorvem 92% da lactose ingerida enquanto os portadores da síndrome absorvem entre 25 e 58%.
Alguns pesquisadores atribuem essa deficiência, também à cirurgias intestinais, infecção do intestino delgado causada por vermes e fungos, afetando as células do revestimento intestinal.                                                   
Dos produtos lácteos o único seguro é o iogurte pois já vem pré-digerido: as bactérias Streptococcus thermophylus e Lactobactobacillus bulgaricius que transformam o leite em iogurte, ingerem grande parte da lactose durante o processo da fermentação e uma vez no intestino, digerem o resto. O iogurte natural é o mais ativo. Entretanto o sorvete de iogurte é repasteurizado, destruindo as bactérias.
Em pessoas com intolerância à lactose podem diminuir as quantidades de leite ingeridas, fazendo-o durante as refeições. Esse leite deve ser integral e não desnatado ou acrescentar Lactaid ou outros produtos semelhantes, que fornecem as enzimas ausentes, ou usar leites especiais, nos quais a lactose é diminuída.
                 
                        VALOR  ALIMENTÍCIO

Rico em cálcio, que ajuda a combater a hipertensão, o leite e os laticínios constituem os alimentos consumidos no dia-a-dia mais saudáveis, embora cause azias e até constipação intestinal, fadiga crônica em muitas pessoas. Consumido para combater o câncer, principalmente de cólon, pulmão, estômago e cervical e para reduzir o colesterol, principalmente com leite desnatado.
A gordura do leite promove câncer e doenças cardíacas, além de alergias que provocam dores nas articulações e sintomas de artrite reumatoide, asma, síndrome do cólon irritável e diarreia

segunda-feira, 9 de junho de 2014

AÇÚCAR: ALIMENTO OU VILÃO?


INTRODUÇÃO

O texto de hoje começará com uma lenda nordestina – Dizem que Jesus Cristo passava por uma estrada em um dia de sol muito forte e por isso estava sedento e com muita fome. A certa altura ele avistou um canavial e resolveu sentar-se numa sombra entre as folhas, refrescando-se do calor, descansando e chupando uns gomos de cana e, enfim, matando a fome e a sede. Ao sair, abençoou as canas, prometendo que delas o homem haveria de tirar um alimentobom e doce.
No outro dia, na mesma hora, o diabo saiu do fogo do inferno, com os chifres e o rabo queimados. Galopando pela estrada, foi dar ao mesmo canavial. Mas dessa vez, as canas soltaram pelos e o caldo estava azedo e queimou-lhe a garganta. O diabo furioso, prometeu que da cana o homem tiraria uma bebida tão ardente como as caldeiras do inferno, É por isso que da cana se tira o açúcar, bênção de Nosso Senhor e a cachaça, maldição do diabo.

 Os carboidratos (nome derivado de carbos que significa carbono mais hidrato que significa água),contêm a energia radiante do sol, capturada de modo que os seres vivos podem usar para impulsionar a vida. Assim eles formam o primeiro elo na cadeia alimentar que sustenta a vida na Terra. Os alimentos ricos em carboidratos vêm, com raras exceções, das plantas que os sintetizam pelo processo da fotossíntese, na presença da clorofila e luz solar.
Desde o Ensino Fundamental aprendemos que a águaabsorvida pelas raízes das plantas,seusátomos de hidrogênio e oxigênio, e o gás carbônico, combinam-se para produzir o mais comum dos açúcares – a  glicose, que fornece  energia para todas as células do caule, raízes, folhas, flores e frutos.
Os vegetais, entretanto,não usam toda a energia armazenada, de modo que ela fica disponível para uso dos animais, dos seres humanose, principalmente, dos animais que consomem essas plantas. A fotossíntese por isso é importante para a nossa sobrevivência.
Os açúcaresconhecidos são: os monossacarídeos (glicose, frutose e galactose (do leite materno);  os dissacarídeos (lactose, a maltose e a sacarose, composto de glicose e frutose). O amido, as fibras e o glicogênio são polissacarídeos, isto é, filamentos formados de muitas unidades de  glicose.

