MOEMA

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PAPIRUS DO EGITO

segunda-feira, 25 de julho de 2011

QUEM FOI INÁCIO JOSÉ PINHEIRO ?

                                                Parte  I

O nome de Inácio José Pinheiro está intrinsecamente ligado às origens da nossa cidade, batizada com o nome Pinheiro, em sua homenagem e, também, à adoção do nosso gentílico e na escolha do nosso Padroeiro.
Embora de modo equivocado, desde o Curso Fundamental aprendemos que Pinheiro foi fundada por Inácio Pinheiro, em 3 de setembro de 1856. Equivocada, porque essa data nos remete não à fundação e sim à elevação do povoado à Vila, graças ao empenho de vários próceres, já nomeados pelo confrade Aymoré de Castro Alvim, em textos publicados, em artigos no jornal “Cidade de Pinheiro” e em dois dos seus livros:” Pinheiro em foco “e” Contos e Crônicas de um pinheirense”. Por outro lado, não houve uma fundação porque àquela época, como colônia portuguesa, obedecíamos estritamente às Ordenações Filipinas, conjunto de leis do Reino de Portugal, que não permitia criação de vilas, aldeias ou povoados, limitando e tolhendo a autonomia das autoridades representativas de El Rei e punindo rigorosamente os infratores.
Entretanto, uma ficção mais atraente geralmente suplanta uma realidade menos ilustre. De tanto ensinar-se e repetir-se que Pinheiro originou-se de uma fazenda de gado de propriedade do Capitão-mor de Alcântara, Inácio José Pinheiro, essa fábula foi se impondo como verdade, imprimindo caráter real e incorporando-se ao nosso imaginário e no cabedal de conhecimentos adquiridos nos bancos escolares.
Quando a Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências (APLAC) foi criada, em 2005, um dos primeiros artigos estatutários se propõe a resgatar a verdadeira história da instalação de Pinheiro, desde os seus primórdios,  visando  de maneira clara e definitiva situar esse episódio em seu contexto histórico, para entender-se a sua trajetória nos campos econômico e sócio-cultural, com vistas a uma  melhor  compreensão  das dificuldades do presente e implementação adequada de medidas acertadas. Acreditamos que, ao conhecer a nossa origem, recuperaremos a nossa auto-estima, sem recorrer a mitos criados tão-somente para conferir dignidade e significação à existência humana.

QUEM FOI INÁCIO JOSÉ PINHEIRO ?

                                     Parte II               
Vamos, pois, retroagir aos primeiros decênios do século XIX para sabermos um pouco mais da vida de Inácio José Pinheiro.
Dados biográficos – Português natural da freguesia de Nossa Senhora da Encarnação, patriarcado de Lisboa, Inácio José Pinheiro nasceu em 1755, filho de José Antônio Pinheiro e Feliciana Joaquina da Piedade.
            A sua vinda para o Brasil deu-se, provavelmente, em 1785. As primeiras referências sobre a sua presença, na Capitania do Maranhão, segundo Aymoré Alvim, datam de 1788 quando servia na Força Militar da Vila de Alcântara, no posto de Capitão do Regimento de Milícias. Nesse ano, fez um requerimento à Rainha de Portugal, D. Maria I, solicitando carta de confirmação de dacta de uma sesmaria na zona do Periaçu, declarando-se negociante lavrador, possuidor de bens e de muitos escravos. Outras solicitações foram feitas à Rainha, pedindo o tombamento e demarcação dessas terras, em 1796. A partir de 1799, solicitou o seu provimento, no posto de tenente-coronel de milícias da Vila de Santo Antônio de Alcântara, e a condecoração com o Hábito de Cristo ou a de São Bento de Avis.
Renovou, em 1800, o seu pedido a D. Maria, isto é, a sua promoção ao posto de tenente-coronel de milícias do regimento de Alcântara, pretensão essa barrada pelo Governador D. Diogo de Sousa.
Casou-se, em 1805, com dona Isabel de Barros Travassos, viúva de Pedro Franco, incorporando ao seu patrimônio muitas terras, grande escravatura e objetos valiosos, o que fez multiplicar os seus negócios e ampliar a sua influência política.
Concorreu, no ano de 1802, conforme relata Aymoré Alvim, ao cargo de Capitão-mor e Comandante dos Corpos de Ordenanças, vago com a morte de Francisco Xavier Nunes Fernandes que o ocupara após o restabelecimento do referido cargo, a partir de 1795, até então  substituído pelos  Mestres de Campo.
As funções consistiam em recrutar civis para a formação das tropas auxiliares que constituíam os Corpos de Milícias. Os Corpos de Ordenanças ou paisanos armados eram formados por homens de 18 a 60 anos, sob o comando de um Capitão-mor, e eram responsáveis por algumas funções como cobrar taxas dos moradores, para arcar com determinados serviços públicos (recuperação de pontes, construção de aterros, desobstrução de rios e canais), distribuir e fazer cumprir as ordens do Governador e o mais importante, a manutenção da ordem em todos os domínios da Vila e dos seus Termos, sob sua jurisdição.
Inácio José Pinheiro fez parte de uma lista tríplice, concorrendo com José Inácio Pinheiro e Ascenço José da Costa Berredo, todos cidadãos de grande projeção na Vila  de Alcântara.
Embora o cargo não fosse remunerado, aqueles que o ocupavam deveriam  possuir grandes recursos financeiros e reputação ilibada e, para compensar a falta de vencimentos, gozavam de certos privilégios, honrarias e isenções, além da vitaliciedade.
Proprietário de terras desde 1788, Inácio José Pinheiro atendia a todos esses requisitos, pois além de ser considerado homem de posses, desfrutava de grande conceito na sociedade local. Escolhido dentre os três, foi nomeado, interinamente, pelo Governador  D. Diogo de Sousa, sendo eleito mais tarde pelo Senado, cujo ato foi confirmado no ano seguinte (1803) pelo Príncipe Regente D. João. Nesse mesmo ano, Inácio Pinheiro foi nomeado Capitão dos Caçadores.

