MOEMA

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PAPIRUS DO EGITO

domingo, 27 de abril de 2014

RADICAIS LIVRES E ANTIOXIDANTES


Dois termos muito empregados em textos sobre Nutrição, e no nosso dia-a-dia, porém pouco compreendidos. Vou tentar explicar do melhor modo possível, resumindo ao máximo, sem contudo, prejudicar as informações buscadas em livros específicos e em sites e blogs publicados no Google.
                     
                               RADICAIS  LIVRES

A teoria dos radicais livres surgiu em 1954 com o Dr. Denham Harmon, um dos precursores da teoria do envelhecimento, como consequência dessas substâncias em nosso organismo.
Recorrendo à Bioquímica, sabe-se que as moléculas são constituídas por átomos unidos através de ligações químicas, formadas por um par de elétrons. Quando essas ligações se desfazem cada fragmento molecular passa a conter um único elétron em sua órbita, agora não pareada e ávida para estabelecer nova ligação. Esses fragmentos carregados, instáveis e reativos constituem os radicais livres que agem como  catalisadores ou pontes para desencadear reações químicas ou modificações em outras células. São, portanto, moléculas oxidantes altamente reativas que atacam outras moléculas através da captura de elétrons, modificando sua estrutura química.
Os radicais livres na  sua corrida desenfreada em busca de parceiros, destroem enzimas, atacam células, ocasionando o seu  mal funcionamento até a morte. O  organismo humano possui enzimas protetoras que reparam 99% dos danos causados pela oxidação, controlando o nível dos radicais livres através do nosso metabolismo.
  Durante a queima de oxigênio, o nosso corpo produz radicais livres, usados para converter os nutrientes dos alimentos absorvidos, em energia, isto é, quando, em níveis considerados normais não são prejudiciais à saúde. Eles são úteis e nosso organismo não sobrevive sem eles, pois são indispensáveis às nossas defesas contra as infecções. Em excesso podem ser tóxicos, contribuindo para o surgimento de algumas doenças resultantes do enfraquecimento do sistema imunológico e o envelhecimento precoce, bem como outros distúrbios como artrites, arteriosclerose, diabetes tipo 2.
O primeiro radical livre identificado foi o trifenilmetilradicol, descoberto por Moses Gomberg em 1900 na Universidade de Michigan (USA), obtida por acaso, demonstrando que o carbono nem sempre é trivalente. Publicou sua descoberta nesse mesmo ano, mas as polêmicas duraram quase uma década, sem que a comunidade científica reconhecesse a sua existência.
Essa descoberta foi  essencial para explicar o funcionamento de algumas enzimas em nosso organismo, envolvidas no processo de envelhecimento, no seu funcionamento saudável, no desenvolvimento do câncer e outras doenças graves. Outrossim, para compreender a síntese do DNA e outros fatores naturais, como a deterioração dos alimentos aos efeitos das queimaduras solares.
Na Indústria teve importante papel na produção de borracha sintética, plásticos e outros sintéticos.

 MECANISMOS DE  AÇÃO DOS RADICAIS  LIVRES

Os radicais livres agem como faíscas, iniciando reações que se espalham rapidamente, levando a danos extensivos que têm a capacidade de romper ácidos graxos insaturados, prejudicando a habilidade da membrana em transportar substâncias para dentro e para fora da célula. Também prejudicam as proteínas celulares, alterando suas funções e o DNA, perturbando todas as células que herdaram o DNA danificado.
Os processos metabólicos não constituem a única fonte de radicais livres. Obesidade, ferimentos, exercícios exagerados, doenças agudas, diabetes, também concorrem para a sua formação. Além desses processos endógenos, há fatores externos ou exógenos que contribuem para o aumento da formação dessas moléculas. Os principais são: poluição ambiental, raios X e radiação ultravioleta, tabagismo, álcool, resíduos de pesticidas, oligominerais, asbesto, altos níveis de consumo de vitamina C,  níveis elevados de oxigênio, aditivos químicos, conservantes, hormônios presentes nos alimentos e bebidas, estresse, gorduras saturadas como frituras e gordura animal.
Quanto mais tempo de exposição aos fatores externos, maior é a probabilidade de formação de radicais livres; com o tempo esse efeito cumulativo pode causar alterações irreversíveis às células ou mutações que propiciam o aparecimento e desenvolvimento de células  cancerosas.
O problema começa quando os radicais  livres no corpo excedem as defesas contra eles, uma condição conhecida como estresse oxidativo, até então difícil de  quantificar.
É exagero dizer que as ligações entre o estresse oxidativo e as doenças são intermináveis, mas os pesquisadores têm identificado ligações com o desenvolvimento de mais de duzentas doenças. Dentre elas: cegueira senil, artrite, enfisemas, manchas na pele, rugas precoces, alguns tipos  de câncer, doenças cardiovasculares, catarata, diabetes e doença renais, Mal de Parkinson e Mal de Alzheimer.
Exercícios físicos exagerados são importantes geradores dessas moléculas que não são de todo ruins. Suas propriedades destrutivas são direcionadas para o bem quando utilizados por algumas células do sistema imunológico. Essas células produzem radicais livres como munição em uma queima oxidativa, que leva à destruição de vírus e bactérias, desempenhando papel importante no combate às inflamações e controlando o tônus muscular liso. As infecções, por conseguinte, causam um aumento detectável da atividade dos radicais livres por todo o corpo.

                         ANTIOXIDANTES

O organismo tem dois sistemas principais de defesa contra os danos causados pelos radicais livres: suas reservas de antioxidantes e seus sistemas de enzimas. Esses sistemas não são 100% efetivos. Se os agentes combatentes dos radicais estão insuficientemente  presentes no corpo e se os radicais livres ficarem em excesso, problemas de saúde podem  acumular-se à medida que as pessoas envelhecem.
Antioxidantes são moléculas com carga positiva que se combinam com os radicais livres, de carga negativa, tornando-os inofensivos, pela capacidade de bloquear as reações de oxidação desses radicais e oferecer proteção  à membrana e outras partes das células.
Podem ser: hidrófilos quando solúveis em água e hidrófobos se solúveis em lipídios.   Os primeiros reagem com oxidantes no citoplasma celular e no plasma do sangue e podem  ser sintetizados pelo organismo.  Os hidrófobos protegem a membrana celular.
Mesmo  quando os radicais livres estão com concentração reduzida os antioxidantes agem como moduladores e não bloqueadores, ou seja, a mera ingestão de vitaminas não evita completamente a ocorrência de doenças por eles causadas, embora sua ausência favoreça o aparecimento deles.
As principais substâncias  antioxidantes são as vitaminas, com reservas  mantidas pelo nosso organismo: vitamina E, vitamina C e do precursor da vitamina A, o betacaroteno. Essas vitaminas se ligam  aos radicais livres, tornando-os oxidados, portanto inativos. Uma vez oxidadas, algumas dessas substâncias podem ser regeneradas voltando à sua atividade antioxidante. Os radicas livres atacam as células do organismo continuamente, sendo necessário repor rapidamente esses suprimentos.
Entre as vitaminas antioxidantes, a vitamina E e os betacarotenos defendem os lipídeos, bloqueando a reação em cadeia. A vitamina C protege os componentes hidrossolúveis do corpo, como os fluidos do sangue, assim como neutraliza os radicais livres do ar poluído e da fumaça de cigarro, além de de recuperar a vitamina E oxidada para sua forma ativa.
Se os tecidos tiverem estoques extras desses antioxidantes, os danos celulares são mais leves, teoria essa usada pela indústria de suplementos vitamínicos. Pesquisas efetuadas demonstram que a suplementação com a vitamina E é inútil contra o câncer de cólon e pulmões. 
Alguns fitoquímicos tem atividade antioxidante, embora  ajam de muitas  outras maneiras, também. Um, filtra a luz, outro diminui, alguns atuam como hormônios, outros inibem reações químicas nocivas, estimulam a imunidade e muitos outros agem por mecanismos ainda desconhecidos.
Fitoquímicos são compostos naturais encontrados apenas nos vegetais, protegendo-os contra fungos e bactérias. Eles não se encaixam em nenhuma categoria: não são vitaminas, carboidratos, gorduras ou vegetais. Embora não sejam nutrientes, isto é, imprescindíveis ao sustento da vida, são benéficos para a nossa saúde, prevenindo certas doenças. Existem quase 200 pigmentos diferentes de plantas nos alimentos que ingerimos. Os principais são as antocianinas encontradas em frutas que têm a cor vermelha como morango, cereja, framboesa; os carotenoides dão à cenoura, abóbora a cor amarela; a quercitina encontrada no chá, uvas vermelhas, roxas e pretas e vinho; a isoflavona , na soja, linhaça; betacaroteno na batata-doce; limoneno (flavonoide) encontrado nas frutas cítricas; allium na cebola e no alho; terpeno (flavonoide) encontrado no tomate; os feijões têm flavonoides saponinos. A maçã apresenta, também, flavonóides As frutas vermelhas também possuem ácido elágico; indoles isotiocinatos, encontrados no brócolis.
Os fenólicos do vinho inibem a formação do LDL ou mau colesterol; o ácido elágico protege as células saudáveis e o cérebro.
Os flavonoides são chamados polifenóis e já foram isolados mais de quatrocentos diferentes. As maiores categorias dos flavonoides são: flavonas, flavonóis, isoflavonas, antocianinas e catequinas.
As isoflavonas são flavonoides semelhantes ao hormônio estrogênio feminino, encontrados na soja, frutas vermelhas, sementes, grão-de-bico. Melhora a densidade óssea, diminui o mau colesterol, reduz os sintomas da menopausa e protege contra câncer de mama e da próstata.
Os índoles são encontrados em vegetais crucíferos(couve e repolho) e sua ação bloqueia o câncer de mama e da próstata.
Há ainda certos esteróis de plantas como o sitosterol, o estigmasterol e campesterol que baixam as taxas de colesterol.
Outros agentes desintoxicantes são encontrados nos alimentos como verduras folhosas, legumes, tubérculos, frutos e cereais integrais. Uma dieta rica em frutas, hortaliças e cereais fornecem grande variedade de antioxidantes, aumentando a defesa imunológica e diminui o risco de desenvolver doenças e envelhecimento precoce.
Dentre os minerais o selênio pode desempenhar papel atuante na prevenção do câncer principalmente de próstata,  cólon e pulmões. Uma taxa adequada de selênio, inferior a 750 microgramas, não deve ser negligenciada.