O AÇÚCAR

O termo AÇÚCAR se refere a todos os monossacarídeos e dissacarídeos, principalmente a sacarose. Os principais, por fazerem parte do nosso dia-a-dia são:
- açúcar branco: sacarose pura, produzida pela dissolução, concentração e recristalização do açúcar bruto;
- açúcar mascavo: açúcar branco com melaço adicionado, 95% de sacarose;
- açúcar de confeiteiro: sacarose finamente pulverizado, refinado, 99,9% ,adicionado a amido de arroz, milho ou carbonato de cálcio, usado para glacê e cobertura de bolos.
- açúcar granulado: açúcar comum, de mesa;99,9% de sacarose pura;
-açúcar bruto: a primeira colheita de cristais obtida durante o processamento do açúcar; contém sujeiras;
- açúcar turbinado: açúcar bruto limpo;
- açúcar light: mistura de açúcar refinado e adoçantes;
-açúcar orgânico: grânulos mais grossos e escuros e não se utilizam ingredientes químicos no seu processamento
- açúcar líquido: usado em bebidas gasosas; não é encontrado no comércio.
 - demerara: açúcar mais caro, grânulos castanho claros, devido à camada de melado que envolve os cristais; usado para preparar doces; refinamento leve e nenhum aditivo químico em seu processamento. Tem mais valor nutritivo.

A sacarose é também extraída da beterraba, desde 1747, processo esse, implantado na França por Napoleão Bonaparte e usado na Inglaterra pelos puritanos que se negavam a consumir o açúcar produzido por trabalho escravo. Deportados para os EUA deram prosseguimento nas regiões ocupadas. A beterraba de onde se extrai a sacarose é de espécie diferente da que usamos em saladas e foi descoberta desde 1575 por camponeses franceses. Enquanto a cana fornece 60% de sacarose, da beterraba se extrai 15 a 20%.

                     OUTROS AÇÚCARES

- melaço: xarope restante do refino da sacarose da cana-de-açúcar;um xarope espesso, castanho, rico em ferro, resultado do equipamento usado no seu processamento.
- açúcar invertido:mistura de glicose e frutose, formado pela divisão da sacarose. Encontrado em forma líquida e mais doce que a sacarose. Esse açúcar se forma durantecertos procedimentos de cozimento e age  impedindo a cristalização da sacarose, em balas moles e doces;
- mel: solução concentrada composta de glicose e frutose, produzida pela digestão enzimática da sacarose do néctar de flores, realizada pelas abelhas;
- açúcar de milho: xarope produzido com glicose e em parte por maltose, resultante da ação enzimática do amido do milho;
- açúcar de bordo: solução concentrada de sacarose derivada da seiva de bordo, predominantemente a sacarose;
- açúcar de beterraba: muito usado na Europa e num determinado tempo nos EUA.
                            
MECANISMO DE AÇÃO DOS AÇÚCARES

Quando se ingere alimentos que contêm açúcares simples eles são absorvidos diretamente pela corrente sanguínea. Quando se ingere dissacarídeos, há necessidade de digeri-los antes da sua absorção, o que é feito pelas enzimas intestinais que os transformam em monossacarídeos. Do sangue passam para o fígado que também produz enzimas, para modificar nutrientes que se tornam úteis ao organismo.