QUEM FOI INÁCIO JOSÉ PINHEIRO ?

                                     Parte III
Em 1806, segundo Aymoré Alvim, o Capitão se dirigiu aos campos do Pericumã, atendendo ordens do Governador, D. Antônio de Saldanha da Gama, para dirimir conflitos entre algumas famílias de índios que viviam dispersos em conflito com posseiros. Acusados de roubos de animais pertencentes a estes povoadores que, na verdade, eram pequenos lavradores/pescadores que se deslocavam do Tury para o porto de Santa Cruz para comerciar peixe salgado, produtos agrícolas, óleos vegetais, mel, peles de animais silvestres, aves domésticas com negociantes procedentes de Guimarães e Alcântara, os índios foram dar a sua versão à autoridade responsável por sua defesa, na Vila de Alcântara, alegando que os seus roçados eram invadidos por animais dos posseiros.
Já experiente em resolver esse tipo de litígio, pois fora ele encarregado de dar uma solução a situação semelhante, em Anadia, próximo a Viana, o Capitão Inácio Pinheiro deslocou-se para os campos do Pericumã, para escolher, na região conflituosa, uma área para acomodar  as famílias dos índios.
Certamente o capitão levou numerosos homens que compunham as tropas sob o seu comando para os trabalhos de reconhecimento, medição e de demarcação das terras, conduzindo carroças  e bestas de carga com víveres, animais de abate para alimentação das tropas, os utensílios necessários para a preparação dos alimentos, os apetrechos usados nos trabalhos de mensuração,  as ferramentas indispensáveis para desmatamento, abertura de poços e obtenção das pedras com as quais se faziam as demarcações. E, também, alguns escravos seus.
Provavelmente, após a escolha do local, um retângulo balizado pelos Outeiros de Santana (Finca) e de São Carlos e próximo a um curso d’água (Faveira), ergueram as barracas do acampamento e aí devem ter permanecido várias semanas ou meses, até a finalização dos trabalhos de demarcação (antes da confirmação da doação as terras deveriam ser devidamente demarcadas).
Concluídas essas tarefas, com o entendimento das partes pela mediação do conflito, o Capitão e seus subordinados retornaram à Vila de Alcântara, para os seus afazeres e suas famílias.
No ano seguinte, 1807, conforme relata Aymoré Alvim, o Capitão entregou o seu relatório ao então Governador, D. Francisco de Mello Manuel da Câmara, comunicando-lhe que, na data de 23 de novembro de 1806, cumprindo ordens do seu antecessor, Governador Antônio de Saldanha da Gama, estabeleceu uma povoação entre as vilas de Alcântara e Guimarães, com a denominação Lugar do Pinheiro para ali viverem e roçarem algumas famílias de índios dispersos. Informou, também, que para a subsistência das mesmas, demarcara uma área de três léguas de comprimento por uma de largura (área essa limitada pela Provisão de 1753) e, por já existirem alguns povoadores cultivando aquelas terras, solicitou-lhe que fosse passada carta de doação das mesmas para o patrimônio da povoação (como Capitão-mor não tinha poderes nem competência para doar sesmarias).  A carta de doação foi expedida, em 13 de maio daquele ano, concedendo as referidas terras por Dacta e Sesmaria às famílias dos índios ali estabelecidos para que as possuíssem como coisa sua e de seus descendentes.
Ainda nômades e desprovidos do senso de propriedade, em razão do tipo de agricultura que praticavam, esgotando as terras pelo uso indiscriminado do fogo e a não rotatividade das culturas (até hoje esse método, infelizmente ainda é usado), tão logo as terras se tornavam improdutivas, os índios procuravam outras para novas roças. Enquanto, isso, os lavradores se apossavam das áreas abandonadas, recomeçando e expandindo as suas transações comerciais com os negociantes de Guimarães e Alcântara.
Em 1817, com mais de 60 anos, obeso, hipertenso,  provavelmente diabético e com dificuldade de deslocar-se com as suas tropas, o que era feito a cavalo, foi nomeado Juiz de Órfãos, pela lei, cujas atribuições consistiam em fazer inventários e partilhas, cuidando dos direitos dos ausentes e de outras competências.
Com a Corte já instalada, no Brasil, em 1818, D. João VI permitiu-lhe o uso do honroso brasão de armas, concedido  aos  seus antepassados ilustres.
           No mês de março de 1820, na sua residência, em Alcântara, faleceu o Capitão mor aos 65 anos, sem prever que no local por ele escolhido e demarcado como sesmaria doada a índios, para dirimir conflitos de ordem fundiária e natureza étnica, surgiria uma  das cidades mais prósperas e ordeiras do Estado do Maranhão que perpetua, honra e dignifica o seu nome.
            * Moema de Castro Alvim - APLAC

