MOEMA

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PAPIRUS DO EGITO

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A CAPITANIA DE CUMÃ - PARTE I

A área da antiga Sub- Capitania de Cumã é de 23.478,0 Km², abrangendo as atuais
Regiões da Baixada, com 21 municípios, excetuando o município de Santa Helena (2.538,9km²),
cujo território pertencia à Sub- Capitania de Caeté e Anajatuba (1.137,6Km²), incluída na
Capitania do Maranhão, perfazendo uma área de 17.956,6 Km² e a  Região Litoral Ocidental,
com 9.197,9 Km², onde se situam  13 municípios (dados do IBGE).
A Região da Baixada  compreende os baixos cursos dos rios Mearim e Pindaré e médios e baixos cursos  do Pericumã e Aurá e outros pequenos rios de menor  importância, como o Anajatuba, Uru e Cururupu. O mais importante, no entanto,  é  o Rio Pericumã, com  uma bacia hidrográfica de 4.500Km²,  que tem a sua nascente na lagoa Bujiritiva, atualmente pertencente ao  município de Pedro do Rosário, próximo à zona rural de São Bento. Após percorrer quase 115,51km  deságua na Baia de Cumã, próximo à cidade de Guimarães. A maior parte do seu percurso é feito através dos campos da Baixada, sendo alimentado por importante complexo lacustre formado por diversas lagoas e lagos, como Cafundoca, Laguinho, Lago Grande, Faveira. Quanto à navegabilidade as embarcações podem chegar até Pinheiro, cerca de  50 km da sua foz. As marés salinas penetram através do seu estuário, causando grande mortandade de peixes. Em 1978 foi construída pelo DNOS  uma barragem para tentar minimizar essa ação. Os campos do Pericumã, planos, constituídos por depressão preenchida por sedimentos quaternários ainda em formação,  com solos areno-argilosos,  devido ao transbordamento  do rio Pericumã e dos numerosos lagos,  no período chuvoso (janeiro-julho),ficam  inundáveis,  propiciando  o crescimento de uma vegetação diversificada em ciperáceas e gramíneas,  rica e úmida, formando excelentes  pastagens que e foram aliados valiosos no desenvolvimento do município de Pinheiro, cuja economia se baseia  na pecuária de bovinos, suínos e, após a década de 1960, de bubalinos.
Parte da  Baixada Maranhense, cujo povoamento remonta há  milhares de anos,   deu-se  às margens  dos grandes lagos como o de Cajarí,  comprovado através de pesquisas feitas pelo cientista Raimundo Lopes, baseadas em relatos do Cel. Bernardino Pereira Lago, em 1820 e de Celso Magalhães, teve a sua  economia desenvolvida  em torno das suas  bacias lacustres, que formam um dos complexos mais importantes do Maranhão, graças ao seu grande potencial  hídrico. Esses lagos, como o Maracu (Viana),  Acará (Monção)Lago-açu (Conceição do Lago-Açu) Apuí,Aquari,Aquiri, Cajarana (Viana) Formoso  (Penalva), Itaus (Matinha), Lagos, Laguinho e da Morte (Arari) ,  Verde, Carnauba, Jatobá, ligam-se aos rios, alimentando-os com as suas águas, através  de estreitos canais. O sistema lacustre Viana-Cajarí  integra a bacia do rio Pindaré. Nos dias atuais, grande parte dos projetos agropastoris, de psicultura e de irrigação  ali implantados cumprem  relevante papel  no desenvolvimento sócio-econômico da  Região.
A Capitania de Cumã,  hereditária pelo sistema jurídico então vigente, durou 127 anos,quando, a partir de 1754, com a extinção dos direitos dos sucessores do Des. Antônio Coelho de Carvalho,  o último dos quais, Francisco de Albuquerque Coelho de Carvalho, após negociações com a Coroa por  permuta de terras em  Portugal, títulos e outras honrarias, foi  reincorporada à Coroa, tornando-se real. O seu primeiro proprietário foi Francisco Coelho de Carvalho, que a recebeu em 1629, doando-a ao seu sobrinho  Des. Antonio Coelho de Carvalho, em 1639. Essa anexação foi feita através da Carta Régia de 01/6/1754, a qual o brigadeiro dos reais exércitos , Gonçalo Pereira Lobato de Sousa, então Governador do Maranhão, apôs o “cumpra-se” dirigindo-se,  em companhia do ouvidor-mor Manuel Sarmento, à Alcântara, para a posse da referida donataria, em nome de El Rei. Até o ano de 1700 das 18 capitanias doadas no início da colonização, 13 já haviam revertido à Coroa. A última integração deu-se em 1759 com a Capitania de São Vicente.
 A anexação de Cumã e das outras capitanias secundárias e ainda hereditárias que pertenciam ao Estado do Maranhão  e Grão-Pará, como  Caeté, Camutá e Cabo Norte, atendia a interesses superiores da Metrópole, a esse tempo sob o reinado de D.José I, que assumiu o governo em 1750, após a morte do seu pai, o Rei D. João V. Para Ministro da Guerra e dos Negócios Estrangeiros nomeara  Sebastião José  de Carvalho Melo, depois,  Primeiro- Ministro, futuro Conde de Oeiras (1762) e a partir de 1771, Marquês de Pombal. Até a sua indicação como Ministro, com mais de 50 anos , o futuro  Marquês tivera uma carreira relativamente obscura, como representante de Portugal  na Inglaterra  e Diplomata  na côrte Austríaca.  Homem culto, inteligente e esclarecido, era sintonizado com as idéias iluministas que vicejavam na Europa, principalmente na Inglaterra, onde convivera com políticos e economistas , assistindo ao desencadear da política mercantilista. Como Ministro dos Negócios Exteriores, Pombal elaborou um projeto político-econômico global, dentro do contexto político vigente no século XVIII, com o objetivo de equiparar Portugal, que permanecia arcaico economicamente, a  outros países europeus  sacudidos pelos ventos da Revolução Industrial.
As principais e mais urgentes medidas adotadas pelo futuro Marquês  no Maranhão, foram:  encerrar os conflitos entre colonos e jesuítas; organizar a produção em bases sólidas, após inventariar as possibilidades produtivas da região; organizar a estrutura da exportação e comércio entre a Colônia e Portugal. Em sua política colonial,  Pombal tratou de centralizar a administração para maior controle da metrópole, extinguindo as capitanias hereditárias, em 1759 e promovendo  a  reunificação administrativa. O Brasil que fora em 1621, ainda sob o domínio espanhol, dividido em dois Estados: o Estado do Brasil com sede em Salvador, e o Estado do Maranhão,  que compreendia os atuais estados do  Maranhão, Pará, Ceará, Piauí, Amazonas, Amapá e Roraima com sede em São Luís, este independente daquele, sendo subordinado diretamente à  Metrópole. Por sua vez, o Estado do Maranhão, fora dividido em duas Capitanias: Maranhão e Grão Pará, com várias capitanias secundárias.
Segundo Caio Prado Jr. o Estado aparecia como unidade inteiriça que funcionava num todo único abrangendo o indivíduo, conjuntamente, em todos os seus aspectos e manifestações. A Capitania formava a maior unidade administrativa da Colônia e era dividida em Comarcas. Estas se compunham de Termos, com sedes nas vilas ou cidades respectivas. Os Termos, por sua vez, dividiam-se em Freguesias, circunscrição eclesiástica que formava a Paróquia, sede de uma Igreja Paroquial e que serviam, também, para a administração civil. Finalmente as Paróquias eram formadas por Bairros, cujo principal papel aparecia na organização das Ordenanças.
Com a Restauração em 1640, subiu ao trono D. João IV, iniciando a Dinastia de Bragança,  sendo criado dois anos depois,  o Conselho Ultramarino  para centralizar as relações entre a Metrópole  e suas colônias de além-mar,  competindo a esse órgão o controle total sobre os negócios da Fazenda, a entrada e saída de navios, e os problemas judiciários. Em suma, nenhuma medida ou decisão  de caráter político-administrativo poderia  ser  tomada  sem a sua prévia autorização. Somente em 1643, durante as lutas para a expulsão dos holandeses foi nomeado o primeiro governador do novo Estado do Maranhão,  Pedro de Albuquerque, falecido no ano seguinte, sendo  imediatamente  substituído por Antonio Teixeira de Melo. Portugal perdera durante a União Ibérica  uma parte considerável de suas conquistas, mantendo, além do Nordeste Brasileiro, a mais valiosa possessão, Angola e Guiné.
Além da extinção das capitanias hereditárias , Pombal cuidou da reunificação do Brasil, elevando-o, em 1762, à condição de Vice-Reino, governado por um vice-rei, nomeado e fiel ao rei;  determinou que a sede administrativa fosse o Rio de Janeiro e diminuiu os poderes do Conselho Ultramarino. Nessa época verificou-se a decadência da mineração.  Em 1751 foi criado o  Estado do Grão-Pará e Maranhão,  sendo nomeado  para Governador e Capitão-General, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do Marquês,   para comandar  uma mega-operação , a ser executada  na região, começando pela observação do comportamento dos jesuítas em relação aos colonos, estabelecimento de povoados, transformando em vilas as aldeias com mais de 15mil almas e distribuindo privilégios. Foi, também, incentivada a emigração em Portugal e a reativação do povoamento, estimulando cruzamentos entre portugueses e índias. Foram, também, construídos fortes e fortalezas e criadas novas corporações para a defesa das vilas e cidades, contra invasões de  franceses e holandeses,    principalmente, que rondavam o litoral, e dos ataques de índios.
 Após a implementação da infra-estrutura necessária, Pombal deu início à segunda etapa  de sua estratégia: em  1755 foi criada a Companhia Geral  do Grão-Pará e do Maranhão  com  monopólio de 20 anos, que tinha como objetivo dinamizar a produção agrícola dessas regiões, com o cultivo do algodão, arroz, cacau, café, e açúcar, incentivar a pesca, principalmente nos rios amazônicos, estimular a criação de gado, selecionando as raças que melhor se adaptassem à região. Os produtos eram exportados e, em troca a Companhia introduzia escravos africanos. Foram criadas pequenas indústrias, em função das necessidades dos colonos.   Essa Companhia nasceu com 90% do capital privado dos mercadores de Lisboa e do Porto e com  apenas  10% dos comerciantes da colônia, auferindo lucros maiores, por conseguinte,  os comerciantes portugueses. O Estado participava através dos incentivos fiscais, empréstimos, carta de crédito, isenção de tributos, tudo que favorecesse o enriquecimento da classe mercantil  metropolitana.                                   
Em 1759 foi criada a Companhia Geral de Pernambuco e Paraiba que durou até 1780, com a mesma finalidade.  A Companhia do Grão-Pará e Maranhão  atuou  de 1756 a 1778, sendo extinta no reinado de D.Maria, que sucedeu o seu pai, D. José I, a partir de 1777, após a “Viradeira”, movimento representante  dos  setores retrógados da sociedade de Portugal, de base feudal, formados por nobres e  parte do clero.
D. Maria, através do Alvará de 5/1/1785 extinguiu as manufaturas e pequenas fábricas tão estimuladas por Pombal, permitindo o funcionamento apenas das que fabricavam os panos grossos com que eram feitas as vestimentas dos escravos.
Com as medidas adotadas  pela política pombalina,  Portugal recuperou  o controle do comércio das exportações coloniais, intensificando o intercâmbio com outros países, abrindo,assim, a economia portuguesa ao mundo  capitalista, embora tenha imposto à Capitania  a vocação agrícola, uma vez que o reduzido mercado interno não tenha estimulado a produção fabril. Foi, portanto, a agricultura que assentou a ocupação e exploração do Maranhão, adquirindo  posição dominante  durante  os primeiros séculos da colonização.
A medida mais drástica tomada por Pombal, considerado por alguns historiadores como “déspota esclarecido”, foi após a emancipação dos índios (1755), decretar  a expulsão dos jesuítas de Portugal e dos domínios ultramarinos, em 1759, despovoando aldeias e missões. Desse modo, acabou com a hegemonia  dos jesuítas no ensino e na cultura, cujos reflexos negativos  foram sentidos na Educação em nosso  Estado até as primeiras décadas do século XX.  O confisco dos bens da Companhia de Jesus, principalmente as fazendas, parece ter sido a meta de Pombal, que entregou as terras e a administração das  fazendas a militares. Outro objetivo seria retirar os jesuítas, geralmente espanhóis, das áreas de fronteira, visando expandir os domínios portugueses, já bastante dilatados pelos vários tratados celebrados entre Portugal e a Espanha, como o  de Lisboa (1681), o de Utrecht (1713-15), o de Madri (1750), o de Pardo (1761) e já no reinado de D. Maria, o de Santo Ildefonso (1777) e o de Badajoz (1801)  na regência de D. João. Entretanto, deve considerar-se que a própria Igreja aceitou  a expulsão dos jesuítas, que extinguiu a Companhia de Jesus em 1773 ( Papa Clemente XIV). Quanto à Educação no Brasil, Portugal não teve a mesma preocupação que a Espanha em relação às suas colônias. Em 1538 foi instalada a Universidade de São Domingos e em 1551 foram criadas as Universidades de São Marcos, em Lima e a Universidade Autônoma no México, enquanto no Brasil a primeira Instituição de Ensino Superior foi aberta somente em 1808, em Salvador (Faculdade de Medicina da Bahia). A primeira Instituição sob a denominação de Universidade  foi criada somente em 1912 no Paraná.
Em 1772, houve uma nova reforma  administrativa, sendo criado pelo DR de 20 de agosto daquele ano, o Estado do Maranhão e Piauí, que durou até 1811, três anos  após a chegada da Família Real ao Brasil. Foi  nomeado para  primeiro governador e capitão-general  do  novo Estado, João Pereira Caldas, substituído em 1775 por  Joaquim de Melo e Póvoas, sobrinho do Marquês de Pombal e ex-governador  da capitania do Rio Negro.
Ainda segundo Caio Prado Jr. Na Capitania o chefe supremo é o Governador (Capitão-general, Capitão-mor) comandante supremo das forças armadas e cabeça de toda a administração geral.
                                 