OBTENÇÃO DO AÇÚCAR DA CANA-DE-AÇÚCAR

A extração da sacarose começa com a moagem da cana,obtendo-se um suco doce e esverdeado, chamado caldo de cana ou garapa. Tanto a cana como a garapa são alimentos completos, contendo vitaminas, sais minerais, proteínas e gorduras. Depois de fervida e resfriada a garapa se transforma num caldo grosso, em que a sacarosecristaliza na forma de massa escura. O caldo é o melaço, usado para fazer rum, cachaça e álcool. A massa escura é o açúcar mascavo que depois de sofrer vários processos químicos torna-se branco – açúcar refinado.
A digestão da sacarose, ou seja, do açúcar branco, produz a glicose que se soma à glicose produzida pela digestão do amido encontrado nas massas e cereais, transformando-se em glicogênio e gordura, se não for desgastada por trabalhos físicos.
                  
                    O AÇÚCAR NA HISTÓRIA

Até alguns séculos atrás, a humanidade não usava aditivos doces na sua dieta ordinária. Os povos antigos, civilizações passadas, grandes exércitos não conheciam o famoso aditivo doce. O mel era usado eventualmente, como remédio. Todas essas considerações históricas são para provar que o açúcar refinado é desnecessário, não obstante as propagandas que nos bombardeiam através domaior sistema de comunicação que o mundo conhece (livros, jornais, revistas especializadas, rádio, televisão e agora a internet),propagando as delícias e sabores variados de sorvetes, chocolates, bolos, pudins, biscoitos, tortas, dissimulados através de embalagens atraentes e divulgadoscomo elemento fundamental para a nossa sobrevivência.
Desde cedo, ainda recém-nascidos, aprendemos a gostar do açúcar: no mingau que substitui o leite materno; nos bombons, balas, algodão doce, pães, pirulitos, jujubas, caramelos, chicletes, pastilhas,doces e outras guloseimas com as quais  agradamos nossos filhos e seus amigos nas festinhas de aniversário e principalmente os refrigerantes. Chantageamos e castigamos nossos filhos, privando-os de comer doces e sorvetes, fazendo com que se tornem mais desejadas, tornando-nos cúmplices de um mal maior, no futuro. Mais tarde os chocolates usados como presentes nos aniversários e datas especiais, a troca de receitas de bolos, cremes e pudins com as nossas amigas, enfim, em todos os eventos da nossa vida.
Foi só a partir do século XIX que o açúcar começou a ser produzido em larga escala e consumido pelas populações pobres que antes não tinham acesso. Com as novas tecnologias de purificação do açúcar, retira-se da cana apenas a sacarose. Atualmente somos uma civilização dependente do açúcar, pois seu consumo vem aumentando de modo assustador.
A glicose é fundamental para o nosso organismo, mas todo suprimento de que precisamos é obtido através dos alimentos que ingerimos. O mais é excessivo, supérfluo, responsável,a longo prazo, por algumas de nossas doenças. Se não, vejamos: 100% dos carboidratos (farinhas, cereais, açúcar de frutas) transformam-se em glicose; 60% das carnes consumidas e até mesmo 15% das gorduras e óleos se transformam em glicose; e é assim que normalmente mantemosas necessidades bioquímicas do nosso organismo.
A glicose sempre foi um elemento essencial na nossa corrente sanguínea. Quando comemos,o processo de digestão converte os alimentos em glicose que é levada ao pâncreas, gerando a produção de insulina que é transportada pelo sangue para o fígado, convertido em glicogênio onde fica estocado.
As civilizações antigas como a dos orientais acreditavam que todas as desordens do corpo e da mente eramconsequentes dos alimentos que consumiam. Assim pensavam os indianos, chineses e vietcongs.
