MOEMA

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PAPIRUS DO EGITO

domingo, 3 de agosto de 2014

O ALGODÃO NO MARANHÃO



             PARTE I
                
                                    ETIMOLOGIA

Os vocábulos  algodão em português  e algodón, em espanhol,  são derivados do árabe, pois a planta foi introduzida na Península Ibérica pelos árabes, a partir da primeira metade do século X, com mudas trazidas da Síria. Do mesmo étimo cotón, registrado no século XII, dando cotton, em inglês. A planta é denominada algodoeiro. A palavra árabe se impôs em algumas línguas modernas, por força do comércio que realizavam com o produto têxtil, em fibras, fios ou tecidos no Ocidente.

                            INTRODUÇÃO

Fibra produzida pelo algodoeiro, planta da família das Malváceas, do gênero  Gossypium. As fibras crescem em quantidade razoável, aderidas às sementes e encerradas numa cápsula, também chamada capucho, que se abre ao amadurecer.
Atualmente a fibra do algodão é a mais utilizada na indústria têxtil, pois além de ser mais barata, não requer tratamento químico oneroso e também por ser lavável e mais resistente do que a lã.
A semente do algodão é utilizada para extração de óleo comestível e pela farinha, torta ou borra que resulta da moagem de seu resíduo e é usada na alimentação do gado e como fertilizante.

                    HISTÓRICO

A origem da cultura do algodão remonta à Pré-História. Escavações de ruinas revelaram que essa planta já era cultivada e seu produto aproveitado pelo homem para confecção de tecidos entre 3.500 e 2.500 a.C., na Índia;  Huaca Prieta, no Peru; gruta de Coxcatlán no México.
A planta, de acordo com documentos antigos, é originária da Índia. Através do Irã e da Ásia Ocidental expandiu-se rumo ao Turquestão e Transcaucásia; também para a parte oeste da Ásia Menor.
Quanto à China,  há divergências acerca da antiguidade do uso do algodão. Em documento de 2.200 a.C., há informações  sobre tecidos feitos com fibras de algodão. Há referência a um Gossypium Nanking, o que explica que naquele país surgisse a ideia de sua origem e aproveitamento. Há historiadores que afirmam  que os chineses teriam recebido a planta da Índia, seu mais provável habitat,  onde era conhecido pelo nome de karpasi, muito antes da Era Cristã, por menção feita nos códigos de  Manu, no século VII a.C.. Heródoto e outros historiadores da Antiguidade fazem referências a ele.
Consta que também foi cultivado na Grécia e em Malta nos últimos tempos que precederam a era cristã.
O fato mais coerente é de que algodão é conhecido desde 3.000 anos a.C.. Quinze séculos antes da nossa Era, já era cultivado na Índia e se fabricavam tecidos com suas fibras. Mil anos mais tarde, os chineses teciam panos de algodão, Nessa época não era conhecido pelos europeus, que usavam lã, como fibra têxtil comum. Os gregos e depois os romanos o conheceram através das expedições de Alexandre da Macedônia (século IV a.C.) em suas guerras na Ásia e seu uso foi extremamente restrito durante  longo tempo.   Em sua marcha para o Oeste chegou, no século V a.C., ao Alto Egito onde produziu sua  melhor espécie, a de fibras longas. Há notícia de que os tecidos eram ali conhecidos desde os tempos remotos (sendo já aperfeiçoada a técnica de tecelagem de linho) e afamados os panos de linho, 2.000 anos a.C.. As faixas de algodão que envolviam as múmias das 18° à 20° dinastias e que se acham atualmente no museu têxtil de Lyon, na França, são mais finas do que os modernos tecidos mecânicos. Na Europa o algodão foi introduzido pelos árabes quando dominaram a Península Ibérica, tendo sido cultivado inicialmente em Valência, na Espanha, por volta de 970 e logo depois, no oeste europeu onde a arte de fiação e da tecelagem da fibra era feita de forma rudimentar. Desde o começo da Idade Média, tornou-se conhecido em praticamente toda a Europa. Há também, quem assegura que os algodoeiros plantados na Europa, tiveram duas rotas: Valência, na Espanha e Sicília, na Itália, também ocupada pelos árabes, do século IX ao XI. Dali atingiu os Bálcãs, introduzido pelos turcos.