                                             A Capitania de Cumã  II
Ainda sob o domínio espanhol, o Rei Felipe III, em 1623, por Carta Régia, mandou instruções ao então governador do Maranhão, Francisco Coelho de Carvalho, referente ao modo como deveriam ser distribuídas as terras na Capitania.
Apesar de ter  voltado ao domínio da Coroa Portuguesa, em 1754, tornando-se real ou pública, a  antiga Capitania de Cumã só teve as suas terras doadas três anos mais tarde, provavelmente em virtude do esforço concentrado do rei D. José I e, principalmente do seu 1º Ministro, o futuro Marquês de Pombal  na reconstrução de Lisboa, parcialmente destruída pelo terremoto de 1755. A primeira solicitação  de sesmaria foi feita por Domingos da Rocha Araujo na enseada da boca do lago Maracu.
Enquanto isso, dezenas de sesmarias já  vinham sendo distribuídas na Capitania do Maranhão, desde 1622, quando Antonio Muniz Barreiros, capitão-mor da conquista do Maranhão e Cavaleiro da Ordem de Cristo e Provedor da Fazenda Real, requereu e conseguiu uma sesmaria medindo duas léguas e meia de terras nas proximidades do rio Itapecuru, para instalação de dois engenhos. As regiões mais visadas para solicitação de terras foram: ribeira do Itapecuru, Pindaré e Munin, no século XVII e já nos século XVIII, os vales férteis do Mearim, Grajau, Tocantins, Balsas, Parnaiba, Tutóia, Aldeias Altas, Brejo, Pastos Bons.
Ou porque as terras de Cumã eram  de particulares, ou porque seus solos são mais pobres, ou porque seus rios são de  pequeno curso,  sem grande expressão, com baixo potencial de navegabilidade, apesar de uma  importante bacia lacustre, o certo é que além das aldeias indígenas e das Missões Jesuíticas em Maracu e na região do Pericumã, e da vila de Alcântara, cabeça da antiga Capitania, pouco se conhecia dessa região, o que gerou um atraso em relação às demais regiões, de quase 150 anos, cujos reflexos sentimos até hoje.
Até 1755 não se conhecia gênero algum que se exportasse do Maranhão, exceto umas insignificantes partidas de sola e alguma diminuta porção de algodão em rama. Não havia navegação entre a Metrópole e essa Capitania, cujos habitantes eram considerados os mais pobres e miseráveis de toda a Colônia.
As terras passaram a ser solicitadas, somente após a consolidação da Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e do Maranhão, criada em 1755 e a comercialização de escravos provenientes do Continente Africano. Só no ano de 1768 foram enviados a D. José quatro requerimentos de sesmarias; no ano seguinte dois. A partir de 1770 as solicitações se multiplicaram.
No ano de 1760 o Maranhão exportou a primeira remessa de algodão que produziu:  651 arrobas. A Capitania que era considerada a mais pobre da Colônia transformou-se  numa das mais ricas e destacadas, favorecida pela Companhia que fornecia crédito, escravos, ferramentas aos lavradores, embora as atividades comerciais fossem quase que exclusivamente controladas pelos reinóis.
O programa econômico proposto por Pombal foi em parte frustrado porque a partir de 1760 a economia da Colônia entrou em um período de  depressão que se prolongou por mais de dez anos, devido à crise na produção de açúcar  e à queda na mineração.
Com a morte de D. José, em 1777 e a subida ao trono de sua filha D. Maria I, a situação mudou. Atendendo aos seus conselheiros a Rainha  extinguiu a Companhia,  com a cessação do seu privilégio que não fora renovado e demitiu o Marquês de Pombal. Os  maranhenses, preocupados com os débitos para aquisição, principalmente de escravos, ficaram apreensivos.
Entretanto, o impulso que  havia sido dado pela Companhia, fez com que o Maranhão continuasse a sua marcha ascendente, dando à Capitania um lugar de destaque no cenário econômico da colonial, e alterando a sua feição étnica com a miscigenação de brancos, índios e negros. Os governos de D. Maria e do Príncipe Regente se beneficiaram de uma conjuntura favorável à reativação das atividades agrícolas:  a produção de açúcar se expandiu, devida à insurreição dos escravos de São Domingos, nosso maior concorrente, e o cultivo do algodão voltou a crescer incentivado pelas guerras da independência dos Estados Unidos, transformando a nossa Capitania na zona mais próspera da América Portuguesa.
As solicitações de sesmarias recrudesceram nos anos seguintes na antiga Capitania de Cumã, até 1822, quando as doações foram extintas em todo o território brasileiro pela Resolução de 17/7 e  confirmada por Provisão de  D. Pedro  I, de 22/10/1823. O Império exigia novas normas jurídicas para disciplinar o seu problema de terras.
Passaportes e autorizações para viajar de Portugal para o Maranhão se multiplicaram. As vilas povoavam-se, pequenas indústrias eram abertas para atender as necessidades dos moradores, principalmente olarias. Operários especializados eram solicitados, principalmente carpinteiros, oleiros e pedreiros. Regimentos militares foram criados para dar segurança aos habitantes. Funcionários responsáveis pela fiscalização, cobrança e arrecadação de impostos, (Provedoria da Fazenda Real), distribuição da justiça, prisão, deportação (Ouvidoria Geral)e todas as formas de opressão que a Metrópole usava para submeter os colonos.De acordo com o Prof. João Renôr de Carvalho,” a presença ostensiva do Estado Português no Maranhão, em todos os momentos da vida dos cidadãos, foi mais agressiva do que em outras áreas. O Estado se apresentou como Força Armada, Força Coercitiva e Ação Coordenadora em todas as iniciativas de âmbito político, econômico e cultural. Todas essas medidas tinham por escopo assegurar o controle absoluto da riqueza e do território do Maranhão, com conseqüências maléficas, inibindo a iniciativa privada e engendrando a prática do paternalismo, do intervencionismo estatal e o costume até hoje vigente de tutelar todas as iniciativas dos cidadãos livres. O cidadão maranhense em matéria de empreendimento na área econômica não toma nenhuma iniciativa antes de obter os favores econômicos do Estado. Esse vício histórico faz parte da cultura política da nossa gente e perdura até nossos dias.”
Dezenas de embarcações (navios, fragatas, bergantins, chalupas, corvetas, sumacas, galeras) saiam do porto do Maranhão abarrotadas de algodão, mais tarde, de arroz, milho, farinha de mandioca e de outros produtos derivados da cana-de-açucar, principalmente aguardente. Portugal incentivava a cultura do anil, do gengibre, do cravo e até o plantio de amoreiras para criação do bicho da seda. Também se exportavam ervas medicinais como a erva de São Caetano,  cascas de quina e manacá, animais silvestres, aves de todos os tipos, sal, atanados, couros e peles, cascos de tartaruga, goma de peixe,  resinas diversas como a de jutaí e de caju, cochonila, madeiras, linho. Enquanto isso, o povo reclamava da falta de comida.