                   PRINCIPAIS FITOQUÍMICOS

Capsaicina –pimentas ardidas- Reduzem riscos de coágulos fatais
Carotenóides (beta-carotenos, licopeno) – frutas e vegetais pigmentados – Reduzem riscos de câncer e outras doenças.
Cúrcuma – tempero amarelo – Inibe enzimas carcinogênicas
Flavonóides (flavonas, flavonóis, isoflavonas, catequina) – frutas vermelhas, chá preto, azeitona, orégano, cebola, uvas pretas, suco de uva,  vinho, soja, verduras,  trigo integral) – Antioxidantes; ligam-se a nitratos  do estômago, impedindo a conversão em  em nitrosinas e inibem a proliferação celular.
Indois – brócolis, couve, repolho, couve-flor, rábano, mostarda – Desencadeiam a produção de enzimas que bloqueiam o dano ao DNA, causado por carcinógenos e inibem a ação do estrógeno.
Isotiocianatos – brócolis e outras hortaliças como couve, couve-flor, repolho, rábano, folhas de mostarda – Inibem enzimas que ativam carcinógenos, desencadeiam enzimas que detoxificam carcinógenos. 
Lignanas – linhaça e seu óleo e grãos integrais – Bloqueiam a atividade do estrógeno nas células, reduzindo o câncer de mama, próstata, cólon, ovários.
Monoterpenos (limoneno) – cascas e óleos de frutas cítricas – Desencadeiam a produção de enzimas para desintoxicar e inibir a produção de carcinógenos e a proliferação de células.
Compostos organo-sulfurados – cebolinha; alho; alho-poró, cebolas. – Aceleram a produção de enzimas destruidoras de carcinógenos e retardam a produção de enzimas ativadoras de carcinógenos.
Ácidos fenólicos –  grãos de café, frutas, aveia, batata, soja -Desencadeiam a produção de enzimas para tornar os carcinógenos hidrossolúveis, facilitando a excreção.
Ácido fítico – grãos integrais – Liga-se a minerais, impedindo a formação de radicais livres.
Fitosterois (genisteina e daidezina) – soja e seus derivados, tofu, proteína vegetal texturizada, legumes – Liga-se à inibição de estrógeno e à replicação celular no trato digestivo e reduz os riscos de câncer de mama, de próstata, ovário, cólon; também da osteoporose.
Inibidores de protease – brotos de brócolis, batata; soja e outros derivados de soja – Reduzem a produção de enzimas em células cancerosas, retardando o crescimento tumoral; inibe a ligação do hormônio e inibe as alterações malignas das células.
Saponinas – brotos de alfafa e de outros vegetais; batatas;  - tomate - Interfere com a replicação do DNA, impedindo a multiplicação das células cancerosas e estimulam a resposta imunológica.
Taninos – feijão-fradinho; uvas, lentilhas; vinho tinto e branco, chá – Inibe a ativação de carcinógenos e a manifestação do câncer; atua como antioxidante.                    

                     SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS

Segundo algumas pesquisas os suplementos de vitamina E, ingeridos por um período de tempo podem aumentar os riscos de hemorragia cerebral. Retardam a coagulação sanguínea, agravam doenças autoimunes, como asma e artrite reumatoide.
A vitamina C quando em excesso eleva a absorção de ferro, frequentemente causando sobrecarga em algumas pessoas.
Suplementos diários de vitamina E, betacaroteno ou ambos não reduzem a incidência de câncer de pulmão entre fumantes e o betacaroteno pode aumentá-la.
Suplementos de selênio também são tóxicos, quando em quantidade elevada.

             O  QUE  DEVEMOS FAZER?

Os alimentos liberam milhares de substâncias químicas, além de nutrientes. Não tente selecionar uns poucos nutrientes mágicos para tomar como suplementos. Frequente com mais assiduidade, as feiras, mercados e setores de supermercados onde você encontra uma grande variedade de frutas e hortaliças, ingerindo-as,  diariamente, em quantidades generosas.

               PRINCIPAIS  ALIMENTOS
:
Frutas: damasco, aspargo, cevada, manjericão, morango, amora, manga, mamão, tangerina, laranja, limão, açaí, jabuticaba.
Verduras folhosas: repolho, brócolis, couve-flor, alface, espinafre.
Cereais: arroz integral, aveia, cevada; soja, trigo integral, lentilha.
Legumes e tubérculos: cenoura, nabo, aipo, batata inglesa, batata-doce, gengibre,  cebola, alho, abóbora, estragão.


 PRINCIPAIS  SUBSTÂNCIAS ANTIOXIDANTES

- Vitamina C – encontrada nos cítricos (laranja, limão) frutas amarelas ou vermelhas (acerola, morango, framboesas, amora, goiaba, caju, tomate) e verduras folhosas verde-escuro como brócolis. A vit. C neutraliza os radicais livres e ajudam a produção de colágeno. As frutas vermelhas contêm antocianinas e ácido elágico  que evitam a formação de rugas.
- Vitamina E – presente no gérmen de trigo, óleos vegetais (soja, arroz) nozes, vegetais folhosos e legumes.
- Vitamina A – cenoura, abóbora, brócolis, melão, batata doce, damasco seco, castanha-do-pará.
- Zinco – carnes, peixes, aves, leite, ostras e outros crustáceos, aves, leite, feijão e nozes.
- Selênio – fígado,  carne, ovos, aves, nozes, castanha-do-pará, alimentos marinhos.
- Licopeno – tomate.
- Isoflavonoides – soja
-  Catequis – morango, uva e chá verde.
- Aveia – Vitaminas B1, B2  e silício que produz colágeno.
-  Azeites extravirgem, contêm as vitaminas A, D e E que retardam o envelhecimento.
- Castanha-do-pará – selênio que combate os radicais livres, equilibra a função da tireoide oscilação da pressão.
- Linhaça – além de conter zinco, auxilia a síntese do colágeno, dá sensação de saciedade e regula a função intestinal.
- Salmão, atum – ricos em Ômega 3 que combate as reações inflamatórias.
- O tomate além de licopeno e vitamina C; contém, também magnésio e sódio que ajudam a combater a flacidez, retardando o envelhecimento.
-Vinho- contém substâncias antioxidantes como o resveratrol, antocianinas e flavonoides.
Outras substâncias antioxidantes: óleo de cártamo, planta asiática da família do girassol previne o envelhecimento e reduz a formação da celulite; lentilha, abacaxi, carne bovina, fígado, peixes e espinafre.
- O espinafre – tem magnésio, ácido fólico. Vit. A, B6, B12 que auxiliam na manutenção das células imunes.