quarta-feira, 6 de julho de 2011

PINHEIRO: ONTEM, HOJE E AMANHÃ.

 José Márcio Soares Leite*
               O livro recentemente publicado pelo médico professor e acadêmico Aymoré de Castro Alvim, da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências (APLAC), intitulado “Contos e Crônicas de um Pinheirense”, evoca-nos lembranças e recordações de fatos ocorridos em Pinheiro e nos inspira a retratar a história desse município da Baixada Maranhense, destacando pontos marcantes de sua historicidade.
                Segundo a pesquisa de Aymoré, no livro Pinheiro em Foco, a história do município abrange o período que vai desde a sua fundação até a sua emancipação como vila, ocorrida no século XIX. Na obra narra a origem da querida terra natal, sua gente, sua cultura, sua religião, sua etnia, sua economia e sua organização político-institucional.
           O Pinheiro de hoje está muito bem reproduzido no livro Lugar das Águas, Pinheiro 1856-2006, do Acadêmico da APLAC e engenheiro José Jorge Leite Soares, em que narra, com muita propriedade, o movimento conhecido como “Movimento Cultural Pinheirense”, iniciado em 1921, graças a Elizabetho Barbosa de Carvalho, Clodoaldo Cardoso e Brasiliano Adônico de Castro Barroca, com a fundação do jornal Cidade de Pinheiro. Na década de 20 e ainda por feliz iniciativa dos dois primeiros fundadores do movimento, aliados a Josias Peixoto de Abreu, surgem o Instituto Pinheirense, seguido da Escola Normal, do Grupo Escolar Odorico Mendes, do Teatro Guarani e da Biblioteca Popular, esta por iniciativa de Domingos de Castro Perdigão.
            A criação da Prelazia de Pinheiro, em 1939, representou o coroamento da  luta do Padre Newton Inácio Pereira, pinheirense dos mais brilhantes e grande orador sacro. Igualmente importante foi a chegada a Pinheiro, em 1946, de sete padres e um frei italianos, chefiados pelo Monsenhor Afonso Maria Ungarelli, os quais, além da educação religiosa, legaram a Pinheiro a primeira escola de ensino fundamental, de quinta à oitava série, o Ginásio Pinheirense, e o Hospital Nossa Senhora das Mercês. 
                  Nesse período ocorreu intensa atividade comercial com a imigração de  portugueses para Pinheiro,  os quais ali radicaram-se, constituíram famílias e aliaram-se ao trabalho de inúmeros comerciantes locais, incrementando a base do crescimento econômico do município.
        Na segunda metade do século XX, tiveram destaque o Centro Cultural da Mocidade de Pinheiro ou Academia dos Novos e a Associação Cultural Recreativa e Educacional de Pinheiro (ACREP).
               No livro A Saga de um Lutador, do Parnaiba ao Pericumã, onde escrevi a biografia de meu pai Orlando Leite, rememoro alguns acontecimentos por mim vivenciados na infância e adolescência em Pinheiro, abordando fatos da política local e   o quadro da saúde no município, naquela época, mostrando a importância do trabalho desenvolvido pelo médico Manoel Estrela, que, mesmo sem contar com os recursos da medicina de hoje, salvou muitas vidas.
             Marcos históricos recentes foram a fundação da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências - APLAC, no dia 23 de novembro de 2005, e a instalação dos Campus  das Universidades Federais e Estadual do Maranhão.   
         O município de Pinheiro de amanhã, contudo, reclama pela implantação de um parque agroindustrial, a exemplo do que foi instalado no município de Gurupi, no sul do Estado do Tocantins, já que a economia de Pinheiro  ainda se escora na pecuária e na pesca, rudimentarmente exploradas. Até hoje não houve fomento ao turismo, apesar  da beleza de seus campos banhados pelo Pericumã, de modo a abrir novas oportunidades de trabalho e renda à população economicamente ativa. Com certeza, os jovens  universitários pinheirenses  irão levar adiante nossos sonhos de melhores dias para o povo pinheirense. É o que deles esperamos.
*Professor Doutor em Ciências da Saúde, Presidente da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências (APLAC) e Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (I.H.G.M.).
Publicado no Jornal O Estado do Maranhão de 26/06/11, domingo.