                                                            Capitania de Cumã – Parte III
 Não desconhecemos que o Município de Pinheiro originou-se de uma sesmaria doada, em 1806, a índios dispersos de suas tribos e que viviam fora de suas aldeias, ou porque se rebelaram contra  as normas dos Diretórios de Indios, criados   em 1758 pelo Governador do Estado do Grão-Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado (após a emancipação dos índios em 1755 e abolidos por Carta Régia de 12 de maio de 1798), ou se eram remanescentes das fazendas e Missões desmobilizadas quando da expulsão dos Jesuitas, vivendo em constante atrito com  os antigos povoadores daquela área.  Após nova reforma administrativa em 1772 fora criado o Estado do Maranhão e do Piaui,  sendo Governador e Capitão-General,  Antônio Saldanha da Gama, que autorizou em 1806 o capitão-mor das Ordenanças da Vila de Alcântara, Inácio José Pinheiro, a demarcar uma  área de 3 léguas de comprimento por uma légua de largura para moradia e roçados dos índios, na região em conflito.
No ano seguinte, 1807, o capitão-mor da Vila de Alcântara procurou o então governador D. Francisco de Mello Manuel da Câmara, a quem relatou haver cumprido as ordens do Governador antecessor. Segundo Aymoré Alvim, 2005,  nesse mesmo ano, foi expedido um documento constando da concessão, por dacta e sesmarias das terras em litígio. Referido documento está registrado, à fl. 65 verso do Livro de Dacta e Sesmarias, do qual foi transcrita uma certidão requerida pelos índios em 21/10/1817.
Para entender melhor o cargo e as funções inerentes às autoridades aqui arroladas, voltamos a Caio Prado Jr.: na Capitania o chefe supremo é o Governador, também chamado Capitão-General ou Capitão-Mor, com função essencialmente militar, sendo o cabeça de toda a administração em geral. Acima do Governador havia o governo central da metrópole, vigilante e ativo, a quem aquela autoridade  deveria prestar contas pormenorizadas da sua gestão. Outros órgãos administrativos eram agrupados em três setores: geral, fazendário e militar, que é o que ora nos interessa. As forças armadas da Capitania compunham-se da Tropa de Linha, das Milícias e dos Corpos de Ordenanças. A primeira era a tropa regular  e profissional, permanentemente sob armas e formada quase sempre por regimentos portugueses. As Milícias eram tropas auxiliares e organizadas em regimentos (terços) formados por moradores locais recrutados na população. Estes eram comandados  por oficiais também escolhidos na população civil e compunham-se de diversos regimentos: auxiliar de Artilharia, de Infantaria, dos Úteis, dos Pedestres. E, finalmente as Ordenanças formadas por todo o resto da população masculina entre 18 e 60 anos, não alistada nas Milícias e não dispensada do serviço militar. Esta categoria se manteve durante todo o período colonial até a sua extinção em pleno Império (1831). As patentes superiores das Ordenanças  conservavam  as antigas denominações: capitão-mor que corresponde  ao coronel na organização em regimento e sargento-mor, o major  da  organização regimental, ou antes, o tenente-coronel pois não havia  nos terços o comandante de batalhão.
Os oficiais superiores das Ordenanças – capitão-mor, sargento-mor e capitão eram escolhidos pelo Governador, de uma lista tríplice organizada pelo Senado da Câmara do termo respectivo. Além  das suas funções militares, as ordenanças tinham atribuições administrativas que se faziam sentir em cada passo da rotina administrativa: fazer cobrança da quota dos moradores para pequenas obras públicas, as quais eram dirigidas e inspecionadas por eles, como pontes e aterros; dirimir conflitos e, principalmente servir de intermediário entre os moradores e o Governador, solicitando-lhe as devidas providências em casos de interesse público.
               Municípios que integram a Região da Baixada com as suas respectivas áreas
Anajatuba : 1.137,6 Km²                                            Pedro do Rosário: 1.607,1Km²
Ararí: 1084,2                                                                 Penalva: 843,2
Bela Vista: 252,1                                                           Peri-mirim: 377,1
Cajarí: 421,4                                                                   Pinheiro: 1.559,0
Conceição do Lago Açu: 719,8                                    Presidente Sarney: 727,6
Igarapé do Meio: 273,2                                                Santa Helena: 2.538,9
Matinha: 429,9                                                               São Bento: 585,3
Monção:1.415,0                                                              São João Batista: 800,2
Olinda Nova: 200,2                                                          São Vicente de Férrer: 394,6
Palmeirândia: 401,2                                                         Viana:1.129,8
                                         Vitória do Mearim: 1059,3
                          Municípios que integram  o Litoral Ocidental
Alcântara: 1.495,6 Km²                                                      Central do Maranhão: 360,5 Km²
Apicum-açu: 249,6                                                                      Cururupu: 673,3
Bacurí: 801,2                                                                                 Guimarães: 616,6
Bacurituba: 597,2                                                                          Mirinzal: 603,0
Bequimão: 775,6                                                                            Porto Rico: 220,9
Cajapió: 934,5                                                                                 Serrano: 15.873
Cedral: 283,1
                                                          Central: 360,5