                   




sexta-feira, 18 de abril de 2014

UNHA-DE-GATO

Há duas espécies de trepadeiras conhecidas como “unha-de-gato”: Ficus pumilla, usada em paisagismo, para recobrir muros, paredes, escadas, colunas e moldes de topiaria, principalmente estruturas sem acabamento. Suas folhas são pequenas, claras e redondas. Ramos  aderentes  dispensam o tutoramento. Quando não se fazem podas periódicas seu tronco se torna lenhoso, frutifica e chega a destruir o suporte.
A planta dotada de princípios ativos pertence ao gênero Uncaria com duas espécies: U. tomentosa, nativa da Região Amazônica e U.guianensis, encontrada nas Guianas. Há cerca de 50 espécies na América Tropical, em área que faz fronteira com Peru, Venezuela e Bolívia. Acredita-se que os índios do Peru já a conheciam, pelo menos há 2000 anos.
Atualmente corre risco de extinção pela ação predadora extrativista, interessada em suas propriedades medicinais. Chamada popularmente de herinha.
 Apesar de descrita desde 1830, o interesse por essa planta só foi despertado em 1970. Em 1994, foi feito o primeiro registro das suas propriedades farmacológicas, reconhecida na Suiça como planta medicinal. Nas últimas décadas, vários países, como a Alemanha, Inglaterra, Hungria, Itália,  Peru e Brasil vêm realizando importantes estudos científicos, para detectar e isolar seus princípios ativos. Os EUA  vêm utilizando a planta para melhorar as defesas imunológicas do organismo de pacientes acometidos por infecções causadas por vírus e bactérias, inclusive a AIDS, herpes simples e zoster e até câncer.

                       CARACTERÍSTICAS  BOTÂNICAS

Pertence à família das Rubiáceas. Constitui vigoroso arbusto, chegando  o seu caule, em forma de cipó, a atingir 5m de comprimento, pouco ramificado com ramos quadrangulares trepadores, apresentando espinhos em forma de ganchos em cada axila foliar; as folhas são opostas, ovais, medindo entre 5 e 10cm de comprimento; as flores são singelas, quase imperceptíveis, às vezes esbranquiçadas ou branco-amareladas. As raízes são adventícias prendendo-se nos muros.
             
                         DISTRIBUIÇÃO  GEOGRÁFICA

Nativa da Região Amazônica, distribui-se ao longo da costa dos rios e áreas úmidas e mal drenadas, em regiões fronteiras com o Peru, Bolívia e Venezuela.  Atualmente é encontrada em quase todos os países da América do Sul e Central, principalmente Peru, Bolívia, Venezuela, Argentina, Equador, Guianas, Suriname, Costa Rica, Guatemala, Panamá, México. Na Flórida é considerada planta exótica, invasiva, tendo sido introduzida em 1947.

                         PRINCÍPIOS    ATIVOS

A Uncaria tomentosa é um verdadeiro arsenal de alcaloides. Nas cascas do tronco e das lianas já foram isolados seis alcaloides do grupo dos indólicos com 50% de função imunitária.
Também nas raizes encontram-se alcaloides oxiudólicos para estimular o sistema imunológico e antileucêmico; glicosídeos do ácido quinóvico que tem grande poder anti-inflamatório e antiviral. O alcaloide mais importante é o rhynchophylline com atividade  vasodilatadora e anti-hipertensiva.  Outros alcaloides  e taninos são encontrados com atividades diversas. Também ésteres de alquilos carboxílicos, também como estimulantes, anti-inflamatórios, anticarcinogênicos e ação reparadora de tecido; compostos antioxidantes, como o tanino,  catequinos e procianidina; esterois com função anti-inflamatória.

                       MECANISMO  DE  AÇÃO

Impede a produção excessiva de citocina que é uma proteína de resposta anti-inflamatória do organismo. Usada na Indústria Farmacêutica na produção de anti-inflamatórios. Seus componentes atuam como esteroides, ativando o tratamento das artrites. Modela a função imunológica, ajudando a formação de linfócitos T que atacam as células cancerígenas e diminuindo a produção de  citocina. 

                PROPRIEDADES  FARMACOLÓGICAS

Analgésica, anti-inflamatória, antimutagênica, antioxidante, antiproliferativa, antitumoral (inibidora da carcinogênese) antiviral, antibacteriana, antialérgica citoprotetora, citostática, citotóxica, cicatrizante, depurativa, diurética, vasodilatadora, hipotensiva, imunoestimulante e imunomodulatória.

                     USO  EM  MEDICINA  POPULAR

Osteoporose, processos inflamatórios articulares como osteoartrite, bursite e artrite reumatoide, artrose, problemas do sistema digestivo e infecções virais. Angina, afecções urinárias e de próstata, antiabortivo ou contraceptivo, cicatrizante de feridas profundas. Alivia úlceras gástricas e duodenais, cirrose,  colite, diverticulite. Reduz as taxas de colesterol e ajuda no emagrecimento.  Previne acidente vascular cerebral (AVC), hemorroidas, síndrome do intestino permeável, amigdalite, alergias, rinite, sinusite, abscessos cutâneos; previne e cura enfermidades virais como gripe,  varicela, herpes labial, gonorreia e até AIDS, todas decorrentes da debilidade do sistema imunológico,  fortalecendo-o. Em casos de neoplasias não deve ser usado com quimioterapia e radioterapia. Impede o crescimento das células cancerígenas, ajuda a reparar os danos causados pela radioterapia e quimioterapia, reduz os sintomas do Mal de Alzheimer, síndrome da doença crônica ou doença de Crohn, inflamação crônica do trato gastrointestinal, afetando principalmente o íleo e cólon, causando fortes dores abdominais com diarreia, perda de peso e febre.
Antioxidante, combate os radicais livres. Aumenta a atividade cerebral e contribui para melhorar a memória.
Na Amazônia o chá de Unha de Gato é usado em associação com o uxi-amarelo para resolver problemas ligados à menstruação, pois atua no sistema hormonal, no período da menopausa, próstata e diabetes.

                      PESQUISAS  CIENTÍFICAS

Atualmente o Instituto do Envelhecimento pesquisa a ação de derivados dessa planta sobre o cérebro dos pacientes com Mal de .
A Unha de Gato é a planta de vez na luta contra o câncer, em  pesquisas realizadas pela Faculdade de Medicina da Universidade do ABC  Paulista, já em fase de Terapêutica Clínica, isto é, experimentos em humanos, saindo na frente de outras instituições de ensino e pesquisa. 
Pesquisas estão em desenvolvimento em outras instituições científicas  para isolar princípios ativos no tratamento de AIDS,  constituindo, também,  a esperança no tratamento da artrite, doença até o momento sem cura.
Na Europa os médicos infectologistas associam extrato da raiz de Unha de Gato com AZT no tratamento da AIDS.
Possibilidade do seu uso para reparar o DNA, prevenindo mutações celulares
Desde o ano de 2009 o IOC vem utilizando essa planta como  matéria-prima para controlar os efeitos da dengue.
                      VALOR  COMERCIAL

Encontrado à venda sob a forma de comprimidos, cápsulas, tônico herbal, feitos a partir do extrato das cascas e raízes da planta. Também folhas dessecadas e raízes para chás.

                   CONTRA-INDICAÇÕES

Apesar de utilizada no tratamento e prevenção de tantas doenças, pelos alcaloides diversificados, alguns em elevados teores, há severas contraindicações que não podem ser ignoradas:
- não usar com antiácidos.
- em casos de transplantes, pelos princípios ativos com função imunológica.
-  não pode ser usado junto com a quimioterapia e radioterapia.
- interromper o uso dez dias antes de qualquer cirurgia, por seus componentes que reduzem a agregação das plaquetas.

                      REAÇÕES  SECUNDÁRIAS

Foram relatados casos de dores abdominais, problemas gastrointestinais e diarreias.