O  ALGODÃO  NO  CONTINENTE  AMERICANO

Na época dos descobrimentos, os navegadores espanhóis, portugueses e italianos já se achavam familiarizados com o algodão. Surpreenderam-se, no entanto, ao constatar que os nativos não só  cultivavam algumas espécies de algodoeiro, mas sabiam extrair-lhes a fibra, fiar e tecer por processos primitivos. Se os  espanhóis que colonizaram a América já o  encontraram, acredita-se que a planta tenha sido introduzida por migrações pré-históricas.
Cristóvão Colombo encontrou o algodão na ilha Guanahani e, nas expedições feitas na América Central e de uma região meridional, do México ao Peru e em várias outras áreas os espanhóis encontraram algodoeiros. Em ruinas de escavações pré-históricas do Arizona, foram encontrados tecidos e fio de fibras. Era difundido entre as civilizações Asteca, Maia e Inca. No Peru foram encontrados tecidos artísticos de algodão em alguns túmulos, presumindo-se terem sido fabricados em data anterior ao período incaico, sendo um indício do algodoeiro, naquela região.

CARACTERÍSTICAS  BOTÂNICAS



Os algodoeiros em estado selvagem chegam a atingir 7m de altura. Anuais ou perenes, apresentam caule ereto herbáceo ou lenhoso com quatro a cinco ramos vegetativos, intra-axilares na parte inferior; os ramos frutíferos, são extra-axilares e estão na parte superior da planta. A raiz principal é cônica, pivotante enquanto as secundárias, em pequeno número pequeno, são grossas e superficiais.
As folhas são grandes, pecioladas, cordiformes, com consistência coriácea, em algumas variedades; podem ser recortadas com 3, 5, até 7 lóbulos. As flores são hermafroditas, axilares, isoladas ou não, nas cores creme, quando recém-abertas, tornando-se róseas e púrpuras, com mancha púrpura na base interna. A abertura se dá a cada 3-6 dias. Os frutos verdes são chamados maçãs; após a abertura, capulhos ou capuchos. As cápsulas são deiscentes com 3 a 5 lojas, cada uma encerrando 6 a 10 sementes, envolvidas numa fibra felpuda, chamada lintes, geralmente branco; mas existem variedades em que são castanho ou verde.
A evolução se dá  de 120-150 dias para as espécies de fibras curtas e de 150-180 para as longas.
Os botânicos discordam na classificação do algodoeiro. Alguns admitem a existência de oito seções sendo as mais importantes a Herbácea e a Hirsuta. Quase todas as variedades cultivadas no Brasil pertencem ao Gossypium hirsutum. As variedades anuais da espécie são cultivadas no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e em zonas do Meio-Norte e Nordeste. Faz parte dessa espécie o mocó ou Seridó, variedade perene, xerófila, de valor excepcional, encontrada por acaso em estado silvestre e atualmente cultivada nas áreas mais secas do Nordeste. Produz a melhor fibra brasileira e uma das melhores do mundo. Possui em média 36 a 38 mm de comprimento e é muito forte e sedosa. A linhagem mocó-paraiba produz fibras de 45mm, fato excepcional, além de ser resistente ao bicudo. Com o Seridó fabricam-se os melhores tecidos de algodão. Outra variedade cultivada no Nordeste é o rim de boi – G. barbadense -  espécie perene, de fibra curta, áspera e inferior.
As fibras são classificadas, pelo comprimento, em quatro tipos: inferiores (menos de 22mm); curtas (22 a 28mm); médias (28 a 34mm) e longas, com mais de 34mm.
São também classificadas e biológicas ou orgânicas, quando não são usados pesticidas no controle das doenças que afetam o algodão, utilizado na fabricação de lenços, echarpes, quimonos. Nas espécies geneticamente modificadas  utilizam-se menos de 80% desses produtos.


                TIPOS  DE  ALGODÃO

O algodoeiro cultivado há séculos  na Índia, China e países vizinhos é uma variedade asiática, não cultivada em outras regiões, apresentando fibra curta e diferente dos algodoeiros do hemisfério ocidental. O algodão das Antilhas é da variedade Sea Island, que produz uma fibra longa e resistente, sementes negras facilmente descaroçáveis. Entretanto é muito vulnerável aos ataques do bicudo (Anthonomus grandus) e outras pragas como a lagarta rosa, a broca de haste, o pulgão, o percevejo de renda, ácaros, fungos e bactérias e até vírus.
Uma variedade bastante parecida com o Sea Island é o algodão egípcio, nativa na América Central e atualmente cultivada no Egito. Essa variedade também se cultiva   no sudoeste dos EUA e na América do Sul.
Os colonizadores ingleses encontraram na região leste dos EUA um tipo de algodão chamado Upland, de fibras mais longas do que a Sea Island. A grande quantidade de sementes e sua forte aderência às fibras impediram que essa variedade se difundisse no passado. Contornado esse problema tornou-se a mais cultivada no mundo.