Os guerreiros vikings, hunos, árabes, gregos e romanos, os trabalhadores da muralha da China e das pirâmides do Egito não necessitavam de açúcar extra, além de uma pequena porção de mel de abelha.  A sua energia provinha da ingestão de alimentos ricos em carboidratos não nocivos, como: amêndoas, castanhas, nozes e pistaches; maçãs, figos, uvas, azeitonas e amoras; cevada, trigo, centeio, e painço; pepinos, melões, alho-poró, alfarroba, hortelã, anis, cebola e alho; lentilhas, mostarda; leite, mel e uma infinidade de alimentos naturais que forneciam os nutrientes essenciais, mantendo-os fortes e aguerridos. Os soldados dos exércitos de Júlio César, a mais eficiente máquina de guerra que o mundo teve notícia carregavam apenas um saco de cereais integrais para a sua alimentação e conseguiram grandes conquistas.
Nenhum Livro sagrado como o Antigo Testamento, o Alcorão, o Código de Manu, o I-Ching – clássico da Medicina Interna do Imperador Amarelo, faz referência ao açúcar.
           Os profetas se referem ao status que o açúcar gozava na antiguidade: erauma preciosidade importada de terras longínquas e extremamente cara. Nada se sabe sobre o seu uso, além de servir de oferenda aos deuses.
Há mitos e lendas da Polinésia que se referem à doçura da cana. A China cobrava tributos à Índia sobre a cana importada. A ela também se refere o Athava-veda, com um hino à doçura.
A cana era cultivada pelos indianos com grande esforço que a esmagavam,quando madura, num almofariz e deixavam o suco sedimentar num recipiente, até solidificar. As raspas eram cozidas com mingaus e chapati. Só mais tarde começaram a espremer a cana e beber o caldo. Da mesma forma que os ameríndios sangravam a árvore de bordo para extrair xarope. A sidra, o suco da tamareira e o caldo de cana eram ingeridos ainda frescos, para evitar a fermentação.
Os gregos não tinham um nome para ele. Quando Niarchos, um almirante a serviço de Alexandre Magno, desceu o Indo para explorar as Índias Orientais, no ano 325 a.C., descreveu-o como um tipo de mel extraído da cana de junco. Os soldados de Alexandre encontraramas populações nativas do Vale do Indo bebendo o suco fermentado. E o açúcar foi da Macedônia para a Ásia, desembarcando na Europa Oriental. Em outros relatosgregos e romanos, a cana aparece  com muita frequência, comparada ao sal e ao mel, gêneros básicos da época. Importado a preços elevados, Heródoto chamou-o de mel manufaturado e Plínio de mel de cana, usado exclusivamente para remédio, como o mel de abelha. Era desde o século VII conhecido em Chipre, Creta e Rodes.
Os egípcios não tinham sacarose, mas consumiam o mel de abelha, assim como o açúcar das tâmaras, todos eles alimentos integrais, sem apresentar grandes problemas. Hipócrates nunca descreveu a Diabetes, a pior doença provocada pelo uso abusivo do açúcar. Quando o papiro de Ebers, um dos documentos médicos mais veneráveis, foi descoberto em Luxor, no Egito em 1872, os pesquisadores traduziram diversas prescriçõesde remédios para acabar com a passagem exagerada de urina. Embora este não seja um sintoma só da diabetes, historiadores médicos chegaram à conclusão de que os sintomas atribuídos à diabetessurgiram há mais de 3 mil anos.
Coube a um escritor romano do tempo de Nero registrar seu nome latino: Saccharum. Discorides descreveu-ocomo um tipo de mel solidificado encontrado na cana da Índia e Arábia, tendo consistência semelhante ao sal e desfazendo-se entre os dedos.
Atribui-seà Escola de Medicina e Farmacologia da Universidade de Djondisapour, a pérola do Império Persa, a pesquisa e desenvolvimento de um processo  de  refino do suco da cana, dando-lhe uma forma sólida, que poderia ser estocado, sem que fermentasse, o que facilitava o transporte e consequente comércio. Isso ocorreucerca do ano 600 d.C. quando os persas começaram a cultivar a cana. A China da dinastia T’ang, importava cones de mel, fervendo-o e acrescentando-lhe leite, para regalo imperial. Um pedaço era considerado uma rara e preciosa droga sagrada, nessa época de pragas e pestilência.