                                   HISTÓRICO

Os índios do Peru  já conheciam essa planta, por eles denominada ërva sagrada da mata”,  usada em processos inflamatórios, reumatismo, artrite, asma, úlceras gástricas, dor nos ossos, ferimentos profundos, inflamações urinárias, purificador dos rins, recuperação de parto, problemas do estômago e intestinais. Os Ashaninka, povo ainda hoje existente perto da fronteira do Peru e do Brasil, vivia anteriormente no Peru, Bolívia e Acre são grandes consumidores dessa planta, em rituais chamados kamarapi (vômito, vomitar)..
A etnia se autodenomina “meus parentes” e são aparentados dos Incas que  se instalaram no vale Andino, em 1300, onde fundaram Qosqo (Cuzco) sob a liderança de Manco Capac. Em menos de 200 anos deixaram de ser uma formação tribal para constituir um império com uma área de 5mil Km@ e que se manteve até 1572. Nesse ano  desmoronou o Império Inca, após a execução de Tupac Amaru, líder da resistência  após a prisão  e execução de Atahualpa, na fogueira em 1532, por ordem de Francisco Pizarro. No ano seguinte Cuzco foi conquistada pelos espanhóis que ocuparam  a  costa  e a serra peruana até a rendição completa do Império Inca.
Os inca cultivavam  402 plantas medicinais, sendo 84% silvestres e 63% coletadas nas florestas e apenas 2% eram exóticas. As principais espécies pertenciam às famílias: Rubiáceas, Euphorbiáceas,  Asteraceas,  Araceas, Solanáces e Piperáceas.
Plantavam nos campos dispersos  ao longo da Cordilheira dos Andes, em vertentes elevando-se quase a quatro quilômetros, e em clima variando do tropical ao glacial. Vencendo essa enorme variedade de obstáculos, constituídos por escarpas e aclives, desenvolveram sofisticadas técnicas agrícolas, constando de socalcos ou muros de contenção, feitos de pedra e barro, colocando cascalho em suas bases e nas laterais para facilitar a drenagem, evitando a erosão pelas chuvas. Nesses terraços agrícolas ou andenes cultivavam valiosos cereais, tubérculos, vagens, frutas que serviam de alimentação para toda aquela gente. Dentre os principais produtos destacam-se: o amaranto,  considerado místico também para os astecas, a quinoa, o uluco, a oca e o arracachá, espécies de tubérculos e frutos como a  chirimóia, nuna,  babaco, o kiwicha, amoras gigantes, groselha de cabo, um maracujá da casca amarela, o pepino doce com gosto de melão,  o tamarillo com cativante travo tropical. Também cultivavam ervas medicinais.
O amaranto na época de Colombo constituía a base alimentar do México; era usado no desjejum e para fazer bolos e uma bebida, preparada para as cerimônias religiosas. Era adotado em forma de pagamento, junto com o milho, como tributo ao imperador Montezuma II. Também era cultivado contra os espíritos maléficos.
 As plantações de amaranto foram destruídas por Cortés, após a invasão do México em 1519, sucedendo o mesmo no império inca que incluía o Peru, a Bolívia e o Equador, assim como parte do Chile, Argentina e Colômbia.
Os  Ashaninka surgiram no Peru, por volta do século XII, no mesmo período dos Inca e conviveram próximo a eles, fugindo para a  Região Amazônica, com a chegada dos espanhóis. A sua língua pertence ao tronco linguístico dos Nu-Aruaque. Dedicavam-se à tecelagem  e sempre usaram roupas, com cores  diferentes,  de acordo com a etnia. Possuem até os dias atuais uma tradição de trabalhos espirituais.
Esses índios têm o hábito de ingerir uma bebida feita de ayuraska, nos rituais chamados kamarapi. Acreditam  que essa bebida foi o legado que lhes foi deixado por Pawa para que adquiram conhecimento e aprendam a viver na Terra. O aprendizado xamânico se dá através do consumo regular e repetitivo da bebida. A experiência  confere respeito e credibilidade e os efeitos os levam a fazer viagens para outros mundos, adquirindo sabedoria para curar os males que afetam a comunidade, principalmente os nativos, causados por suas crenças como feitiçarias e que chegavam a 57% de todas as aplicações medicinais. Contra as doenças dos brancos só  os remédios industrializados.
Ayuraska, nome quíchua de origem  inca  é uma bebida  cerimonial produzida a partir da decocção de duas plantas nativas da região amazônica, marini ou jabuge, tipo cipó e folhas do arbusto chacrona ou rainha que  contém dimetiltriptanina. Entre nós é conhecida por daime e usado pelos inca e 72 tribos indígenas do Peru, Colômbia, Bolívia e Brasil,
Usado em rituais de movimento religioso conhecido por Santo Daime ou União Vegetal  para potencializar a percepção, prática que altera o modo de entender as coisas, estabelecendo uma ponte entre o homem e suas divindades.
Os Ashaninka têm longa história de luta, repelindo os invasores desde a época do período incaico até a econômica extrativista da borracha na Amazônia, no século XIX, principalmente entre os habitantes do lado brasileiro. Povo austero e festivo, orgulhoso  de sua cultura, é movido por um forte sentimento de liberdade, pronto a morrer para defender seu território. Admirável a sua capacidade de conciliar costumes e valores tradicionais com ideias e práticas do mundo dos brancos que o conhecem como Kampa. Somente em 1992 suas terras foram demarcadas.

                       CURIOSIDADES

Há várias plantas conhecidas por Unha de Gato. Nos descampados da ilha de São Luis há um arbusto invasivo, espinhento cujos galhos são usados em decoração de igrejas e salões de festas.
No município de Bequimão o jamarí, cuja madeira com âmago resistente fornece  mourões de cerca, usado, também como cerca viva. O seu porte, no entanto, lembra uma árvore pequena, com espinhos.
Os Jesuitas foram os primeiros contatos de     brancos com esse povo, em 1595, documentado através de cartas enviadas pelos missionários aos seus superiores.

                      AGRADECIMENTOS

Ao Dr. Luiz Raimundo Azevedo pela sugestão do tema.
Ao Prof. Dr. José Cloves Verde Saraiva por disponibilizar-me artigos sobre os Inca.
À Sra. Rosa Paxeco Machado, de Caldas da Rainha, Portugal e à amiga Ana Sofia Nascimento Moraes, residente em Miami, que me enviaram links sobre os produtos à base de Unha de Gato, fabricados em Laboratórios Farmacêuticos da Europa e dos Estados Unidos, respectivamente.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

OVO DE CHOCOLATE: SÍMBOLO PASCAL?


Estamos às vésperas da Semana Santa e, logo após, o Domingo de Páscoa, quando temos o costume de presentear crianças, filhos de parentes e amigos com ovos de chocolate.
 Mas de onde vem esse costume e como o chocolate é obtido, esse produto tão saboroso que leva à dependência: os chocólatras cujos  casos mais exagerados exigem tratamento com psicólogos?
A Páscoa como todo cristão deve saber, é um período de reflexão sobre o significado da vida e o sacrifício de Jesus Cristo para salvar-nos.
A origem de presentear com ovos remonta a China Antiga, no início da Primavera em seu calendário, quando os chineses embrulhavam ovos naturais com cascas de cebola e os cozinhavam com beterraba. Com essa operação, os ovos apresentavam desenhos mosqueados nas cascas e eram oferecidos como presentes. Esse costume foi para o Egito, sendo mais tarde adotado pelos cristãos que consagraram esse hábito como lembrança da Ressurreição de Cristo. Entretanto foi somente no século XVIII que a  Igreja adotou oficialmente como um dos símbolos da Páscoa.
Há duas teorias para explicar a adoção do chocolate, em substituição ao ovo natural: pela proibição da Igreja, durante a Quaresma, da ingestão de carne e seus derivados, como ovos e leite; e a outra diz respeito a uma cerimônia advinda da Idade Média e que consistia na bênção de ovos durante a celebração de missas.
Aceitando ou não uma dessas teorias, o certo é que essa é uma tradição milenar relacionada ao Cristianismo. Costumava-se pintar cascas vazias de ovos de galinha  com cores fortes, alegres, pois a Páscoa é uma data festiva para toda a Cristandade, sendo o ovo o símbolo do nascimento
Os gregos e egípcios também coloriam ovos, porém em datas diferentes o que significa que é um símbolo anterior ao Cristianismo, representando  a fertilidade e o renascimento da vida. Muitos séculos antes do nascimento de Jesus, a troca de ovos no Equinócio da Primavera (21/3) era um costume que celebrava o fim do inverno  e o início de uma estação marcada pelo florescimento da natureza. Para obterem colheitas fartas, os agricultores enterravam ovos nos campos de cultivo.
Quando a Páscoa cristã começou a ser celebrada, a cultura pagã dos festejos da Primavera foi integrada na Semana Santa, passando o ovo a ser considerado o símbolo da ressurreição de Jesus Cristo.
Colorir e decorar ovos é um costume praticado no Oriente há milhares de anos, no início da Primavera. Nos países  do Leste Europeu, os ortodoxos tornaram-se exímios artesãos, transformando cascas vazias de ovos  em verdadeiras obras  de  arte. Da Rússia à Grécia os ortodoxos costumavam pintar com vermelho. Na Alemanha preferiam o verde. A tradição é tão enraigada que a Quinta-Feira Santa  é conhecida como Quinta- Feira Verde. Na Bulgária luta-se com ovos na mão, em verdadeiras batalhas campais.
Na Ucrânia, o ovo colorido é de origem  eslava e com desenhos bem coloridos, chamados pessankas e simbolizam a vida, a saúde, a prosperidade. Com a chegada do Regime Comunista as pessankas foram proibidas, embora continuassem a ser produzidas em povoados distantes. No Brasil, assim como em outros países onde há ucranianos ou seus descendentes, as pessankas são feitas na Páscoa. Após a independência, em 1991, voltaram a ser produzidas naquele país.
Das tradições da Europa Oriental  o hábito passou para os demais países. Eduardo I da Inglaterra oferecia ovos banhados em ouro para seus súditos preferidos. Luiz XIV da França mandava pintar e decorar para presentes. Começou, então a fazer-se de madeira, porcelana, metal, contendo no interior alegres surpresas aos presenteados.
Luiz XV presenteou  a sua amante, Madame du Barry com um ovo enorme com a estátua de Cupido. Essas tradições inspiraram Peter Carl Fabergé na criação dos seus afamados ovos, que são considerados obras de arte, valendo atualmente verdadeiras fortunas.
Os ovos de chocolate vieram dos Patissiers franceses que recheavam cascas de ovos com chocolate e as pintavam por fora. A partir do século XIV se difundiram, totalmente feitos de chocolate, como os conhecemos, recheados ou não de bombons ou pequenos  brinquedos e envolvidos em papel laminado bem colorido.