terça-feira, 28 de junho de 2011

O MOVIMENTO CULTURAL DE 1920

Aymoré Alvim - APLAC, IHGM.
            Até o fim da segunda década do século XX, Pinheiro era um lugar pacato, a não ser pelas animosidades políticas, no período eleitoral, entre Conservadores e Liberais que de alguma forma, como relata Viveiros, J., intranqüilizavam o sossego dos pinheirenses, quebrando a monotonia que dominava o cotidiano da vila. Tais querelas chegavam a segregar algumas famílias em suas casas, enfraquecendo ou até mesmo rompendo laços de amizade e de parentesco.
            As oportunidades que muitas famílias tinham para alguns momentos de congraçamento eram poucos e periódicos como o carnaval, a festa do Divino, as festas juninas, do padroeiro Santo Inácio e de Natal com as pastorais.
            Mas, naquela época, no limiar da terceira década, Pinheiro experimenta uma grande mudança. Um conjunto de atividades e realizações começaram a ocorrer constituindo o início de um movimento que iria se estender até nossos dias, o “Movimento Cultural de 1920” ou “ Movimento Cultural Pinheirense” que foi a base do desenvolvimento cultural de Pinheiro que o tem distinguido, até hoje, como o centro cultural da Região onde está inserido
            Tudo teve início com a reativação da Comarca e o retorno do Juiz Elizabetho Barbosa de Carvalho como seu titular. Coincidência ou não, ocorreu a elevação da Vila à categoria de cidade pela Lei nº 911 de 30 de março de 1920.
            Vários nomes locais e procedentes de outros lugares, ao lado do Dr. Elizabeto, desencadearam o processo como Clodoaldo Cardoso, Carlos Humberto Reis, João Hermógenes de Matos, Othon Franco de Sá, Brasiliano Barróca, José Paulo Alvim, Antônio Pedro de Sousa, Alberto Serejo, Albino Paiva, Josias Abreu, Raimundo Silva, Domingos de Castro Perdigão Alcides Reis, George Gromwell, e as Senhoras Fausta Carvalho, Alice Soares, Dona Santa Cruz, Raimunda Nogueira que tiveram participação ativa na arrancada do Movimento.
            O marco inicial foi a fundação em julho de 1920 da Loja Maçônica Renascimento e Pinheiro, nome bastante sugestivo face aos objetivos a que propunha de reunir pinheirenses, em laços fraternais, de forma a reduzir ou mesmo acabar as querelas políticas alimentadas por alguns.
            Logo no ano seguinte, o Dr. Elizabetho, Clodoaldo Cardoso e Josias Abreu, com a ajuda financeira da família pinheirense, fundaram, em 25 de dezembro, o Jornal Cidade de Pinheiro, atualmente, o mais antigo em circulação, no Estado.
            Oferecendo espaço para a produção intelectual e movimentos culturais, o jornal tem sido um instrumento de grande valor para a promoção do município e dos municípios circunvizinhos. Nessa mesma linha, José Alvim, em 1925, fundou “A Vanguarda” o segundo semanário a se integrar ao Movimento deflagrado, ampliando, assim, maior espaço na imprensa local e regional. A direção foi confiada ao jornalista George Gromwell.