Enquanto o nome genérico- Saccharum - vem do latim; em sânscrito tornou-se khanda ou cande.
Como ocorreu com todos os impérios o Império Persa teve a sua ascensão e queda. Quando os exércitos do Islão  devastaram, um dos troféus foi a posse do segredo  do processo da cana, como medicamento. De Bagdá foi à Meca, passando os árabes a controlar o negócio do sacharum.
Após a morte de Maomé, o seu sucessor com alguns milhares de árabes partiu com a fé que remove montanhas, para subjugar o mundo inteiro.
Em 125 anos o Islã expandiu-se do Vale do Indo ao Atlântico e Espanha; da Cachemira ao Alto Egito. O califa conquistador levou da Pérsia, também os grãos de arroz, mudas de cana. Em breve o Islã descobriu várias doenças e forçosamente a Ciência e a Religião se separaram. Foram os primeiros povos a usar anestésicos, iniciaram a ciência Química, fizeram grandes avanços na Astronomia, redescobriram a Matemática, descobriramo álcool, aprenderam a trabalhar o metal, o vidro, a cerâmica, a tecelagem e o couro. Dentre todas as contribuições que legaram ao mundo civilizado, o açúcar teve um impacto maior.Foram os seguidores de Maomé, embora não conste do Alcorão, os primeiros a dispor de grande quantidade de açúcar, suficiente para suprir tanto a corte como as tropas com doces e bebidas açucaradas. Em breve começaram a perder a sua agressividade.
Os turcos e mouros foram os primeiros a sofrer as consequências do consumo exagerado de açúcar, comprometendo a intrepidez dos seus antepassados guerreiros.
Com a expansão do Islamismo o açúcar se tornou uma potente arma política. Em sua marcha para retomar os lugares sagrados das mãos dos infiéis, os Cruzados começaram logo cedo a consumir o condimento dos sarracenos. Alguns historiadores dizem que o objetivo das cruzadas não se limitava à conversão dos muçulmanos e sim a obtenção de riquezas, especiarias e, principalmente do açúcar, pois se os cristãos capturassem as terras do sultão, causariam grandes prejuízos àqueles povos e a cristandade teria seu suprimento garantido, a partir do Chipre. A cana também era cultivada em Morea, Malta e na Sicília.
As Cruzadas eram assim chamadas por terrm uma cruz, como símbolo emseus estandartes; era formada não só por cristãos devotos, mas por mercadores genoveses e venezianos, que transformaram essas excursões religiosas para atender interesses políticos e econômicos. A mais famosa foi a 3@, chamada Cruzadas dos Reis, pela  participação do rei da Inglaterra, Ricardo, Coração de Leão, do rei da França Felipe Augusto e Frederico Barbarroxo, imperador do Sacro-Império, além de príncipes e outros nobres.
A 8@ e última grande Cruzada terminou em 1270, com os cruzados sendo expulsos pelos turcos. A partir dessa época o papa Clemente V, exilado em Avignon, negara a permissão para mais excursões.
Os portugueses saíram à frentena primeira corrida europeia pelo açúcar. Os sarracenos, durante a ocupação haviam introduzido o cultivo da cana na PenínsulaIbérica, principalmente em Valência e Granada.
D. Henrique (1394-1460), explorando a costa ocidental africana, em busca de terras férteis para o cultivo da cana, longe dos árabes, não achou e que procurava; em compensação descobriu africanos em Lagos, levando para Sevilha 235 negros, vendidoscomo escravos e iniciando, assim, o comércio negreiro. De lá foram levados para as ilhas da Madeira e Canárias, soerguendo o Império Português.
Açúcar e escravidão eram as duas faces da Coroa Portuguesa. Por volta de 1476, Portugal detinha o monopólio do açúcar na Europa, seguido pela Espanha que, após a expulsão dos mouros ficara com as plantações de cana de Granada e Andaluzia. Os mouros invadiram a Península Ibérica entre os anos 711e 713 com a vitória do berbere TuriqueibnZiyard, que subjugou a Luzitânia e Cartaginense, saqueando as cidades do norte, denominando o território conquistadode al Garb-al–andalus. O reino cristão das Astúrias empreendeu uma guerra para a sua expulsão, fazendo no ano 754. No sul de Portugal, na Estremadura, desenvolveram-se em al-Usbuna (Lisboa) e Santarin (Santarém). No Baixo-Alentejo, Beja, Mertode e Algarves, onde a presença muçulmana se manteve por seis séculos. Suas marcas foram apagadas pela política cristã de “terra arrasada”, deixando poucos vestígios.