          CULTIVO  DO  ALGODÃO

O algodoeiro, arbusto perene de origem e aclimado ás regiões subtropicais semiáridas, foi modificado pelo homem que criou variedades anuais adaptadas a condições climáticas e latitudes diversas.
O algodoeiro é uma planta de clima quente que não suporta o frio. O período vegetativo é longo, variando entre cinco e sete meses, dependendo  da intensidade de calor recebido, daí  ser imprescindível períodos longos e quentes de verão e bastante úmidos. Na  maturação, quando as cápsulas se rompem, a chuva se torna prejudicial. Um clima quente com duas estações (seca e chuvosa) oferece as condições naturais propícias ao cultivo do algodoeiro.
Com o objetivo de dar ao algodoeiro um clima mais favorável, tem sido plantado nos desertos e semidesertos, como o Egito e o Sudão, fornecendo-lhe a água necessária, através de vários processos de irrigação.
O algodoeiro  é uma planta exigente quanto aos tipos de solos, exigindo a renovação dos mesmos mediante o uso de fertilizantes, a rotação de culturas ou simplesmente, permitindo o descanso dos solos por certo período.
Durante a fase de crescimento, o algodoeiro está exposto a inúmeras adversidades, como a carência ou excesso de chuva e, principalmente pelo ataque da lagarta rosada e do bicudo.
O cultivo do algodão demanda mão-de-obra numerosa. Nas propriedades de médio porte e nas grandes, o emprego de maquinário especializado atenua esse problema, principalmente na fase do preparo do solo e plantio. A colheita demora várias semanas, pois nem todas as cápsulas se abrem ao mesmo tempo, o que obriga os trabalhadores a percorrer os algodoais  várias vezes, para colher as cápsulas maduras.

DISTRIBUIÇÃO  GEOGRÁFICA DO  ALGODÃO

A  quase totalidade das regiões algodoeiras  está situada entre 25° e 30°  de latitude Sul. Entretanto há grandes zonas produtoras fora desses limites. Na Ásia, as zonas algodoeiras da China e da Rússia, estão situadas em latitudes mais elevadas.
No continente americano os principais países produtores são: os Estados Unidos, o México o Brasil, o Peru e a Argentina. Nos EUA, a maior área algodoeira estende-se pelos estados do Sul, da faixa atlântica até o Texas. Em escala menor as zonas algodoeiras se concentram no Novo México, Arizona e Califórnia. No Brasil, os estados do Nordeste e São Paulo constituem as duas principais áreas produtoras.
Na Ásia, a faixa algodoeira se estende desde a Turquia até as áreas de solos ricos da China. Também no Usbequistão onde foram implantados projetos de irrigação. Na Índia a principal zona de cultivo fica no Decan e na China, ficam localizadas ao longo dos vales fluviais e no litoral do país.
Na África, uma zona algodoeira, mais ou menos contígua, estende-se do delta do Nilo até Moçambique.  Nos demais países como Sudão, Uganda, Quênia, Tanganica, os algodoais se  apresentam em áreas isoladas. Outros países como a República do Congo e a Nigéria merecem algum destaque.
Na Europa o algodão é encontrado apenas na Bacia do Mediterrâneo, destacando-se a Grécia e a Espanha.