            Uma outra atividade constante da política de ação do Movimento foi a educacional. Em junho de 1921, o Dr. Elizabetho com outros companheiros fundou através do Sport Club Guarany uma Escola Noturna gratuita com 70 alunos de ambos os sexos. Logo no ano seguinte, em 1º de julho de 1922 era instalado o Instituto Pinheirense com os cursos de primeiras letras, primário e secundário também para ambos os sexos sob a direção do Dr. Elizabetho.
            Ainda nessa década, o grupo tendo à frente a Maçonaria fundou em maio de 1925 a Escola Antônio Souza para crianças pobres. A Escola Normal foi um sonho realizado em 1925 e em fevereiro de 1927 era fundado o primeiro Grupo Escolar Estadual, em Pinheiro, em homenagem a Odorico Mendes.
            O Movimento não se deteve aí. Tendo por sede provisória a residência do Capitão João Batista Soares, foi fundado em fevereiro de1925 a Sociedade Cívico-teatral recreativa Casino de Pinheiro. Era mais um ambiente de lazer e entretenimento posto à disposição dos pinheirenses com vista à sua promoção cultural.
           

domingo, 26 de junho de 2011

TRAJETÓRIAS ENTRELAÇADAS

              No período escolar de 1960 (àquela época de março a dezembro), morei no sobradão que pertencera a João Victal de Mattos. Nesse tempo, era propriedade e residência do Dr. Tancredo Mattos, seu sobrinho e herdeiro. A sua família estava constituída  por sua esposa, D. Esther (minha madrinha), e pela filha única do casal,   a Professora  Zaíde Mattos. Com eles residiam Marita, uma garota de 5 anos e sua mãe Conceição. Ambas gozavam do carinho e atenção da família.
Quando conclui o curso ginasial, em Pinheiro, a minha mãe escreveu à sua comadre Ester, solicitando-lhe verificar a  possibilidade  de  me hospedar na sua casa  a fim de cursar o científico, aqui em São Luís.
Naquele tempo, a escolha dos padrinhos dos filhos se constituía  em uma grande honraria, principalmente, no meu caso, filha única de José Paulo Alvim. Não era apenas simples cortesia e sim um reforço dos vínculos de amizade existentes desde a época de João Victal.
Acertados, por carta, os detalhes entre minha mãe (meu pai já havia falecido) e os Mattos sobre o pedido de hospedagem, chegara a hora de conhecer as madrinhas.  O meu Batismo foi realizado em Pinheiro por D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, então Bispo de São Luís, em Visita Pastoral. Na impossibilidade da ida de dona Ester, fui levada à pia batismal por minha avó materna Raimunda Reis Castro que a representou.  A professora Zaíde fora escolhida para madrinha de Crisma, o que só aconteceu, no decorrer daquele ano da minha chegada a São Luís, na Igreja da Sé, oficiada pelo Pe. Constantino Vieira.
Ao chegar à casa dos Mattos, fui alojada num dos quartos  cujas janelas se abriam para a rua  da Palma.  
Em 1960, era ainda um sobradão imponente, com móveis e  guarnições dos antigos moradores, situado à Rua João Victal de Mattos, antigo Beco da Pacotilha e, numa época mais remota, Rua do Quebra Costas,  esquina com a Rua da Palma ou Herculano Parga.

