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PAPIRUS DO EGITO

terça-feira, 12 de agosto de 2014

POR QUE OS ADMINISTRADORES MUNICIPAIS NÃO GOSTAM DA CHANANA?



A chanana é uma planta subarbustiva com singelas flores amarelas ou brancas,  vistosas e que nasce espontaneamente nos canteiros de praças e avenidas, rachaduras de calçadas, terrenos baldios, pastagens. Dispensa regas, podas, adubos, ou seja, não demanda recursos para mantê-la sempre viçosa, por ser persistente, resistente, forte, sendo por isso considerada daninha. É conhecida, também por flor de guarujá, erva damiana, turnera de folha-de-olmo e albina.
Aqui em São Luis sofre implacavelmente sob as roçadeiras dos agentes da limpeza pública, encarregados da manutenção da grama, capim. Esse descalabro  não acontece só aqui. Também em Fortaleza, a prefeitura é inimiga da chanana. Em Natal, os intelectuais se reuniram depois de muitas denuncias ao gestor municipal e a escolheram com a flor-símbolo poético da cidade, para preservá-la, evitando a sua extinção.
Apesar de crescer espontaneamente, ela pode ser cultivada, emprestando ao paisagismo uma visão agradável. Suas flores só abrem pela manhã, com muita intensidade luminosa, fechando suas pétalas a partir das 16h00.
A mais conhecida é  Turnera ulmifolia que pertence à família das Turneráceas. Herbácea, atinge entre 30 e 50 cm de altura com flores amarelas e simples, que se abrem durante todo o ano, sempre na parte da manhã. A raiz é subterrânea, axial, pivotante, não possuindo tipos especiais. O caule é herbáceo, sublenhoso, ramificado com ramos eretos cilíndricos, esverdeados e lisos, sem desprendimento e adaptações, As folhas simples, elípticas,  pubescentes, pecioladas, face adaxial pilosa e rugosa por terem nervuras salientes, ápice agudo, base cuneada, apresentando um par de necticinas extraflorais, margem serreada. Os ramos são delicados e difusos. A sua filotaxia é alterna espiralada, sendo a presença de glândulas de turnera a característica marcante do grupo. A prefloração é contorcida, sendo a flor ictinomorfa, heteroclamídia, apresentando estípulos. O fruto é capsular seco, ovário súpero e tricapelar, sendo a placenta parietal.  As flores são brancas ou amarelas com a base púrpura, solitárias, axilares em racemos, com pétalas espatuladas, odoríferas lembrando a cânfora.  Multiplica-se por estaca ou sementes carregadas pelo vento e que germinam espontânea e facilmente. São persistentes, apresentando grande resistência, beleza e fortaleza, resistindo às intempéries. Medra em solos pobres, formando grandes maciços.
As espécies T. guyanensis  e T. melochinoides apresentam flores brancas; A espécie T. difusa foi muito usada pelos Asteca como remédio contra a impotência; T. opifera é de porte pequeno com flores fasciculadas, amarelas, dispostas em panículos. Em Santa Catarina a espécie mais comum é a T. subulata.
Os agricultores as consideram invasoras de terrenos cultivados, portanto, daninhas, pois inibem o crescimento de outras plantas.
Há uma variedade hortícola “Elegans” com flores marrom-arroxeadas na base.

            DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

Nativa das Guianas é encontrada, no Brasil, do Amazonas ao Nordeste e, também nos estados de Minas Gerais e São Paulo.
     