           PRODUÇÃO  INDUSTRIAL

A entrada do algodão  na economia começou com a manufatura de tecidos no século XVIII. Na Inglaterra, em 1738, John Kay iniciou a era das grandes invenções, com a sua lançadeira mecânica. James Hargreaves, em 1767 inventa a fiadora contínua. Em 1771, Richard Arwright surgiu com a sua roda de fiar ou fuso mecânico. Com seu invento, formou uma bem sucedida indústria têxtil e, a seguir, Edmond Cartwright com o tear automático. Nos EUA, em 1791, Eli Whitney inventou a máquina de descaroçar algodão. Esse engenho descaroçava 660 kg de algodão em uma hora, tarefa que um escravo levava dois dias para executar. Mais tarde apareceu a máquina a vapor.
Graças a essas inovações,  houve um extraordinário impulso  à utilização do algodão, no decorrer do século XIX. Em 1801, a indústria de vestuário consumia na Europa, 78% de lã, 18% de linho e apenas 4% de algodão. Um século mais tarde, as proporções eram: 20% de lã, 6% de linho e 74% de algodão.
O algodão desempenhou papel importante na transformação das estruturas econômicas, políticas e sociais da América do Norte.
A maior parte do algodão produzido no mundo é utilizada pelos próprios países produtores. Os excedentes exportáveis, no entanto, mantem importantes indústrias têxteis que não cultivam o algodão, tais como a Inglaterra, Alemanha, França, Itália, assim como o Japão e o Canadá. Os principais países exportadores são os EUA, Egito, Brasil, Paquistão, Sudão e Peru.

           O  ALGODÃO  NO  BRASIL


Quando os portugueses chegaram ao Brasil, o algodão já era cultivado, fiado e tecido pelos silvícolas que confeccionavam as suas redes e algumas peças de indumentária. Empregavam, também, em tochas incendiárias, presas às setas. Era o algodão perene – G. barbadense var. brasilense, também chamado crioulo, inteiro ou rim de boi. Em tupi a palavra amandyn significa que dá novelo ou algodão. Em carta datada de maio de 1.500, e dirigida a D. Manuel, o Venturoso, Pero Vaz de Caminha, o escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, referiu-se a índios, mulheres e meninos atados de panos. Gabriel Soares de Sousa faz referência a essa planta em seu famoso livro.
A cultura do algodão teve desenvolvimento lento no Brasil. Era o que se chamava “ lavoura de pobre”. A agricultura não se desenvolvia, principalmente diante das ordenações da Metrópole contra as manufaturas, sendo o mercado de panos atendido pela Inglaterra através de Portugal.
Na época colonial, o algodão era cultivado na região norte, principalmente na Bahia, Pernambuco e Maranhão, inicialmente para suprir as necessidades locais e, gradualmente para fornecer para outros países. O algodão começou a ser exportado no século XVI, contribuindo para que a Índia perdesse o monopólio dos tecidos de algodão. No século XVIII, a cultura algodoeira tomou grande impulso no Pará, Maranhão, Ceará, Pernambuco e Bahia. Em 1778  foram despachados para Lisboa os primeiros fardos de algodão, de Fortaleza, através da Bahia. Já no ano de 1805 saiu o primeiro navio totalmente carregado do produto. No começo do século XIX as exportações anuais chegavam a 600 kg. A lavoura do algodão continuou crescendo até 1822, quando se verificou a queda de preços nos mercados europeus. Até a independência, os Estados Unidos, como colônia, dependiam do Reino Unido que lhes impunha condições no mercado de algodão. Depois os EUA pretenderam tomar a posição da Inglaterra, elevando os preços e desenvolvendo suas indústrias de fiação e tecelagem, o que levou o Reino Unido a incrementar a produção algodoeira no Egito, no Sudão e na Índia. A Guerra Civil dos EUA ou Guerra da Secessão, que durou de 1861-65, com a queima das grandes algodoais nos estados sulinos,  desorganizou a produção norte-americana, mudando a estrutura rural, agravada pela abolição da escravidão. Na oportunidade  a produção brasileira, estimulada pelos altos preços cresceu de maneira expressiva. A partir daí aumentou o interesse do Reino Unido pelo algodão brasileiro levando à expansão dos algodoais no Nordeste em direção ao Sul até o Paraná e para o centro de Goiás.  O cultivo do algodão cresceu para atender a demanda mundial e de maneira tão rápida que só o estado do Ceará exportou entre os anos 1864-65, 1.000kg de algodão, atingindo mais de 8 toneladas entre 1871-72.
O algodão trouxe grande prosperidade para os plantadores brasileiros que naquela época utilizavam o braço escravo. Ao invés de incrementar as suas lavouras, desperdiçaram as riquezas ganhas sem esforço e permitiram  que os norte-americanos recuperassem a antiga preponderância.
Essa bolha econômica estourou, após a guerra, quando os EUA retomaram as exportações, principalmente para os ávidos e insaciáveis teares  das fábricas têxteis inglesas.
Quando se deu a Abolição da Escravidão, em 1888, todos os cultivadores abandonaram o algodão no Nordeste e desde esse tempo o produto foi cultivado em pequena escala, para suprir as necessidades locais e fornecer matéria-prima para as dezenas de fábricas têxteis implantadas no fim do século XIX. O Nordeste fornecia para as indústrias do Sul e Sudeste, graças às fibras longas exigidas pelos bons tecidos.
Até  1875, o Brasil continuava a ocupar o 3° lugar entre os países exportadores de algodão. Nas últimas décadas do século XIX a produção decresceu e em algumas regiões desapareceu completamente, devido à corrida para a extração da borracha na Amazônia, passando o Brasil a ocupar o 6° mercado exportador.
Assim como ocorreu com o açúcar, depois de uma primeira fase áurea no mercado mundial, declina, passando a ser considerado apenas um mercado de emergência, para suprir o mercado externo quando por uma deficiência de suprimentos eleva os preços e permite a competição de produtos de custo elevado.
A 1ª Guerra Mundial (1914-18) que no início provocou pânico no comércio externo do produto, influiu consideravelmente na industrialização do Brasil; e as fábricas de tecidos, com grandes encomendas a partir de 1915, exigiram maior volume do algodão em pluma, a tal ponto que vários cafeicultores chegaram a derrubar seus cafezais para cultivarem área o ouro branco.
Essa guerra confirmou a antiga assertiva que somos apenas um mercado para suprir emergências. O comércio de algodão subiu vertiginosamente, estimulado pelo alto nível dos preços da guerra, ocorrendo em 1922 o ponto culminante das nossas exportações, quando nosso país exportou quase 40.000 ton., baixando para 10.000 em 1928. E novamente se assiste a mesma situação anterior, diminuição das exportações, compensadas, todavia, pelo consumo interno, para fornecer o algodão para alimentar nossa incipiente indústria têxtil.
Atualmente a produção de algodão no mundo é em torno de 20 milhões de toneladas, cabendo ao Brasil uma cota de 700.000 ton. e o 5° lugar no mercado exportador.
O Brasil tem duas grandes zonas algodoeiras: uma no Nordeste, alongando-se do Rio Paraguaçu, na Bahia ao Ceará, invadindo o Piauí e o Maranhão. Outra em São Paulo, prolongando-se para o norte do Paraná e no Triângulo Mineiro. Há uma terceira zona, no setentrião  mineiro e centro-sul baiano e outras pequenas áreas isoladas, com grande potencial até o Acre por seu clima quente, com uma estação úmida, seguida de uma estação seca, favorável ao cultivo do algodão. No Nordeste usam-se as expressões herbáceo e arbóreo  para designar espécies anuais e perenes, respectivamente.