                                    O CACAU
O cacau, fruto do cacaueiro, pertence à família das Esterculiáceas. Segundo alguns botânicos, foi denominado por Lineu, em 1753, de Teobroma cacao ou bebida dos deuses, embora tenha tido outras denominações como Cacao fructus, depois, em 1737 Teobroma fructus. Planta de clima quente e úmido desenvolve-se bem em solos argilo-arenosos; umbrófila, vegeta bem em sub-bosques e matas ralas, considerada cultura conservadorista de solos, fauna e flora. Seu fruto, rico em antioxidantes é o mais nobre dos alimentos  que a Mãe Natureza legou à Humanidade.
Nativo da América Central passou para a América do Sul, principalmente o Brasil. A planta pode atingir até 6m de altura e possui duas fases de frutificação: a safra que vai de setembro a fevereiro e a temporã, nos demais meses. Constitui a principal matéria prima do chocolate, obtido pela moagem das amêndoas secas, em processo industrial ou caseiro. Espécimes silvestres atingem 20 metros de altura. Alimento energético é usado na fraqueza orgânica, esgotamento físico, convalescença de ataques anginosos, estimulante das funções urinárias.
 Fonte de serotonina que combate a depressão, também apresenta a dopamina e phenilethylamine. Rico em magnésio, teobromina, cafeína, gorduras, ésteres, esteróis, substâncias proteicas, vitaminas do complexo B, vitamina D, açúcares, mucilagens, pectinas, amidos, óleo essencial, ácidos livres como o esteárico, palmítico, mirístico, oleico e linoleico,  epicatequina, procianidina, flavonoides.
Por todos esses princípios ativos tem indicação como emoliente, diurético, vasodilatador, estimulante do sistema nervoso central e do coração.
A gordura constituída por vários ácidos chama-se manteiga de cacau e é usada para rachadura dos lábios e bicos dos seios.
                          CARACTERÍSTICAS  BOTÂNICAS
O Cacau foi descrito, pela primeira vez na literatura botânica por Charles de l’Ecluse que o descreveu,  denominando-o Cacao fructus.
Desenvolve-se bem  nas terras baixas, dentro de bosques escuros, sob a proteção de grandes árvores
Caule ereto, casca lisa e verde nos primeiros dois anos, escurecendo depois. A uma altura entre 60cm e 2m, o caule emite ramos laterais e destes, outros surgem  para formar a copa. As folhas novas são róseas a bronze escuro, tornando-se verdes e rígidas; são alternas, opostas nos ramos laterais, enquanto nos verticais são alternos, em espiral. São longas  e podem medir 30 cm de comprimento. As flores são pequenas, de cor amarelo-avermelhado, com cinco pétalas, inodoras e pouco atraentes; são  hermafroditas, apresentando estames e estigmas. Formam-se em inflorescência no tronco ou ramos lenhosos, nas chamadas almofadas florais onde se desenvolvem e formam os frutos. Estes são cápsulas ovoides, pentaloculares, de cor dourada ou vermelho e tamanhos variados, de acordo com a variedade, chegando a pesar entre 35 e 75g.. A superfície da casca é sulcada longitudinalmente, contendo uma polpa esbranquiçada ou creme, envolvendo  20 a 50 sementes.  O caule é fixado por uma raiz principal, pivotante, com 1 a 2m de profundidade e dela partem ramificações laterais em maior número nas proximidades da superfície da terra as quais se dividem formando uma densa rede responsável pela nutrição do vegetal.
A produção de frutos se dá a partir do segundo ano, e entre a  polinização feita pela mosquinha Forcifomyia, e o amadurecimento dos frutos decorrem 180 dias.


                                                HISTÓRICO
A população Maia, chegou na península  de Yucatán, localizada entre a América do Norte e a América Central, correspondendo a Guatemala, e parte de Honduras, por volta de 700 anos a.C. e ergueram uma civilização de elevado desenvolvimento cultural, político, econômico e científico: usavam ervas para curar  doença e os males de espírito. Dentre as plantas cultivadas uma das mais importantes era o cacau, tendo  as primeiras plantações sido estabelecidas por volta de 600 a.C., considerado o período áureo dessa civilização. Sobreviveram até 1523, quando foram totalmente exterminados pelos conquistadores espanhóis. Já os Astecas, descendentes de nômadas do noroeste  mexicano, construíram um grande império, a partir em 1200,  quando conquistaram Atzcapotzalco, tornando-o o estado dominante da região, em 1428. Guerreiros implacáveis praticavam, também, a agricultura, dominando, por mais de trezentos anos, o planalto central do atual México e fundando a capital em 1325.
 As sementes do cacau foram espalhadas por toda a península, através de aves e macacos. Os Astecas, senhores absolutos do México,  acreditavam que o deus Quetzalcóati havia trazido do céu as sementes para os seres humanos. O chocolate obtido das suas sementes dessecadas era consumido apenas pela nobreza e por sacerdotes e entidades do Sol.
 O nome deriva de dois vocábulos kab e kaj, que numa mesma palavra formava a expressão kabkal ou suco amargo com sabor apimentado. A bebida era chamada kabkajati, sendo que as três últimas letras significava líquido. Os espanhóis tinham muita dificuldade para pronunciar e sempre colocavam um hu nas palavras dos índios mexicanos, passando para kabkajuati e depois cacau.
Cerca de 60 mil astecas se dirigiam diariamente ao mercado de Tlatelolco, em Tenochtitlán, onde legumes, carnes, ouro e escravos eram trocados de mãos. A moeda não era de ouro nem de prata e nem de outro metal nobre e sim sementes de cacau. Naquela época. O produto que dá origem ao chocolate era tão valioso que havia especialistas em falsificá-las, usando farinha.
Em 1502, Cristóvão Colombo foi o primeiro europeu a experimentar o cacau, levando sementes da planta para a Europa e por outras regiões por onde passava. Grande apreciador  da bebida apimentada, sendo atribuída a ele a denominação. Entretanto quem ficou mais impressionado foi Hernán Cortés, dezessete anos depois de Colombo, recebido pelos nativos com uma taça de chocolate. Curiosamente os conquistadores espanhóis chegaram à atual Vera Cruz na data marcada pelo calendário asteca como a provável do retorno de Quetzalcoalt. O imperador da  época,  Montezuma,  ofereceu a Cortés um grande banquete, oferecendo no final  a bebida xocoalt, chocolate frio e espumante, misturado com mel, especiarias e baunilha, em taças de ouro. Nesse encontro Cortés foi informado de que o chocolate era afrodisíaco e dava vigor e força, e quem o bebesse compartilharia da sabedoria do deus. Um ano depois, em 1525, Cortés prendeu o imperador e tomou-lhe as terras.
            Em 1528, Cortés voltou para a Espanha com o navio carregado de amêndoas de cacau, levando, também as técnicas sobre o cultivo da árvore, fermentação do cacau e os utensílios para preparar a mistura. Na Europa o chocolate passou a ser preparado nos mosteiros, onde foram criadas novas receitas com o fruto. Não tardou para que o chocolate passasse a ser moldado em pequenas rodelas para serem dissolvidos e apreciados nos salões aristocráticos. Logo as sementes começaram a ser espalhadas por toda a Europa, Índia e no continente americano.
          Em 1530  Peter Martyr da Algeria comentou “abençoado o dinheiro  que fornece doce bebida e é benéfica para a humanidade”.
No final do século XVIII surgiram em Londres casas de chocolate e em 1828, o químico holandês Coenraad Van Kouten inventou uma prensa que separava a manteiga de cacau do pó, passando a bebida a ser preparada só com o pó. Os ingleses foram os primeiros a misturar a manteiga com açúcar, introduzindo, assim, o chocolate comestível. Em 1875, dois suíços, Daniel Peter e Henri Nestlé  criaram a primeira barrinha de chocolate ao leite.
                  