Matinha: 429,9
Monção: 1.415,0
Olinda nova: 200,2
Palmeirândia: 401,2


Conceição do Lago Açu                                           
Igarapé do Meio
Matinha
Monção

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

José Paulo de Carvalho Alvim - 100 anos da Farmácia da Paz *.

* Moema de Castro Alvim.

           Patrono da cadeira n. 03 da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências, José Paulo de Carvalho Alvim nasceu em Codó, município que integra a Mesorregião Leste Maranhense, situado à margem esquerda do Rio Itapecuru.
          Em 1891, ano em que José Alvim nasceu, Codó era considerado o ponto mais importante da ribeira do Itapecuru, sendo a segunda cidade mais progressista do interior, graças à produção de algodão e ao comércio. A população estimada nessa época era de 16 mil habitantes, enquanto o número de moradias não excedia 3.500 casas.b
         Seus pais foram Leonor de Carvalho Alvim e João Nogueira Alvim. Ele era operário da Companhia Manufatureira e Agrícola de Codó e ela dona de casa.
         Iniciou seus estudos no Convento do Carmo e depois no Instituto São José onde foi aluno do grande educador codoense, professor Teotônio Bayma.
         Com a morte prematura do pai, d. Leonor o trouxe com Abelardo, irmão mais velho, para São Luís, onde as oportunidades de trabalho eram maiores e também para completar a educação dos filhos, principalmente, do caçula que com 10 anos já havia concluído o primário e demonstrava inteligência privilegiada.
         Em São Luís, após instalar-se numa “porta-e-janela” na rua de Santaninha, mãe e filhos, com a ajuda do Sr. Ulisses Palhano (pai do Pe. Osmar Palhano de Jesus) procuraram emprego. D. Leonor, exímia quituteira, aceitava encomendas de banquetes e doces para pessoas  recomendadas pelo Sr. Ulisses. Abelardo partiu depois para o Amazonas, para trabalhar na extração da borracha e José Paulo, estudando à noite, trabalhou, inicialmente, na Farmácia Humanitária, localizada no Largo do Carmo, de propriedade do Dr. Augusto César Marques, farmacêutico e irmão do consagrado dicionarista, historiador e médico Dr. César Augusto Marques. As suas funções consistiam em lavar os frascos e demais vidraria e utensílios usados na manipulação das fórmulas farmacêuticas. Entretanto, o grande sonho de José Paulo era trabalhar no Laboratório de João Victal de Mattos, situado no Beco da Pacotilha, atual Rua João Victal de Mattos
         Dr. João Victal, farmacêutico, responsável pelo desenvolvimento de várias fórmulas, algumas premiadas até no exterior, constatou o grande potencial do jovem aprendiz, que além de dedicado, demonstrava grande talento. Com o Dr. João Victal,  José Paulo aprendeu a arte da manipulação, conquistando em 1909, com apenas 18 anos, o seu certificado de prático de Farmácia, conferido pelo mais importante farmacêutico da época no Maranhão e legitimado na década de 1930 pelo Presidente Getúlio Vargas.
         Conhecimentos alicerçados, certificado na mão, chegara a hora de José Paulo estabelecer-se. De posse de algumas economias e com a ajuda do Dr. João Victal, partiu, nesse mesmo ano, em sociedade com o também prático de Farmácia, Manuel Santos, para sondar a praça da Vila de Pinheiro que se encontrava em pleno desenvolvimento apesar da caótica situação econômica do Maranhão e ali se estabeleceram, à Rua Nova, atual Avenida Pres. Dutra.
         Com o retorno, no ano seguinte, do Sr. Manoel Santos para São Luís, José Paulo adquiriu a outra parte da sociedade e fundou a Farmácia da Paz, em 10 de janeiro de 1911, após a concessão da Licença Nº 99 de 15 de dezembro de 1910 do órgão de Saúde do Estado.
           Em 1912, suspende as atividades na Farmácia para viajar para Belém, onde se engajou, a convite, numa Comissão Científica chefiada pelo famoso pesquisador e médico Dr. Carlos Chagas que foi estudar “in loco” a malária, a leishmaniose tegumentar, hanseníase, as verminoses e outras doenças que infestavam a região Amazônica, dizimando os trabalhadores dos seringais. No ano seguinte, José Paulo esteve, também, no Peru e na Bolívia com botânicos, farmacêuticos e outros aprendizes como ele. Na volta, estagiou em Belém, nas Farmácias Maravilha e Vidigal, onde pôs em prática os ensinamentos obtidos nessas duas extraordinárias viagens.
         Seu retorno a Pinheiro ocorreu em 1914 com algumas economias e  grande conhecimento sobre as plantas medicinais da região. Reabre a sua Farmácia da Paz, conquistando crédito nas praças de Belém e São Luís, para aquisição dos sais, reagentes, vidraria, instrumentos, enfim, dos equipamentos necessários para manipular e desse modo atender uma população em crescimento. Pinheiro, até então, era uma vila em pleno desenvolvimento mas carente de um posto de saúde e de médico que não havia nem na vizinhança. Foi o trabalho de José Alvim, alicerçado nos seus conhecimentos obtidos junto a respeitados profissionais da área de saúde, que contribuiu para o afluxo de maior número de pessoas a Pinheiro, na certeza de que poderiam contar com alguma assistência, nas suas horas mais difíceis.
         José Alvim incursionou, também, pela política, chegando, inclusive, a ser proprietário de um jornal “A Vanguarda” e chefe político local do partido do correligionário e amigo, Dr. Tarquínio Lopes.
         Superando as suas deficiências pela falta de uma educação formal, José Alvim era um leitor voraz do Czernovitz à Farmacopeia e outros Formulários Farmacêuticos. Um bom dicionário da Lello tinha sempre na sua escrivaninha, como ainda, romances, livros espíritas, revistas das quais tinha assinatura como Seleções, O Cruzeiro, Noite Ilustrada. Seus autores prediletos eram Aluisio Azevedo e Humberto de Campos, dos quais deixou alguns volumes.
         Na sua farmácia mantinha uma sala de operações onde realizava alguns procedimentos simples como curativos, aplicação de injeções e até pequenas cirurgias. Essa sala era franqueada aos médicos que visitavam Pinheiro: Dr. Netto Guterres, Dr. Clarindo Santiago, Dr. Fernando Viana, Dr. Antenor Abreu, Dr. Costa Rodrigues, Dr. Belfort, Dr. Damasceno Figueiredo e outros mais.
         Participou, também, como sócio e diretor da Sociedade Beneficente Pinheirense, foi o fundador da Sociedade Mutuária Pinheirense e um dos fundadores do Clube do Rádio, em 1934.
         Aos 50 anos, já considerado celibatário convicto, casou-se com a Srta. Inês dos Reis Castro, filha do Cap. Francisco Castro, delegado da polícia de Pinheiro entre as décadas de 1920-1930.
         Morreu em dezembro de 1952, aos 61 anos, cercado pelo respeito e estima dos pinheirenses que, reconhecendo o seu trabalho humanitário, em prol de um povo sem recursos médicos, desde os primeiros momentos que ali chegou, manifestaram a sua gratidão e preservaram a sua memória, apondo o seu nome a uma das principais artérias da cidade que o recebeu de braços abertos e que ele amou como se fora a sua cidade natal.
         Deixou viúva a Sra. Inez de Castro Alvim e três filhos, todos menores: Aymoré com 12 anos que se formaria em Medicina, é professor universitário e historiador; Moema com 10 anos, farmacêutica, professora universitária, pesquisadora e livreira e José Paulo com 3 anos, administrador, funcionário aposentado da Embratel e, atualmente, empresário  aposentado do ramo de loterais.
         Todos bem encaminhados, pessoas de bem e como o pai, úteis e prestadoras de bons serviços à sociedade onde vivem.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A SAGA DE UMA LUTADORA.*