A Reconquista totaldurou quase toda a Idade Média e início da Moderna, quando foram definitivamente expulsos pelos reis católicos.
A cana, como já foi mencionada no texto anterior, foi introduzida na América, em 1493 por Cristóvão Colombo, por sugestão da rainha D. Isabel, sendo levados nativos para o cultivo nas Índias Ocidentais. A Rainha, por princípios religiosos era contra a escravidão, mas após a sua morte, D. Fernão autorizou-ae, em 1510, chegava o  primeiro contingente de escravos africanos para a florescente indústria açucareira. Entre 1444-46 sairam de Lagos 40 embarcações carregadas de africanos.Os povos nativos dessas regiões foram exterminados para a introdução do escravo africano.
No século XVI o açúcar era precioso, degustado apenas pelos convidados para as festas das Cortes. Em 1500 várias nações já estavam envolvidas no tráfico de escravos, multiplicando a produção de açúcar para a Holanda, Inglaterra, Alemanha, Países Bálticos e Espanha, cujos magníficos palácios foram construídos pelo rei Carlos V ao custo de milhares de vidas. A Inglaterra com a sua Armada dominava o mundo: as Ilhas Britânicas produziam, anualmente, 10 toneladas de açúcar. Em 1700 foi a vez da França. Tão logo os EUA se livraram da dominação britânica, e sem interesse em cultivar a cana em seu território, exportouo seu colonialismo para Cuba, colônia açucareira pobre. Em 1865, os EUA eram os maioresexportadores de açúcar do que todos os países produtores.
Na época do descobrimento do Brasil, o açúcar ainda era uma mercadoria escassa na Europa, que tinha o mel de abelha como único produto adoçante disponível, embora os portugueses já cultivassem a cana nas ilhasda Madeira e de Cabo Verde. Os holandeses faziam o mesmo nas Antilhas.
Pode-se dizer que no Brasil a indústria açucareira começou com a colonização do novo território pelos donatários das capitanias hereditárias. A primeira notícia acerca da intenção de instalar no Brasil a produção açucareira está num Alvará datada de 1516. Nele D. ManuelI ordenava que fossem dados machados, enxadas e todas as ferramentas aos povoadores e que fossem procurados homens práticos e capazes de dar início a engenhos  de açúcar.
Oficialmente a cana foi introduzida no Brasilpor Martim Afonso de Sousa, em 1532 que trouxe as primeiras mudas de cana, dando início ao cultivo em São Vicente, hoje São Paulo, onde foi instalado o primeiro engenho, ponto de partida para a indústria açucareira em nosso país.
Em 1535, Duarte Coelho consolidou a indústria no Nordeste, fundando em 1535 o engenhoNossa Senhora da Ajuda, em Pernambuco. Em seguida os engenhosproliferaram, principalmente em Pernambuco e na Bahia, usufruindo dos solos férteis, das águas dos rios ainda não poluídos e destruindo matas e enormes reservas florestais.  A madeira cortadapara abrir clareiras para os canaviais era usada para alimentar as fornalhas onde o açúcar  era obtido, fervendo o caldo em caldeiras e tonéis. Os métodos de derrubada da mata, plantio da cana e sua moagem eram muitos rudimentares: as queimadas empobreciam os solos e reduziam a produtividade, levando os donos de engenhos a adentrar as matas, apropriando-se de terras indígenas.
Em pouco tempo o açúcar se tornou o maisimportante produto  de exportaçãodo Brasil, mas foi uma das culturas agrícolas que causaram maior impacto na Mata Atlântica, no decorrer de quase cinco séculos. Cada tonel de açúcar enviado para Portugal ia manchado de sangue, inicialmente dos índios e depois dos escravos africanos.