      COMPOSIÇÃO  QUÍMICA -  INDICAÇÕES

Possui ácido tânico, cafeína, damianina, óleo essencial, pepsina, princípios amargos, resina, tanino. As suas folhas ou das raízes são  usadas para chás e  apresentam propriedades adstringentes, albuminúricas, antidispépticas, balsâmicas, emenagogas, emolientes. Usadas para urina solta, contra a albiminúria, antioxidante, tônico para os nervos,  afrodisíaco, sendo estimulante dos órgãos sexuais. Usadas, também contra a acne, tumores, diabetes, leucorreia, amenorreias e processos inflamatórios do sistema respiratório, sendo excelente expectorante.
Algumas espécies são usadas como antidepressivas, calmantes e antinflamatórias, devido à produção  de substâncias aleloquímicas, sendo muito  utilizadas na medicina popular e na agricultura.
A essência floral é indicada para pessoas instáveis que se fecham dentro de sí mesmo, devido a efeitos psicoativos. O óleo essencial inibe o crescimento de fungos dos gêneros Trichophyton, Microsporum e Epidermorphyton.
Apresenta grande potencial biotecnológico e medicinal. Ultimamente vem sendo usada, sob a forma de tintura, para aumentar a resistência do organismo.
Na Europa a espécie T. afrodisíaca é usada como tônico para os nervos. No México é empregada para aromatizar licores.
Por suas propriedades farmacológicas foi incluída na Farmacopeia Americana.
Bastante conhecida pelos ”raizeiros” que vendem para preparar xarope e chá, assim como pelos índios Tapeba, do Ceará.. As partes usadas são as folhas e as raízes que devem ser coletadas, higienizadas, dessecadas a 37°C em estufa ou processadas no moinho de facas O chá deve ser feito pesando-se 37g da planta para 250ml em água quente; filtrar e decantar o pó antes de tomá-lo.

      SEU   EMPREGO  COMO COADJUVANTE NO TRATAMENTO DE AIDS E CÂNCER

Ao contrário das outras plantas usadas em medicina popular, a indicação da chanana resultou de pesquisas feitas pela venezuelana Alba Menezes que fazia reiterados pedidos à dra. Terezinha Rego, professora aposentada de Botânica do Departamento de Farmácia e atual Coordenadora do Programa de Fitoterapia da Universidade Federal do Maranhão. Intrigada e interessada, a prof. Terezinha impôs uma condição para enviar-lhe a planta solicitada. A pesquisadora venezuelana, trabalhava desde 1980, administrando chá das folhas da Turnera a oito pacientes aidéticos. Também determinara seus princípios ativos e  propriedades farmacológicas. Após trabalho em equipe, durante um mês na UNICAMP, em 1982, as  duas pesquisadoras constataram que  a chanana causava mudanças nos elementos figurados do sangue e estimulava as suas funções quando combinadas com AZT, em portadores de AIDS. Por falta de verba a pesquisa foi interrompida. Em 2013 a pesquisadora Márcia Aparecida Antonio, da UNICAMP, determinou  a fração ativa da planta e suas propriedades anti-inflamatórias no extrato hidroalcoólico bruto.
Em 1990, dois portadores pediram à prof. Terezinha que continuasse as suas pesquisas. A professora  substituiu o chá das folhas, cuja fervura provoca a evaporação dos insumos responsáveis pelas propriedades terapêuticas, pela fabricação de uma tintura, tendo como veículo  álcool de cereais  que se conserva por mais tempo, preservando os princípios ativos
O uso da tintura de chanana não substitui o coquetel de drogas usadas pelos aidéticos, funcionando como coadjuvante na melhoria da qualidade de vida dos pacientes, graças à capacidade de restaurar as forças, aumentando a imunidade, isto é,  a resistência do organismo debilitado às doenças oportunistas. Atualmente a prof. Terezinha faz o acompanhamento de trinta pacientes aidéticos.
A turnera é também, usada para combater os efeitos colaterais de pacientes portadores de câncer, utilizando a radioterapia e quimioterapia, além das drogas  específicas. A primeira paciente testada foi em 2008, era uma psicóloga portadora de um câncer cerebral maligno que tinha dificuldade de dormir, inchaço e dores nas pernas, diarreia, enjoo, instabilidade emocional, disfunção motora leve, baixas taxas de leucócitos e outras células relacionadas do sangue. Melhorou sensivelmente reduzindo os efeitos colaterais
.           Embora apresente grande potencial farmacológica, a xanana sob a forma de tintura, age, exclusivamente, aumentando a imunidade dos indivíduos portadores de AIDS, evitando e combatendo as doenças oportunistas, consequentes da baixa resistência orgânica. A prof. Terezinha vem acompanhando o tratamento de 30 aidéticos, associando  as drogas específicas com  o uso da tintura das folhas da planta, com excelentes resultados. 
Frascos com 100ml da tintura são vendidos para todo o Brasil, através do Herbário Ático Seabra, localizado no Campus do Bacanga – UFMA.

                                          

Um comentário:

  1. Léa Marinho15 agosto, 2014

    Sempre me perguntei por que não usavam essa linda plantinha para ornamentação dos canteiros por conta da sua resistência ao nosso clima. Achei linda a branquinha. Acho que devemos também fazer um movimento pela sua preservação.

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