                                 Pastos Bons foi a sua terra natal. Sob a proteção e cuidados de seus pais, Cleonizard e Joana, e no convívio com os irmãos, parentes e amigos, crescia em graça e se desenvolvia.

            Era uma menina viva, inteligente. Aos 5 anos já lia e escrevia. Estudou o primário, na Escola Municipal Dr. José Neiva, onde se destacava pelos seus conhecimentos de aritmética e português. Afinal, naquela época, não era comum encontrar uma menina que gostasse dos números.
            Ao concluí-lo, disse aos pais que queria prosseguir nos seus estudos, pois pretendia fazer medicina e voltar para cuidar das crianças de sua terra. Então, aos 10 anos, o pai a levou para estudar no curso ginasial do Colégio Santa Teresinha, em Floriano-Piaui. Aplicada e dedicada aos estudos, lá, também, demonstrou seus conhecimentos em português, matemática e em latim. Ainda pequena, tinha de subir em um banquinho para resolver os problemas, no quadro negro.
            Laureada como a primeira aluna do colégio, ela viajou para São Luís, no início de 1958, aos 16 anos, para fazer o científico e se preparar para o vestibular da Faculdade de Ciências Médicas do Maranhão.
             Nessa mesma época, eu havia deixado o Seminário de Santo Antônio e estava procurando, também, uma instituição de ensino para cursar o científico e me habilitar ao vestibular de medicina. Foi, assim, que nos encontramos, no Colégio de São Luís.
            Morena linda, graciosa e meiga, porém, muito séria, logo chamou a minha atenção e de outros marmanjos do colégio. Mas fiquei na minha, maquinando um jeito de me aproximar sem espantar.
            Com muita tática e cuidado, nos tornamos amigos. Passamos a estudar juntos, à tarde, na Biblioteca Pública Benedito Leite. Disse-lhe que não sabia Física e ela se prontificou a ensinar-me. Num belo fim de tarde, no final de dezembro de 1960, ao descermos as escadarias da Biblioteca, me enchi de coragem e seja o que Deus quiser. Virei o rosto para outro lado e agarrei-lhe a mão. O coração disparou. Aguardei a reação que não veio. Então, pensei, será que ela aceitou? Caminhamos, assim, até onde ela morava. Não disse nada, nem ela também. Ao chegarmos, nos despedimos. Ela sorriu e eu também. Parti para casa feliz da vida, mas ansioso para chegar dia seguinte e verificar se era mesmo verdade ou apenas uma consideração ao amigo.
            Era verdade. Iniciamos, então, uma relação de afeto com a qual atravessamos os seis anos do curso e mais dois de pós-graduação. Em fevereiro de 1970 nos casamos, em Pastos Bons. Três filhos: Aymoré Filho, Augusto José e Bruno enriqueceram a nossa casa, enchendo-a de muita alegria e aumentando a nossa felicidade.
          Nesse mesmo ano, por concurso público, ingressamos na docência do curso de Medicina da Fundação Universidade do Maranhão. Eu já trabalhava como médico do Estado e ela do INAMPS, no setor de pediatria.
            No Departamento de Patologia, ela reorganizou a disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias e introduziu, como uma das atividades do programa, a pesquisa de campo que propiciou a muitos alunos seus primeiros trabalhos científicos apresentados, em eventos locais e nacionais. Em 1972, foi a inspiradora da fundação da Sociedade de Parasitologia e Doenças Tropicais do Maranhão e, seis anos depois, organizou a primeira Jornada de Parasitologia e Medicina Tropical do Maranhão. No Hospital Materno-Infantil, reorganizou e atualizou o Serviço de prontuário médico que passou a servir de modelo a outras instituições locais e para algumas de outros Estados que enviavam visitantes em busca de informações. Reestruturou, ainda, a Comissão de Infecção Hospitalar da qual foi presidente.
            Em 1986, devido aos trabalhos sobre esquistossomose mansônica que apresentamos, no Congresso Brasileiro de Parasitologia, no Rio de Janeiro, estivemos, em Berlim Ocidental, a convite do Governo Alemão, onde passamos 45 dias participando de um curso-estágio, em diagnóstico imunológico de doenças parasitárias.
            Dedicada ao exercício da pediatria, tinha um desvelo todo especial aos seus pequenos pacientes. Lembro-me das muitas vezes que chegava para mim e dizia: “Meu bem, vai comprar esses remédios para um paciente, pois não tem no Hospital. Traz, também, um carrinho ou uma boneca.” Dependia do sexo da criança. Eu, então, lhe respondia: “Meu bem, falta de remédio é problema do hospital e esse negócio de brinquedo é coisa pra papai Noel”. “Se não puderes ir me diz porque eu mesma vou”. “Não, senhora! Eu já estou indo”.
            Assim, era Maria Augusta. Amiga, amante, confidente e companheira. Mãe devotada e carinhosa. Profissional responsável, humana, dedicada e ética. Morena linda, graciosa e meiga que vi pela primeira vez, no Colégio de São Luís. Sempre foi uma guerreira. Mas o Senhor entendeu que ela já havia cumprido a sua missão e que eu estava pronto para voltar a ser só. E levou a minha Augusta.
            Foi numa madrugada, igual a muitas outras, mas para mim foi diferente. Ficou fria, nebulosa e triste. Nesse dia, não houve aurora. O meu sol se apagou. A minha estrela já não brilhava mais.
            Era primeiro de dezembro de 2006.

* Aymoré de Castro Alvim.
     IHGM, AMM e APLAC.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

AFINAL DE CONTAS, O QUE É MESMO SESMARIA?