Mesmo considerada uma lavoura baseada no latifúndio, na monocultura e na escravidão, o açúcar deu ao Brasil alguns dos valores culturaiscaracteristicamente nacionais.
A cana-de-açúcar nos traz lembranças de uma ocupação territorial devastadora do meio ambiente, provocando o desequilíbrio ecológico de diversas áreas, com o desmatamento desenfreado e a poluiçãodos rios e do ar.
Foi o açúcar que atraiu os holandeses que invadiram Pernambuco em 1630, conquistando Recife e Olinda. Dispondo de técnicas especializadas, os holandeses tendo como governador o príncipe Maurício de Nassau, incrementou e elevou a produção de açúcar na região conquistada. Os batavos também, tentaram conquistar oMaranhão, aqui demorando três anos, explorando os engenhos da ribeira do Itapecuru,  mas  após renhidas lutas foram finalmente expulsos.
Não obstante todo o progresso que trouxeram para Pernambuco, inclusive o início da fabricação de doces para consumo próprio e exportação, deixando suas marcas até hoje, foram  definitivamente  expulsos do território brasileiro, indo para as Antilhas holandesas onde introduziram as técnicas de produção de açúcar, aliando-se a produtores estabelecidos nas colônias francesas e inglesas da América Central, ameaçando desse modo,  as exportações brasileiras. Essa situação só foi modificada na segunda metade do século XVIII com as agitações políticase conflitos nacionais que levaram à independência das colônias europeias dessas regiões, voltando o Brasil a ser o maior produtor de açúcar, beneficiando-se, também com a abertura dos seus
portos às nações estrangeiras (1808)e com a Independência do Brasil, em 1822.
Atualmente o Brasil é o maior exportador mundial de açúcar, seguido da Índia e da Austrália. Há dez anoshavia no pais mais de trezentas usinas, dentre as quais cerca de cento e trinta só em São Paulo. Em média 55% da cana brasileira produzálcool e 45%, açúcar.
E na antiga Corte, mais tarde Distrito Federal e hoje Cidade Maravilhosa a natureza caprichou na ereção de um monumento em homenagem ao nosso ouro branco: o Pão de Açúcar.
A cana é atualmente cultivadano Centro-Sul e no Norte-Nordeste. Além do açúcar e do álcool de vários tipos, fornece energia elétricada queima do bagaço nas caldeiras, álcool hidratado para movimentar veículos, álcool anidro para melhorar o desempenho energético e ambiental da gasolina, e bebidas como a cachaça.O bagaço é transformado em ração animal e em aplicações industriais, na produção de papel, plásticos e produtos químicos. O vinhoto, antigo poluente,é atualmente empregado como fertilizante da própria lavoura da cana; também na recuperação de terras cansadas, aumentando, assim, a produtividade.
Nenhum produto, ao longo dos séculos foi alvo de tantas disputas e conquistas, como o açúcar, mobilizando pessoas e nações. Exerceu grande influência na a História Política do Mundo Ocidental sendo a mola propulsora de grande parte da História das Américas, embora carregue o estigma da mais cruel e infame formade tratamento dos chamados povos civilizados: a escravidão de homens.O rastro de sangue deixado pelo açúcar começou com a conquista da Pérsia pelos muçulmanos, destes pelos cristãos, nas Cruzadas, e por todo o Continente Americano, inicialmente dizimando os índios que se negavam a trabalhar nos canaviais e finalmente a escravização de quase todo o Continente Africano.
Os métodos modernos de fabricação de açúcar, trouxeram à humanidade doenças até então desconhecidas. O açúcar comercialnada é mais do que um concentrado de ácidos cristalizados. A perda de energia provocada pelo consumo no século XIX e por todo o século XX jamais poderá ser recuperada, tendo já deixado a sua herança, como carma na raça humana.
                                   