                                    VARIEDADES
Alguns pesquisadores acham que o cacau é originário das cabeceiras do Amazonas, expandindo-se em duas direções  principais, gerando dois grupos importantes: o Criollo seria nativo em Honduras, Costa Rica, México, América Central e norte da América do Sul.  Seus frutos grandes com superfície enrugada e sementes grandes com o interior branco ou violáceo, cultivado pelos Maias e Astecas; o Forasteiro  espalhou-se pela bacia amazônica, considerado o verdadeiro cacau brasileiro, com frutos ovoides, superfície lisa, imperceptivelmente sulcada ou enrugada. O interior de suas sementes é violeta escuro, quase preto. Há uma terceira variedade – Trinitário, cultivado em Trinidad, híbrido das variedades anteriores e responsável por 15% da  produção.

                                    NO  BRASIL
Oficialmente o cultivo do cacau no Brasil começou em 1679, através de Carta Régia que autorizava os colonos a plantá-lo em suas terras. No Pará as tentativas fracassaram por causada pobreza dos seus solos. Em 1746, Antônio Dias Ribeiro recebeu sementes do grupo Amenolado Forasteiro de um colonizador francês L. F. Warneau do Pará e introduziu na Bahia. No sul da Bahia desenvolveu-se muito bem, alcançando o auge em meados do século XVIII.
O cacau fora sinônimo de prosperidade, a partir de 1808, quando começou a exploração científica e industrial para exportação, financiando o baluarte Brasileiro contra Napoleão Bonaparte. D. Maria, a rainha fora a grande propagandista das  suas propriedades nutritivas.
Foi responsável pela formação de grandes riquezas, sendo uma das maiores fontes de divisa, ao lado do café, até 1930, quando as plantações começaram a ser atacadas  por um fungo fito-patogênico Moniliophtora perniciosa, causando uma doença conhecida por “vassoura de bruxa”, descapitalizando a indústria cacaueira, principalmente a Bahia, fazendo desaparecer seu império em Ilhéus e a nobreza do cacau. A redução na produção foi de 60%, ocupando, atualmente o Brasil, o 5@ lugar no mercado exportador.
Por ser plantado à sombra de florestas foi responsável pela preservação de grandes corredores da Mata Atlântica no sul da Bahia.
Na 2@ metade do século foi levado para a África, sendo cultivado, a partir de 1855 nas ilhas de São Tomé e Príncipe. Atualmente a Costa do Marfim e de Gana são responsáveis por  60% da oferta mundial, que atinge 3,6 milhões de toneladas.
Infelizmente o cultivo africano é feito usando a mão de obra escrava e infantil, atualmente mas na época da riqueza os trabalhadores eram assalariados.
                                    VALOR  NUTRITIVO
 
O chocolate é um dos alimentos mais completos que consumimos. Melhor alimento balanceado que existe contendo associação equilibrada de cacau, leite e açúcar. Não é atoa que Lineu  denominou Teobroma  -  manjar dos deuses,  o  cacau, o fruto sagrado, de origem divina, como acreditavam os Astecas teria sido doado aos homens pelo profeta Quatzacault; seus frutos amarelos da cor de ouro, dos quais se prepara esse maravilhoso alimento.
Em sua composição encontramos flavonoides que pertencem ao grupo dos metabólitos secundários, da classe dos polifenois, com baixo peso molecular, encontrado em vários outros vegetais. Reduzem a pressão arterial, prevenindo doenças cardíacas.
A Teobromina é um  alcaloide que pode ser encontrado em estado livre como sais e óxidos, com ação biológica, analgésica, psico-estimulante e neurodepressora. Foi descoberta nas sementes do cacau em 1841 com efeito estimulante, o que explica juntamente com a cafeína e alguns compostos, a ação estimulante e energética. No entanto excesso de teobromina pode causar anorexia, náuseas, sudorese, tremores e dor de cabeça.

           TIPOS DE CHOCOLATE EM BARRAS MAIS CONSUMIDAS
1 –  branco, feito a partir da manteiga de cacau; rico em gorduras saturadas que aumentam o peso e sem muito valor nutricional.
2 – ao leite, contém gordura hidrogenada, menos valor calórico com exceção dos que contém nozes, castanhas, cremes e frutas cristalizadas.
3 – amargo – feito com grãos torrados, contém pouco açúcar e não tem acréscimo de leite. Rico em flavonoides que agem melhorando a circulação sanguínea.
4 – diet para diabéticos – não possui açúcar, mas tem elevados teores de gorduras, para manter a consist6encia; muito calórico.
Barras de chocolate não se conservam na geladeira; o doce  absorve a umidade local e quando evapora o açúcar vai para a superfície. Deve também, ficar longe do café, temperos e materiais de limpeza.
 USOS  NA  INDÚSTRIA  DE  COSMÉTICOS E OUTROS
Desde a Antiguidade o cacau é usado no tratamento da beleza, em banhos relaxantes de espuma, para revitalizar e hidratar a pele ressequida. Atualmente são fabricados cremes, sabonetes, batons, xampus. Também usados na manipulação de certos medicamentos, com forma de creme e pasta.
Cultivadas em jardins para efeito decorativo.


                         INDÚSTRIA  ALIMENTÍCIA
Do cacau, extrai-se a manteiga  e um pó que após processamento  obtém-se o chocolate de alto valor energético. Envolvendo os caroços  há uma polpa em grande quantidade, de aspecto mucilaginoso, branca e açucarada com os quais se fabricam sucos, refrescos, geleias.
Barras de chocolate enriquecidas com passas, castanhas, frutas cristalizada; bombons recheados com doces de frutas como cupuaçu, bacuri, coco e outras. Bolos, pudins, mousses, geleias néctares, flãs, sorvetes, picolés, iogurte, mel, macarrão, nutellla,  sushi, sucos,  destilados finos, licores ou fermentados como vinho e vinagre  tanto de polpa de cacau, como de chocolate. De todos, o preferido é o brigadeiro, bombom feiro com chocolate e leite condensado.
Com o chocolate em pó prepara-se excelente bebida, misturada com leite; algumas pessoas acrescentam castanhas de cajus. Seus derivados, fabricados industrialmente como Nescau, Toddy, são os produtos mais consumidos por crianças e idosos.
Do cacau extrai-se a pectina que processada é usada na alimentação  animal ou como fertilizantes após transformações biológicas.

                                       CURIOSIDADES
O Cacau serviu de tema para vários romances do escritor baiano Jorge Amado, sendo o mais famoso Gabriela Cravo e Canela, adaptado para o cinema e televisão. A novela Renascer exibida pela Rede Globo, tem como cenário o cultivo do cacau e o processamento de suas sementes.  Na Bahia há uma banda de forró Cacau e Açúcar. Também uma banana muito apreciada, de casca grossa, geralmente usada para compotas e saboreadas assadas é chamada banana cacau. Um jogador famoso do nosso futebol atende pela alcunha Cacau.