Nos altos,  havia a residência da Família Mattos.
Na parte frontal, o térreo tinha cinco portas, sendo a do centro, usada como entrada social, de madeira almofadada e protegida por um portão de ferro  caracterizado por um bonito trabalho de serralheria. As largas portas, à esquerda, davam acesso ao Laboratório, enquanto as duas à direita serviam de entrada para a Farmácia e Drogaria.
Na parte superior, os cômodos de frente, separados por um vestíbulo,  mantinham, ainda, o charme requintado dos irmãos Mattos. No salão da esquerda ficava a biblioteca, cujas paredes eram totalmente revestidas por  estantes repletas de livros com capas, primorosamente, encadernadas e  personalizadas, de autores franceses, principalmente, e portugueses, em primeiras edições. Nesse cômodo, era onde estudava e preparava as minhas tarefas escolares, geralmente à tarde, usando uma escrivaninha ao estilo francês. Sobre ela havia um porta-caneta de bronze, antigo e valioso e mata-borrões.
O salão à direita, geralmente fechado, era aberto só em ocasiões especiais. Dominava o ambiente um piano no qual Omar Naufel, vizinho e amigo da família, tocava belas melodias francesas e italianas, para deleite dos anfitriões e convidados, nos frequentes saraus que costumavam ocorrer aos sábados. Assíduos frequentadores dentre outros eram o padre Pedro Tiddei, colega da Profa. Zaide, no Curso de Letras; o Prof. Antonio Araujo Martins, então Diretor do Liceu, e a família do Dr. Geraldo Melo, médico da família e professor de Microbiologia das Faculdades de Farmácia e de Ciências Médicas. Marcava sempre presença Ilka Campelo, aluna do Colégio Santa Teresa, filha de conterrâneos do Dr. Tancredo.  Havia, também, na sala, um conjunto de palhinha, ainda  bem conservado  e mesinhas de jacarandá sobre as quais se distribuíam cinzeiros, candelabros  e estatuetas de bronze, jarros e biscuits primorosos de porcelana chinesa, iluminados por um belo lustre de cristal.
As alcovas ficavam nos cômodos após esses salões. A sala de estar e jantar ficavam num só salão, também chamado de varanda. No ambiente reservado às refeições, além de uma bonita mesa com  8 cadeiras, via-se uma cristaleira com as taças e  copos para todos os tipos de bebida. Na parte inferior,  a prataria: talheres, baixelas, bandejas, paliteiros e um bonito serviço de jantar (travessas, pratos e sopeiras de porcelana  com pinturas delicadas)  e um de chá. No lado oposto duas cadeiras de embalo (austríacas).
Na ala esquerda da varanda, a eletrola, a mesinha com o  telefone, raro na época (só quatro números), e cadeiras esparsas para as visitas se distribuíam. O Dr. Tancredo passava a maior parte dos sábados e domingos numa dessas cadeiras, usadas, também, para a sesta e, à noite, para esperar o sono. Dessa varanda saia uma escada ligada à Farmácia.
O corredor largo, aberto, dava acesso a três outros dormitórios  com janelas para a rua da Palma e à copa-cozinha, de onde saia outra escada que levava ao Laboratório.
Por essa época, trabalhava na firma, como escriturária, a Sra. Raimunda Coelho, pinheirense, falecida há uns seis anos e  a última remanescente da turma da Escola Normal  de Pinheiro, inaugurada e fechada, no ano de 1925. Em 1929, essa senhora foi eleita a primeira Miss Pinheiro, candidata patrocinada pela Farmácia  do meu pai.
Um pouco por discrição e mais por timidez, raramente eu descia ao laboratório. Porém, nas poucas vezes que o fiz, ficava fascinada com a profusão de equipamentos, a grande variedade da vidraria, o cheiro que emanava dos recipientes nos quais as ervas medicinais eram maceradas para  posterior decocção e extração dos princípios ativos. Alambiques, destiladores, retortas, balões de vários tamanhos, almofarizes, béqueres, erlenmeyers, provetas, funis, kitasatos, buretas  e balanças, .  Nunca esqueci os potes de porcelana para ervas desidratadas, as caixinhas para as pílulas, os frascos de vidro transparentes e de cor âmbar, estes para impedir a passagem da luz, evitando, assim, a oxidação das tisanas, dos elixires, dos vinhos. Em todo o laboratório, junto aos odores exalados dos remédios em processo de fabricação, sentia-se a presença de João Victal, o seu espírito criador, a sua  perspicácia,  liderança e  inteligência  que o tornaram o pioneiro na industrialização de fármacos no Maranhão.
E fora, naquela época, que aquilatei a influência que João Victal  exercera  sobre o meu pai. A aquisição desses materiais, a organização dos mesmos, a paixão pela manipulação.
E não fora somente no aspecto profissional: com os irmãos Mattos, papai passou a gostar e apreciar as coisas boas e bonitas que o dinheiro pode comprar. O bom-gosto na escolha dos seus móveis, o cuidado na decoração e manutenção da sua casa, embora, a essa época ainda solteirão, os cuidados com a higiene pessoal, o tom afável com que tratava ricos e pobres, a etiqueta seguida à risca, o modo como obsequiava seus hóspedes e convidados eram suas principais características.
E eu, sua filha, aos 18 anos, tive o privilégio de residir por vários meses, como hóspede, na mesma casa em que meu pai chegou como simples aprendiz. Inicialmente, lavando frascos, depois manipulando os remédios,  saindo  com apenas 18 anos  cheio de sonhos e planos com um certificado de Prático de Farmácia, conferido e autenticado por João Victal de Mattos  e mais tarde (1930) revalidado pelo Presidente Vargas. 
Anos mais tarde, já estabelecido em Pinheiro, como boticário, proprietário da Farmácia da Paz, a mais conceituada da região, papai passou a  freqüentar aquela casa, como cliente, amigo e, mais tarde, como compadre, sempre que vinha a São Luís.
                                                 São Luís, 22 de junho de 2011
                                                     Moema de Castro Alvim