   SUB-PRODUTOS  DO  ALGODÃO

Além da fibra retirada das cápsulas do algodoeiro, as sementes começaram a ser exploradas a partir da década de 1970. Elas contém, em média, 17 a 23% de óleo e 15 a 21% de substâncias azotadas.
- Línters, espécie de penugem obtida por um processo secundário de deslinteração e utilizada para encher colchões, travesseiros e almofadas; também para tecer certos tipos de tapetes e na produção de celulose, matéria-prima de aplicação variadíssima na indústria têxtil (rayon e algodão artificial), na indústria de verniz e outras. O línter, matéria básica para a fabricação de absorventes e para fins cirúrgicos. Na indústria bélica é usado na preparação de pólvora, pois dele se obtém explosivos energéticos.
- Óleo do caroço de algodão – após a desodorização do óleo obtido pelo esmagamento das sementes, é usado e recomendado na alimentação humana. Também das sementes se extraem alguns óleos para usos industriais, inclusive para lubrificação. No Brasil as primeiras fábricas de óleo apareceram  no século XX.
- Tortas e resíduos – a torta do caroço do algodão resulta do processo de extração do óleo e é destinada à alimentação de animais ruminantes estabulados ou não. Nutritiva, apresenta altos teores  de nitrogênio, cálcio, ferro, magnésio, enxofre, manganês, fibra, proteínas, fósforo. É também, empregada como adubo em terras empobrecidas, pela agricultura intensiva do algodão. Usada como matéria-prima na fabricação de sabão.
           Continua no próximo texto.


2 comentários:

  1. O "Algodão" é um tema muito interesante e rico para pesquisas, sobretudo para nós maranhenses, e o teu texto Moema, de muita leveza e agradável leitura.

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  2. Léa Marinho15 agosto, 2014

    Tenho visto camisetas e demais peças feitas com algodão colorido que dizem já ser colhido assim. É verdade?

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