De acordo com a Barsa, o vocábulo português sesmaria deriva do verbo sesmar, com as suas variações sesma, seisma,  que significa a sexta parte de qualquer coisa. Embora esse sistema tenha sido instalado em 1375, somente foi documentado em 1378, no reinado de D. Fernando I: a célebre lei das sesmarias. Referida lei vinculava a terra ao seu aproveitamento mediante vigilância pública.
Etimologicamente indica que as doações de terras eram feitas com o foro da sexta parte dos frutos.
 Desde o período medieval  a  Coroa Portuguesa instituiu juridicamente em seu território  esse  regime de distribuição de terras comunais, lavráveis e não cultivadas a quem nelas pudesse plantar em proveito da produção agrícola. O Estado recém-formado e sem capacidade de organizar a produção de alimentos, para combater a crise agrícola econômica agravada pela peste negra que assolou  toda a Europa, decidiu  delegar a particulares essa função. Esse instrumento foi regulamentado pelas Ordenações Manuelinas e aperfeiçoado pelas Ordenações Filipinas. Com as novas conquistas estendeu-se a todos os seus domínios da África, Ásia e  das terras recém-descobertas no Continente Americano.
No Brasil o governo português, tomou posse de todo o  território por aquisição originária, isto é, por direito de conquista, passando todas as terras descobertas a ser consideradas terras incultas ou virgens, sem qualquer senhorio ou cultivo anterior, despojando, assim, os índios de quaisquer direitos. Com alguns ajustes, Portugal resolveu adotá-lo, tendo sido  Martim Afonso de Sousa o  primeiro proprietário de sesmaria que, com o poder conferido pela carta patente de 1530 concedeu terras a João Ramalho e a Brás Cubas.
Além de Martim Afonso de Sousa, os governadores-gerais, os capitães-generais podiam fazer essas doações. Já os capitães-mores e governadores subalternos, salvo disposições especiais, não gozavam de igual competência.
É evidente que no Brasil com um território imenso os procedimentos não ocorreram como a Coroa determinava: as sesmarias extrapolaram os limites pré- estabelecidos, ampliando para 5, 10, 20 léguas de quadras, extensões maiores que muitos Estados atuais, sendo distribuídas às empresas  de engenhos de açúcar com o cultivo extensivo da cana. Desse modo surgiram propriedades de grandes dimensões, com tendência a crescer mais ainda em função de anexações de outras glebas obtidas por doação, compra ou herança, dando origem aos atuais latifundios.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

UMA ODE PARA DONA INEZ, MINHA MÃE !