               VALOR NUTRITIVO DO AÇÚCAR

Assim como foi motivo de disputas em séculos passados, nestes últimos 150 anos, o açúcartem sido o alvo de controvérsias sobre o seu valor nutritivo. Vimos anteriormente que o homem obtém toda a glicose que seu organismo precisa de vegetais, principalmente defrutas e de cereais.
O açúcar brancoé o resultado de um processamento químico que consiste em adicionar à sacarose da cana, produtos como clarificantes, antiumectantes, precipitadores e conservantes, a maioria totalmente desconhecida e por isso é  considerado mais um produto quimicamente ativo, concentrado, resultante de uma síntese e não um alimento, pois não possui proteínas, fibras, nem vitaminas e sais minerais
Para metabolizar um produto extremamente concentrado, o organismo exige uma complementação química para digeri-lo. Por ser pobre em vitaminas e sais minerais, o açúcar vai exigir muito cálcio e vitaminas do complexo B do metabolismo de reserva. Descalcificante, desminaneralizante, desvitaminante e empobrecedor metabólico.
Autores como William Dufty considera o açúcar uma droga doce e vicianteque dissolve os dentes e os ossos de toda uma civilização, por seus efeitos  cumulativos, insidiosos, drenando a saúde lentamente.
Várias doenças são associadas ao uso do açúcar, como a formação de cáries, enfraquecimento dos ossos; danos à mucosa do estômago, prejudicando o equilíbrio enzimático gástrico.
Sua presença em quantidades elevadas no estômago e no sangue estimula as ilhotas de Langherhans do pâncreas responsável pela liberação da insulina. Com o tempo o órgão sobrecarregado se desgasta e cessará a produção dessa enzima,responsável pelo transporte da glicose às células. E a consequência é a Diabetesmellitus.O açúcar é rapidamente absorvido no intestino, contribuindo para diminuir as suas funções, provocando prisão- de- ventre e atonia.
Produz, também, alterações metabólicas no fígado, responsável pelo armazenamento e liberação da glicose.
No cérebro pode provocar distúrbios psicomentais, pois este órgão necessita de um perfeito equilíbrio neuro-hormonal e de um suprimento adequado de glicose.Diminui o apetite para o alimento natural e contribui para a obesidade.
O açúcar é chamado por alguns pesquisadores calorias vazias, pois não possui os nutrientes essenciais para o nosso organismo, somente excesso de calorias que o prejudicam.
O açúcar refinado fornece 387 kcal; 99,9mg de carboidratos; 2mg de fósforo; 2mg de potássio; 0,040mg de cobre; 1,0mg de cálcio; 0,020mg de vit B1. Não apresenta, na sua composição, as vitaminas B1 e B6, assim como magnésio
 O Livro Negro do Açúcar relaciona 147 doenças atribuídas ao açúcar comum.
                        
            COM AÇÚCAR E COM AFETO

Existem vários estudos feitos, associando o consumo excessivo do açúcar à carência afetiva. É comum as mães sem tempo de dar carinho e atenção aos filhos fornecer-lhes uma boa dose de chocolate para substituir o afeto. Os rapazes quando brigam com suas namoradas, costumam mimá-las com chocolates, como forma de desculpar-se.
Nem sempre o açúcar age como vilão. Quem nunca ouviu a frase: “traz um copo d’água com açúcar”para tranquilizar, reduzir o estresse, a ansiedade, refazer de um susto, acalmar uma crise nervosa passageira?
O açúcar é um dos componentes do soro caseiro que tem salvado muitas crianças desidratadas. Coadjuvante no tratamento da dependência química para aliviar nos casos de abstinência, diminuindo acompulsão das drogas.