sexta-feira, 24 de junho de 2011

ACADÊMICOS FUNDADORES, SUAS CADEIRAS E PATRONOS



CADEIRA
ACADÊMICOS
PATRONOS
01
José Sarney
Clodoaldo Cardoso
02
Jurandy de Castro Leite
Sarney Costa
03
Moema de Castro Alvim
José Paulo de Carvalho Alvim.
04
Aymoré de Castro Alvim
Odilon da Silva Soares
05
José Jorge Leite Soares
Francisco da Costa Leite
06
Antônio Carlos Beckman
João Corrêa Beckman
07
José Agnaldo Pereira Mota
José Floriano Mota
08
Sandra Leite Mendes
Almir Silva Soares
09
Joana Maria Bittencourt
Beto Bittencourt
10
Aderaldo dos Santos Alves
Domingos de Castro Perdigão
11
Paulo Oliveira
Afonso Maria Ungarelli
12
José Márcio Soares Leite
Orlando da Silveira Leite
13
José Ribamar Seguins
Antônio Euzébio da C. Rodrigues
14
Erivaldo Pereira Moreira
Honório Joaquim Ribeiro
15
Napoleão do Carmo Cardoso e Silva
Abraão do Carmo Cardoso e Silva
16
Abílio da Silva Loureiro
José Maria de Jesus Marques
17
Francisco José de Castro Gomes
Elizabetho Barbosa de Carvalho
18
Lourival de Castro Gomes
Newton Pereira
19
Antônio do E. Santo Trinta Trindade
Antenor Freitas de Abreu
20
Flory Moraes Costa
Isidoro Alves Pereira
21
Maria da Graça Moreira Leite
João dos Santos Moreira
22

Almir Lima e Silva
23
Tarquínio de Castro Leite
Cloves Moraes
24

Carlos Paiva
25
Pedro Alexandrino Bastos
Josias Peixoto de Abreu
26
Cleber Mendes Silva
Hélio João da Costa
27
César Augusto Castro
Wilson da Silva Soares
28
Evandro Sérgio Moraes Pereira
Mariano Chagas
29
Maria Rita Lobato Gonçalves
Antônio Carlos Pereira Lobato
30
Aurelina Catarina Amorim
Ricarda de Araújo Sodré
31
João Batista Pessoa
Alice Guterres Soares
32
Deusdedit Carneiro Leite Filho
Oswaldo da Silva Soares
33
Manoel da Conceição Silva
Waldemir Guterres Soares