                 PARA MUITOS, LONGEVIDADE SIGNIFICA DESPRAZER COM A VIDA, DOENÇAS, DECEPÇÃO COM PARENTES PELOS MAUS TRATOS QUE SOFREM, MAS FELIZMENTE PARA OUTROS, SIGNIFICA VIVER, PASSAR ADIANTE SUAS EXPERIÊNCIAS, SER OUVIDO PELOS MAIS NOVOS, CONTINUAR EXERCITANDO A MENTE COM LEITURAS OU TRABALHOS MANUAIS, ESCREVER, SER QUERIDO E ACEITO POR SEUS PRÓXIMOS, MANTER ENFIM, ATÉ O SEU OUTONO, A DIGNIDADE.
OS PRIVILEGIADOS QUE CHEGAM EM PAZ NA QUARTA IDADE, PRÓXIMO DOS SEUS AMIGOS E PARENTES, TEM O PRAZER DE VIVER DEGUSTANDO CADA MOMENTO COM UM SORRISO. É A VELHICE PRAZEIROSA, AINDA OTIMISTA COM A VIDA. SÃO PESSOAS QUE AINDA PODEM SONHAR E SONHAM...
DONA INEZ, DO ALTO DOS SEUS 98 ANOS, É UMA DESSAS PESSOAS QUE NÃO ESTÃO PASSANDO PELA VIDA DESPERCEBIDAS. NASCEU EM PINHEIRO NO DIA 21 DE JANEIRO DE 1913, SEXTA DE DEZ IRMÃOS, OS DEMAIS JÁ FALECIDOS, FILHA DE UM DELEGADO DE POLÍCIA, SR. FRANCISCO CASTRO E DE UMA DONA DE CASA, D. RAIMUNDA DOS REIS CASTRO. TEVE UMA INFANCIA FELIZ,  ADOLESCENTE CANTOU NO CÔRO DA IGREJA CATÓLICA POR UNS 15 ANOS. SEMPRE CURIOSA NA VIDA, TEVE VARIOS APRENDIZADOS MANUAIS COMO: BORDADOS À MÃO E À MÁQUINA, PONTO DE CRUZ, CROCHÊ, FILÉ (EM REDES), ASSIM TAMBEM COMO APRENDEU A TOCAR VIOLINO COM D. MARIA PAIVA ( ANTES DE CASAR ) PARTICIPAVA DE PEÇAS TEATRAIS QUE ENSAIAVA COM OUTRAS COLEGAS DE ESCOLA. JA MOÇA TRABALHOU NA "CASAS PERNAMBUCANAS" EM PINHEIRO E POSTERIORMENTE EM SÃO LUIS. SEMPRE TEVE POR LEMA VIVER, OLHAR A VIDA COMO DEVE SER VISTA: COM SOL E AR PRIMAVERIL, EM TODOS OS MOMENTOS. NUNCA SE QUEIXA MAS SEMPRE AGRADECE A DEUS POR SEUS DIAS.E RELEMBRANDO A PIADA: NÃO TEM INIMIGOS.
            MANTINHA COM AMIGAS, UMAS VINTE, UM COMPROMISSO DE VISITAS MÚTUAS NOS DIAS DE ANIVERSÁRIO DE CADA UMA. REUNIAM-SE E ALEM DA MANUTENÇÃO DESSA BONITA AMIZADE, ELA SEMPRE SE DESTACAVA POR CANTAR, RECITAR POESIAS E ASSIM ALEGRAR AS AMIGAS E A ELA PRÓPRIA.      
DONA INEZ É, NA ACEPÇÃO DA PALAVRA, UM SER POLÍTICO. NÃO FAZ POLÍTICA MAS É POLITICAMENTE CORRETA NAS OBSERVAÇÕES CONTUNDENTES QUE FAZ DO NOSSO DIA A DIA COMO CIDADÃ, PELAS OBSERVAÇÕES E LEITURAS QUE FAZ DIARIAMENTE NOS JORNAIS. POR COERENCIA, SÓ LÊ O “JORNAL PEQUENO” E POR SAUDOSISMO, JORNAL “CIDADE DE PINHEIRO”. POR ISSO É DEVERAS MORDAZ EM SUA ANÁLISE DA NOSSA POLÍTICA MUNICÍPAL, ESTADUAL E NACIONAL.
COM PERSONALIDADE FORTE, NÃO ALTIVA MAS FESTIVA, É SEMPRE ALEGRIA EM SEUS CONTATOS COM PARENTES E AMIGOS.
MÃE ZELOSA, APESAR DE SEMPRE TER-SE DIVIDIDO ENTRE A MULHER EMPRESÁRIA E MÃE, FEZ DO PRIMERO A PONTE DE LIGAÇÃO PARA DAR CONDIÇOES AOS FILHOS DE ESTUDAR E ASSIM PODEREM TRABALHAR E TER SUAS FAMILIAS. NA NOSSA INFANCIA BUSCOU PESSOAS  DE SUA CONFIANÇA PARA AUXILIA-LA NOS CUIDADOS CONOSCO. VIOLETA E CAMÉLIA NA INFANCIA DE AYMORE E MOEMA, AINDA CAMÉLIA E TERESA NA MINHA INFANCIA E CONCEIÇÃO E ISABEL DE TATIANA E CLEUBER. PESSOAS INESTIMAVEIS E DEDICADAS. NO ENTANTO D. INEZ SEMPRE FOI MUITO PRESENTE EM NOSSA EDUCAÇÃO, COM SEU AMOR INCONDICIONAL, UMA VERDADEIRA LEOA NOS CUIDADOS E ATENÇÃO COM OS FILHOS. DANDO-NOS  AMOR,  CARINHO E PROTEÇÃO SEMPRE.
HOJE SOMOS ADULTOS, FORMADOS, EMPREGADOS, APOSENTADOS, CASADOS E MORAMOS EM SÃO LUIS. POR CIRCUNSTANCIAS DA VIDA, APESAR DE NÃO SER SEU “HABITAT” NATURAL, A CONVIDAMOS PARA MORAR MAIS PRÓXIMO DE NÓS, APÓS A PERDA DO NOSSO PADRASTO. ESTÁ MORANDO EM SÃO LUIS, NA COMPANHIA DO NOSSO IRMÃO CLEUBER, PRÓXIMA ASSIM DE NÓS TODOS.
SEUS MOMENTOS DE MAIOR FELICIDADE, EM RELATO DELA PRÓPRIA, ACONTECEM QUANDO ESTÁ REUNIDA, NUM ALMOÇO DOMINICAL COM SEUS CINCO FILHOS, GENROS, NORAS, NETOS E A BISNETINHA LINDA, ALYSSA, FILHA DE JOSE PAULO ALVIM NETO, MEU FILHO.
SENTE TRISTEZA, SAUDADES, DORES, COMO TODO SER HUMANO, CONTUDO, NUNCA SE QUEIXA. PASSA AOS SEUS SEMELHANTES ALEGRIA, LIÇÕES DE OTIMISMO COM A VIDA EM SEU DIA A DIA.
MEMÓRIA HISTÓRICA, SABE E DESCREVE EM MINUCIAS FATOS EM FAMILIA, COM VIZINHOS, COM AMIGAS E AMIGOS, DA SOCIEDADE DAS ÉPOCAS QUE PASSARAM E ATUAIS EM PINHEIRO, COM CITAÇÕES DE NOMES, SOBRENOMES E DATAS. UMA VERDADEIRA BIBLIOTECA AINDA VERDEJANTE E BEM VIVA. MEMÓRIA PRIVILEGIADA, GRAÇAS A DEUS.
RECEBEU COMENDA DA CÂMARA MUNICIPAL DE PINHEIRO AOS 94 ANOS, POR RESPEITO À SUA PESSOA, PELA ÓBVIA CONSTATAÇÃO DA COMERCIANTE MAIS IDOSA EM PLENA ATIVIDADE (TRABALHANDO SEM AJUDANTES) NA CIDADE DE PINHEIRO, PROPRIETÁRIA DA FARMÁCIA DA PAZ . TAMBÉM POR OCASIÃO DO SESQUICENTENÁRIO DE PINHEIRO.
DONA INEZ TEVE O RARO PRIVILÉGIO DE CONHECER EM SUA INTIMIDADE DUAS PESSOAS QUE A AMARAM E POR ELA FORAM AMADAS E A FIZERAM MANTER-SE VIVA, EM PLENA EVOLUÇÃO DE SER HUMANO, E SER A PESSOA DIGNA, OTIMISTA COM A VIDA, ALEGRE NO COTIDIANO QUE É HOJE. FORAM SEUS DOIS MARIDOS: JOSE PAULO ALVIM, MEU PAI, DE AYMORE E DE MOEMA. COM ELE NOSSA MÃE MANTEVE UM RELACIONAMENTO PLENO E FELIZ, UM CASAMENTO POR 14 ANOS. INFELIZMENTE, ACOMETIDO DE DOENÇA CARDÍACA VEIO A FALECER EM 1952, INTERROMPENDO UMA BELA CARREIRA DE COMERCIANTE E FARMACEUTICO POIS ERA MUITO QUERIDO EM PINHEIRO E CIDADES CIRCUNVIZINHAS. PROPRIETÁRIO DA “FARMÁCIA DA PAZ” ATENDEU A POPULAÇÃO DAQUELA CIDADE POR MAIS MAIS DE 40 ANOS, IMPRESCINDÍVEL, PRINCIPALMENTE, QUANDO NÃO HAVIA MÉDICOS..
DONA INEZ, POR SUA DEDICAÇÃO E ESMÊRO, JÁ DOMINAVA CONHECIMENTO DOS MEANDROS QUE UM NEGÓCIO TÃO ESPECÍFICO EXIGIA. MAS AÍ SURGIU O PRIMEIRO PROBLEMA: COMO MANTER FUNCIONANDO A FARMÁCIA, SE NÃO ERA FARMACEUTICA? COM SUA POSTURA DE MULHER DE PERSONALIDADE FORTE E AUDAZ, FOI À LUTA EM BUSCA DE SOLUÇÃO PARA TÃO CRUCIAL SITUAÇÃO. ELA NÃO QUERIA PERDER A CONDIÇÃO DE PODER CONTINUAR COM O NEGÓCIO DA FARMÁCIA, ÚNICA MANEIRA DE CONTINUAR A PENSAR NUM FUTURO MELHOR PARA OS SEUS FILHOS. PARA SUA SORTE, TEVE O APOIO INCONDICIONAL DO SEU AMIGO O DEPUTADO DR. COSTA RODRIGUES NA CAPITAL DO ESTADO. O MESMO CONSEGUIU APOIO DO SECRETARIO DE SAUDE E DO GOVERNADOR PARA AJUDA-LA. FOI SÓZINHA A UMA AUDIENCIA COM O TÃO TEMIDO SECRETÁRIO DE SAUDE, DR. PAULO BOGÉA. COM SUA COSTUMEIRA FRANQUEZA, FALOU-LHE QUE JÁ SABIA DE SUA TERRIVEL FAMA DE GROSSEIRO E ARROGANTE, MAS QUE ESTAVA ALI, NAQUELE MOMENTO DEFENDENDO SUA DIGNIDADE DE MULHER VIUVA, MÃE DE TRÊS FILHOS. ELE SORRIU BASTANTE E ADMIROU-SE POR SUA CORAGEM EM FALAR-LHE DE PRONTO O QUE ELE JÁ DESCONFIAVA QUE FALAVAM PELOS CORREDORES. PEDIU ENTAO QUE ELA EXPUSESSE SUA SITUAÇÃO TRANQUILAMENTE. E ASSIM ELA FEZ UMA EXPLANAÇÃO, FUNDAMENTOU SEUS MOTIVOS E CONSEGUIU QUE AQUELE TÃO TEMIDO HOMEM, SE MOSTRASSE COMO DE FATO ERA, SENSÍVEL. OUVIU DONA INEZ COM ATENÇÃO, ASSENTIU E APROVOU A IDÉIA COLOCADA POR DR. COSTA RODRIGUES TAMBEM AO GOVERNADOR EM TRANSFORMAR A FARMÁCIA EM DROGARIA, POIS ASSIM NÃO SERIA NECESSÁRIO O ENCERRAMENTO DAS ATIVIDADES E ELA PODERIA CONTINUAR PROPRIETÁRIA. O JÁ ENTAO AMIGO E ADMIRADOR DA BRAVURA DESSA MULHER, FOI AO GOVERNADOR E LOGO UMA LEI ESPECÍFICA TRANSFORMANDO A FARMACIA EM DROGARIA FOI SANCIONADA PELO ENTÃO GOVERNADOR, DR. EUGENIO BARROS.
E ASSIM, COM UM CRÉDITO ENORME NO CORAÇÃO PELA GRANDEZA DE ALGUNS SERES HUMANOS, DONA INEZ PÔDE LEGALMENTE PROSSEGUIR EM SEU COMÉRCIO, E TER CONDIÇOES DE MANTER-SE COM DIGNIDADE E AOS SEUS TRES FILHOS.
QUANDO MOEMA SE FORMOU EM FARMACIA, A DROGARIA DA PAZ FINALMENTE PÔDE VOLTAR `A SUA ANTIGA CONDIÇÃO DE “FARMÁCIA DA PAZ”.
QUATRO  ANOS PASSARAM QUANDO NUM DAQUELES MOMENTOS CIRCUNSTANCIAIS DO DESTINO, EIS QUE CONHECE SEU SEGUNDO MARIDO. UM HOMEM QUE FAZ PARTE DO ELENCO DE UM CIRCO: “TIANY”, DE PASSAGEM POR PINHEIRO, UM POETA E ATOR, ABILIO DA SILVA LOUREIRO, QUE LHE SUSCITA UMA PAIXÃO ATÉ ENTÃO ADORMECIDA. ENAMORADOS E APAIXONADOS, LOGO DEPOIS SE CASAM NA IGREJA DE SÃO JOSE DE RIBAMAR. FRUTO DESSA RELAÇÃO QUE PERDUROU POR 56 ANOS,  TIVERAM UM CASAL DE FILHOS: TATIANA E CLEUBER CLAUDIO.
NOSSA MÃE,  COM SEU SEGUNDO MARIDO, TRABALHARAM JUNTOS “TOCANDO” A “DROGARIA DA PAZ” E ASSIM O FIZERAM POR MAIS DE CINQUENTA ANOS, ALEGRES, FELIZES, COM OS PROBLEMAS QUE TODO CASAMENTO LOGEVO TRAZ EM SEU BOJO, MAS UNIDOS NA ESSENCIA DO MATRIMONIO E RESPEITO MÚTUO. 
PRÓXIMO DE FAZER 100 ANOS, A ENTÃO “FARMACIA DA PAZ”, QUE TANTA CONTRIBUIÇÃO HUMANITARIA  FIZERA  AO POVO DE PINHEIRO  E ARREDORES, AOS 95 ANOS FOI ASSALTADA POR DOIS MELIANTES, LADRÕES, QUE USARAM SEM NCESSIDADE A VIOLENCIA CONTRA DOIS IDOSOS, AGREDINDO-OS, EMPURRANDO-OS E PISOTEANDO O MEU PADASTRO ABILIO E QUEBRANDO-LHE O FÊMUR. PEGARAM UMAS BENGALADAS DE DONA INEZ MAS NÃO SE INTIDARAM  E FUGIRAM EM SEGUIDA. SEU ABILIO, EM ESTADO CRÍTICO TIVERA QUE VIR  A SÃO LUIS, PARA OPERAR. COM O INCIDENTE NÃO MAIS LEVANTOU-SE. PROVAVELMANTE O STRESS PELA VIOLENCIA A QUE FORA ACOMETIDO DESENCADEOU UM CANCER E DAÍ PROVEIO SUA MORTE AOS 78 ANOS. E O QUE JÁ É NOTICIA COMUM: OS LADRÕES, ASSASSINOS NÃO FORAM SEQUER PRESOS. HOJE NÃO SEI PRECISAR QUANTAS MORTES E ASSALTOS OS MESMOS JÁ COMETERAM, EXCETO SE UM ANJO DO SENHOR NA FORMA HUMANA JÁ TIVER FEITO A JUSTIÇA QUE OS HOMENS, HIPOCRITAMENTE TEMEM EM NÃO FAZER, DEIXANDO A SOCIEDADE A MERCÊ DOS MAUS, ACOBERTADOS POR LEIS EQUIVOCADAS E  DÚBIAS, AINDA MAIS MAL APLICADAS POR UM JUDICI´RIO CLAUDICANTE, EM QUE JUIZES, DESEMBARGADORES E MINISTROS DÃO INTERPRETAÇÕES DIFERENCIADAS A UMA MESMA LEI, DIZEM QUE TAL SUBJETIVIDADE É EM DEFESA DO “DIREITO”. POBRE SOCIEDADE.   
CONTRA TUDO ISSO SE INSURGE ESSA BRAVA MULHER, NÃO SE ACOMODANDO EM SEU QUASE CENTENÁRIO PARA BRADAR POR JUSTIÇA REAL EM BENEFÍCIO DOS QUE DEVERÃO PERMANECER: SEUS NETOS, BISNETOS, A SOCIEDADE ENFIM.
PARABENS DONA INEZ, OBRIGADO MAMÃE.