- Editor: Thiago Silva Prazeres

segunda-feira, 7 de abril de 2014

SE A VIDA LHE DEU UM LIMÃO FAÇA COM ELE UMA LIMONADA

Todas as chamadas frutas cítricas, pertencem ao Gênero Citrus, pela grande quantidade de  ácido cítrico. Pertencem à família das Rutáceas que  abrangem, além do limão, as seguintes frutas: laranja, tangerina, cidra, lima-de-pérsia, pomelo, todas com altos teores  do ácido e de Vitamina C.
Entre as dez frutas mais saudáveis do mundo figura o limão, ao lado do damasco, abacate, framboesa, tomate, uva, manga, laranja, maçã e melão. O limão é reconhecido como o rei dos temperos e o campeão dos remédios, devida à impressionante veratilidade de suas aplicações tanto na medicina popular como na culinária e chamado elixir da longa vida.
O limão apresenta cerca de cem espécies, sendo 70 domesticadas. No Brasil as  espécies  mais difundidas, portanto  as mais comuns são: C. limonium,  C. aurantifolia, o C. limona e o C. latifólia, ou limões sicialiano  galego, tahití e cravo. O limão siciliano é o verdadeiro Citrus limonium também chamado eureca e lisboa. Pode ser encontrado na Flórida, mudando só a textura e o sabor. O limão cravo  tem casca verde e grossa, parecido com uma mexerica, com casca e suco avermelhado e com sabor bem forte; mesmo verde tem boa qualidade de suco, porém os maduros são melhores. O limão tahiti  tem tamanho médio, casca verde e lisa, suculento e pouco ácido. O galego  tem casca lisa e fina, cedendo facilmente à pressão dos dedos. As espécies tahiti e galego são limas ácidas de uma espécie cítrica que reúne, no máximo, dez variedades. Na realidade o limão tahiti é resultante da enxertia da lima da Pérsia com o limão cravo. Os limões  têm tamanhos, cores e sabores variados.
Nos EUA há a limetta, híbrido da variedade Cal  mexicano ou Meyer, da Flórida, resultante do cruzamento da laranja com a lima, cultivado, também, no Mediterrâneo e na Índia.
 Originário das regiões tropicais e subtropicais do continente asiático, provavelmente da região entre a Índia e o sudeste do Himalaia, onde ainda crescem em estado silvestre.  Não era conhecido pelos gregos e troianos, como alimento nem com fins medicinais;  talvez conhecessem a cidra usada para proteger as roupas da ação das traças. Trazido da Pérsia pelos conquistadores árabes, entre os séculos VII e IX quando ocuparam a Península Ibérica disseminou-se por toda a Europa. Relatos de limoeiros datam de meados do século XV, sendo a sua presença confirmada nos Açores, em 1494, aportando na América, em 1493 na segunda viagem de Cristóvão Colombo e cultivados por missionários espanhóis. Em 1742, os limões eram utilizados pela marinha britânica para combater o escorbuto, mas foi sé em 1928 que se teve certeza que era o ácido ascórbico ou vitamina C o agente que tratava a doença. Há autores que afirmam que o limão fora introduzido com as primeiras navegações em direção às Índias Orientais.
As primeiras descrições do uso da fruta para fins terapêuticos remontam às obras de Teofrasto, discípulo da Aristóteles, considerado o  criador da fitoterapia. Os helenos plantavam limoeiros ou cidreiras perto de oliveiras para protegê-las do ataque de pragas.
Há representação de limões e laranjas em mosaicos romanos em  Cartago e afrescos em Pompeia. Dizem que Nero era consumidor regular dessas frutas, usadas para prevenir-se contra envenenamentos.
No Mediterrâneo  era plantada como espécime ornamental em jardins islâmicos.
Os egípcios  do século  XIV conheciam a lima. Ao longo da costa do Mediterrâneo as pessoas bebiam  kashkale, uma bebida feita com cevada fermentada, folhas de hortelã, de arruda, pimenta preta e lima. A primeira referência feita no Egito encontra-se nas crônicas do poeta e viajante persa Nasir-i-Khusraw que deixou relato valioso da vida no Egito sob o mandato do califa fatimida al-Mustausir (1035-1094). O comércio fora incrementado em 1104. Entre os séculos X e XIII as comunidades judaicas preparavam garrafadas de limão com açúcar (gatarmizat) para consumo local e para exportação.
No Ocidente difundiu-se a partir do ano 1000, graças aos árabes que o levaram para a Sicília. A origem do nome é persa.
     Chegou ao norte da Europa através das viagens marítimas e o preço era elevado. Muitos pagavam com ouro, literalmente. Os frutos eram revendidos a preços exorbitantes, sendo considerado produto de luxo, usado como ornamento e fins medicinais.
Posteriormente os médicos observaram a sua ação sobre o  escorbuto, em marinheiros de longas viagens marítimas. Navios ingleses eram obrigados , por lei, a fazer um grande carregamento de limões.
Entre os anos 1940-1965 os EUA se tornou um grande produtor. Atualmente os maiores fornecedores são: Índia, México, China, Argentina, Brasil, EUA e o Egito.  
De odor agradabilíssimo, sabor ácido devido à presença de ácido cítrico apresenta em sua composição química os seguintes elementos: água, carboidratos, proteínas, lipídios, vitamina A, Vitamina c e as do complexo B (tiamina, riboflavina e niacina), além dos sais minerais: potássio, cálcio, fósforo, sódio e ferro. 100 g de limão respondem por 44,60 kcal.
Os teores de ácido cítrico presentes variam de 6 a 7% e somados. Esse ácido estimula a produção de carbonato de cálcio no organismo, promovendo a neutralização da acidez no meio humoral. Em contato com o meio alcalino transforma-se, durante a digestão e comporta-se como alcalinizante da acidez interna. Os seus diversos sais combinam-se com carbonatos e bicarbonato de cálcio, potássio que concorrem para acentuar positivamente a alcalinidade do sangue. Devido as essas carbonatos e à  grande variação de flavonoides é  recomendado no tratamento de várias doenças, pois seus ácidos facilmente transformados em elementos alcalinizantes, e com suas bases, fermentos e vitaminas, contribui de maneira incisiva na oxidação resíduos dos alimentos, principalmente os de natureza proteica, responsáveis pelas doenças reumáticas e  artritismo em todas as suas modalidades. Combate o ácido úrico e ácido fosfórico ajudando a excretá-los, assim como a uréia.
Fortalece o sistema imunológico, protegendo o organismo, desempenhando outras funções  contra infecções, gripes, resfriados e ajuda a melhorar a viscosidade sanguínea. Combate o ácido úrico, e o ácido fosfórico, ajudando a excretá-los, assim como  a ureia, descongestionando e desintoxicando o organismo, podendo erradicar todos os uratos.Estimula a produção de carbonato de cálcio no organismo, promovendo a neutralização da acidez do meio humoral, agindo no funcionamento normal de todos os órgãos do aparelho digestivo. Usado, também nas afecções gastro-intestinais.
Os flavonoides cítricos possuem  ação na redução de lipídeos, e atuam no envelhecimento da célula. A vitamina C é excelente remédio na curado escorbuto, além de eficaz no estresse, fadiga, dor de cabeça, alergia e até certos tipos de câncer.

                                   CARACTERÍSTICAS   BOTÂNICAS

Pertence à família das Rutáceas e o limão, derivado do latim citrus, é fruto de árvores pequenas, baixas e que não ocupam muito espaço, atingindo, no máximo, 6 m de altura, copa arredondada. Seu tronco é espinescente e muito ramificado, apresentando cor castanho-claro. As folhas são lanceoladas e alternas; Os botões florais ou inflorescências são flores axilares, alvas ou violetas, em cacho. Frutifica a partir do 2@ ano de plantio, de forma contínua e o fruto, tipo baga, tem tamanho,  forma, cor e textura diferente, variando com a espécie, podendo ser verde-escuro ao amarelo-claro. O tipo dessa baga chama-se hesperídio com endocarpo membranoso com tricomas, vesículas ou pequenas bolsas cheios de suco, ácido, esverdeado. No flavedo ou epicarpo encontram-se substâncias como carotenoides, vitaminas e óleos essenciais. O albedo é a porção esponjosa presa à casca.  As sementes são ovais e pequenas. Nas variedades resultantes de enxertia não há sementes, sendo disseminado através de estacas.