TEU FILHO JOSE PAULO ALVIM FILHO.



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

DIOGO ANTÔNIO DOS REIS.*

* Aymoré Alvim.

                Na história de Pinheiro, vamos encontrar várias pessoas que marcaram a sua vida com o seu trabalho e com a sua dedicação à causa do desenvolvimento e do bem estar da terra e do seu povo. Resgatar-lhes a memória para o conhecimento das gerações vindouras se impõe pelo exemplo que nos legaram e como preito da nossa gratidão pelo muito que realizaram. Desta forma, iniciamos por destacar o Sr. Diogo Antônio dos Reis.

Não era pinheirense, mas amou a terra que o abraçou como se fora a sua.

Nascido em Alcântara, em 1813, foram seus pais Agostinho Antônio dos Reis e Maria Joaquina dos Reis dos quais lhe nasceram quatro irmãos. Todos concluíram, na capital da Província, o curso de humanidades. Por volta de 1832, chegou ao Lugar do Pinheiro.

Não obstante as regulares transações comerciais que mantinha, principalmente, com as vilas de Alcântara e Guimarães e, às vezes, até com a capital, o lugarejo se constituía em um espaço tranqüilo e de paz, o que, certamente, motivou a vinda de várias famílias para tentar a sorte, nas atividades comerciais, que já prenunciavam bons negócios e, na agropecuária, que estava em expansão ou, simplesmente, para morar.

O conturbado ambiente que imperava, no restante da Maranhão, decorrente das lutas políticas entre conservadores e liberais, permitia, quase sempre, a ocorrência de conflitos de exacerbada violência como a guerra da Balaiada que, no final da década de 1830 e início da de 1840, manchou de sangue as terras maranhenses.

Enquanto isso, sem imiscuir-se nesses conflitos, o povoado desenvolvia a sua pecuária e a sua agroindústria com o plantio da mandioca, arroz, milho e da cana de açúcar que recebera grande incentivo, nessa época, quando Franco de Sá governava a Província. A partir de então, foi ampliada a área cultivada e vários engenhos para produção de açúcar começaram a ser instalados.

Tais iniciativas permitiram à povoação não somente atingir, na década seguinte, o “status” de vila, como ainda, apresentar uma pauta de produção, segundo César Marques, de 3.000 arrobas de açúcar/ano, propiciando bons lucros aos seus produtores junto à produção do algodão que também atingiu bons preços, em decorrência da grande crise, nos Estados Unidos, deflagrada pela guerra de Secessão e pela libertação dos escravos.

Foi esse ambiente de paz e de início de prosperidade que Diogo dos Reis encontrou ao chegar ao Lugar do Pinheiro.

 Ainda bem jovem, passou a dedicar-se às atividades comerciais. Inicialmente, trabalhou como empregado do capitão José Caetano de Sá e, mais tarde, pela dedicação demonstrada e pela argúcia nele vista, o patrão terminou por convidá-lo para sócio.

Atencioso e prestativo, logo granjeou a simpatia e a amizade do povo. Exímio comerciante, pouco a pouco, adquiriu a confiança da comunidade, o que viria torná-lo o guru do lugar, a quem todos acorriam para consultá-lo antes de realizar qualquer negócio.

Com tal perfil, não passou despercebido aos políticos locais e regionais que logo o convidaram a se filiar ao Partido Liberal cuja liderança, na Província, segundo Carlos Lima, era exercida pelo doutor Carlos Fernandes Ribeiro, Barão de Grajaú.

Os Liberais pinheirenses, logo, o fizeram chefe político local do Partido e, com outras tantas lideranças locais, muito trabalhou pela emancipação política do povoado.

Após a instalação da Câmara de vereadores, em 1862, na vila recém-criada, Diogo dos Reis a presidiu, em três legislaturas, em 1873, 1883 e em 1887 quando permaneceu até 14 de janeiro de 1888. Nesse mesmo mês, tomou posse, pela segunda vez, como deputado, na Assembléia Legislativa Provincial.

Ali desenvolveu um profícuo trabalho em benefício da Vila de Santo Inácio de Pinheiro e do seu povo pelo bom desempenho político que, segundo Viveiros, sempre o caracterizou.

Conciliador e arguto articulador político, fez na Assembléia fortes laços de amizade até mesmo com os colegas adversários que sempre lhe dispensaram grande respeito e muito apreço.

Por isso, todos lamentaram o seu falecimento ocorrido, em São Luís, no dia 9 de março desse mesmo ano.

A Vila ficou triste, pois havia perdido um grande amigo.