                                             VARIEDADES

São muitas as espécies de limão. O verdadeiro  tem a casca amarela, vaiando entre lima e limão, com altos teores de vitamina C e potássio. Também chamado limão-cravo, sendo alaranjado internamente e excelente para tempero.
O rendimento do suco é outra diferença, mas as características nutricionais são parecidas. A vitamina C previne cerca de 60 doenças e substitui o vinagre para temperos.
As principais variedades são:
1 – siciliano, eureka ou lisboa com cor amarela e o seu suco é menos ácido. Aroma suave, de onde se extrai essências para perfumaria e cosméticos.
2 – tahiti ou lima ácida apresenta a casca verde e sem sementes. O rendimento do suco é de 50% contra 42% do verdadeiro. Não tem esponhos. Usado em receitas de doces como mousse, tortas, sorvetes.
3 – galego – também é uma lima ácida, menos do que o tahiti e de cor amarela, quando maduro. Ideal para preparar caipirinha; apesar de atacada por vírus é ainda muito encontrado.
4-- cravo – parte interna  alaranjada, mistura de limão e tangerina. As plantações são muito atacadas por verrugosa que deixa a casca com aparência desagradável. A combinação perfeita de ácido e açúcar faz desse limão o melhor tempero.

                                            VALOR  ALIMENTÍCIO

O limão contém vitamina C  e quase todas do Complexo B como a tiamina, riboflavina, niacina e ácido pantotênico, B6 e B9. Também  albumina, gorduras, carboidratos, celulose ou fibras, sais minerais como cálcio, ferro, magnésio, fósforo, potássio e zinco. O suco  representa 40 a 50% do fruto e pesa em média 170g.
Outros elementos do limão; limonene, terpinene, pinene, sabinense, mircene,  bergamotene, citral, linalol, geraniol, citronelal, flavonoides que ajudam no combate dos radicais livres.
De baixíssimo valor calórico; 100g do suco é responsável por 25 a 50% de kcal.

                                      MECANISMO  DE  AÇÃO

Apesar dos elevados teores de ácido cítrico em contato com o meio celular, no interior do nosso organismo é transformado durante a digestão e comporta-se como um alcalinizante, isto é, neutralizando a acidez interna. O uso do limão estimula a produção de carbonatos de potássio, promovendo a neutralização da acidez muco-humoral.

                                 USOS  EM  MEDICINA  POPULAR

O limão é o mais antigo antibiótico conhecido, com grande atividade antimicrobiana. O chá de suas folhas é usado em gripes e resfriados; também para inalação. Sob a forma de xaropes combate tosse. Usado em reumatismo, infecções, febres, aterosclerose, removendo os ateromas ou placas de gorduras das artérias; constipações, gripes, afecções na garganta, acidez gástrica e úrica, alcalinizando o sangue; frieiras, cicatrização de feridas, fungos (pé-de-atleta), eczemas, caspa. Remove cravos pretos, sardas, rugas, acne equilibrando a oleosidade da pele; manutenção do colágeno e da hemoglobina. Tônico,  ajuda a manter a boa saúde, beneficia o cérebro, o sistema nervoso central, pulmões e é diurético.
Há pessoas que divulgam que o limão com uma pitada de bicarbonato de potássio destrói as células malignas de doze tipos de câncer e que é mil vezes mais potente do que a quimioterapia.
Na Austrália é usado como contraceptivo e na prevenção da AIDS (Universidade de Melbourne). Usado como espermicida, colocando na vagina o suco do limão embebido numa esponja ou algodão antes do coito.   

                                     CURIOSIDADES

Reza a lenda que é atribuida a Hércules a conquista e  difusão do limão depois de matar o dragão que guardava o jardim das Hespérides.
O limão desempenha papel importante nos seres vivos, como intermediário do ciclo do ácido cítrico, de forma que ocorre no metabolismo de quase todas as espécies. Acalma as emoções, é relaxante para as ondas do cérebro, aumentando a concentração. Segundo psicóloga da USP, a Aromaterapia aliada à Yogaterapia é tratamento eficaz no combate aos sintomas do climatério ou  fogacho. As duas terapias associadas, reduzem o nível de estresse  subjetiva, aumenta a qualidade do sono e da vida. Para obter-se a essência usada nesta prática, faz-se a destilação de suas flores, usando a ligação com a limpeza para livrar as pessoas de sentimentos de imperfeição e impureza e para fortalecer a confiança.
Na II Guerra Mundial, os países em guerra, usavam tinta mágica para enviar suas mensagens secretas. Esta técnica ajudou muitos prisioneiros a escaparem  das prisões, pois os guardas ao receberem os documentos não viam nenhuma mensagem e pensavam serem papéis insignificantes. O citrato de hidrogênio é um ácido  orgânico   fraco, encontrado nas frutas cítricas, também no abacaxi. Como antioxidante, o ácido cítrico é usado como conservante natural, acidulante. Muda de cor ao ser aquecido, passando de incolor a castanho.
Na década de 1940 um engenheiro francês que havia dirigido, na Chapada em Pinheiro uma  fábrica para extração de babaçu, implementou na região de Cumã o cultivo de limoeiros, cuja essência era enviada para indústria de perfumes na França. O projeto de Pinheiro foi extinto por causa da explosão de uma caldeira com alguns operários mortos e o de Cumã, destruído por ignorância da população.
Na pandemia da Gripe Espanhola após a I Guerra Mundial, em 1918, os limões obtiveram preços astronômicos no Brasil, custando entre 10 e 20 mil réis a unidade.
O limão facilita o resgate da condição  metabólica ideal de saúde integral: mineraliza, alcaliniza, desintoxica de forma plural, refresca, hidrata, facilita a digestão, clareia as ideias em todos os níveis de consciência e reativa a respiração celular.
Já a medicina antiga afirma que o sabor ácido do limão pertence ao elemento Madeira que rege o fígado e a vesícula biliar. Apresenta propriedades diuréticas, minimizando a retenção de líquidos no organismo. Tonifica o fígado e desintoxica o sangue, equilibra o metabolismo da queima da gordura corporal, ajudando nas dietas de emagrecimento. Nestes casos deve ser tomado o suco feito com água morna, adicionada com suco de berinjela.
Substitui o nitrato de prata pingado nos olhos dos recém-nascidos para evitar contrair riscos de infecção no canal do parto.
Usado para clarear manchas no rosto e nas mãos mas não se deve ficar exposto ao sol, ao usar limão na pele, puro ou como cosméticos para evitar queimaduras.

                                    PRINCIPAIS  USOS

A mais comum é sob a forma de limonada. Com determinados tipos de limão resultante de cruzamento, a melhor bebida consiste em passar-se no liquidificador com casca e tudo: é a famosa limonada suíça.
O limão é o mais importante condimento em Culinária. Quebra as cadeias proteicas, deixando as carnes, principalmente de suínos, mais leves e fáceis de digerir. Usado para comer com peixes fritos e assados, carnes diversas, camarões grelhados e na preparação de molhos e para dar gosto às saladas.
Como bebida, além do suco, altamente refrescante, usa-se como óleo essencial obtido de suas cascas para fazer  bebidas industriais  como energizantes, soda, licores. Com rum adiciona-se coca-cola e limão para preparar o coquetel cuba libre. Também na preparação de aperitivos diversos como caipirinha e outras bebidas.
Também usados para fazer sorvetes, cremes, mousses, bolos, pudins, compotas, madalenas, queijadas, muffins, barras de cereais, brigadeiro, gelatina, pastilhas, balas; aromatiza xaropes, elixires, garrafadas, chás das folhas. As raspas das cascas servem para coberturas de bolos.
Usado para conservar alimentos, principalmente maçã, que se oxida em contato com o oxigênio do ar, escurecendo.
                                       
                                         USOS INDUSTRIAIS

Além de ser usado na indústria de bebidas e doces, o limão entra na composição de vários produtos de higienização da casa, pois além de limpar, dá brilho, purifica, desodoriza e refresca o ambiente. A essência obtida de suas cascas é utilizada em perfumaria para preparar cosméticos.
                           
                                                NO  FOLCLORE

É por demais conhecida a cantiga popular Meu limão, meu limoeiro. A banda de forró Limão com Mel é uma das bandas pernambucanas mais cinhecidas. Muitas cidades no Nordeste (Ceará, Alagoas e Pernambuco) são denominadas Limoeiro.
Excelente para curar carraspana: basta cheirá-los. Muito comum em nossas hortas o capim-limão ou capim-cheiroso com forte odor cítrico.

                                          Agradecimentos

À amiga Ana Sofia que de Miami mandou-me um site da Casa Jaya sobre o uso do Limão  Matinal, para emagrecimento.

- Editor: Thiago Silva Prazeres